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Eslovênia

O que eu não gosto na Eslovênia

O que eu não gosto na Eslovênia

Em quase todos os meus textos, falo sempre do quanto gosto de morar neste país e das coisas boas que ele oferece. Já citei algumas dificuldades em alguns textos, mas hoje citarei alguns dos principais motivos que fazem com que a vida não seja tão perfeita sempre, mesmo no país de contos de fadas.

O inverno

O inverno, como já citei em outra oportunidade, é de outubro a abril. Temperaturas entre 15 e -10 graus para mim são temperaturas de inverno. Claro que para um europeu não, outubro ainda está bom e abril, mesmo com 10 graus, já está ótimo. Aí depende de cada um. Para mim é frio.

Mas o mais difícil mesmo são os intermináveis dias cinzas, de janeiro até meados de março. Especialmente onde moro, na capital Liubliana, por causa de sua localização, entre montanhas, o que faz com que a neblina fique “estacionada” aqui fazendo os dias tristes. A enorme quantidade de roupa que tem que se usar também me incomoda.

Acordar às 6 horas da manhã para levar minha filha a pé para a escola, que fica perto, uns 7 minutos caminhando, com uma temperatura de -5 graus, às vezes com chuva e às vezes com tudo congelado, também não é animador. Sem contar que as crianças adoecem muitas vezes de novembro a abril. E claro, os pais também.

Longas horas de voo até o Brasil

Liubliana, a capital, não tem muitas conexões, e para o Brasil, se você quiser passagens mais baratas, terá que ir até Veneza de carro e fazer conexão em Paris. Também há a possibilidade de fazer Liubliana-Frankfurt-SP, mas, por exemplo, eu que vou para Porto Alegre, tenho um voo super longo, que pode durar até 36 horas.

O idioma

Já escrevi também sobre o idioma esloveno, que eu acho bem difícil. Moro aqui há 4 anos e já entendo bem e falo um pouco, mas a aprendizagem leva tempo e precisa de muita disciplina e dedicação para aprender a falar corretamente. Não acredite que só por morar aqui você aprenderá rapidamente o idioma.

Amizades

Claro que isto se aplica a qualquer lugar novo, mesmo dentro do Brasil, se você mudar de estado, terá que aos poucos ir criando sua rede de amizades, mas aqui leva mais tempo. Normal, você não fala o idioma, sua cultura é diferente e os europeus em geral são mais fechados. Então, claro, que bate aquele momento em que você queria ligar e ir tomar um café, um chopp com sua amiga e falar de coisas que dividimos normalmente com quem nos conhece e a nossa história. Vai levar um tempinho.

Emprego

Arrumar um emprego é bem difícil. Primeiro, claro você, precisa aprender o idioma. Há empresas que contratam pessoas para falar inglês e até português, mas a oferta é pequena. Quanto mais alta a sua formação acadêmica, mais difícil será. Existe ainda a questão da validação de diplomas e muitas vezes na equiparação há exigência de que você curse alguma cadeira que na avaliação deles falta. Portanto, você poderá passar muito tempo, anos, sem conseguir emprego.

O atendimento no sistema de saúde

Em geral, o sistema de saúde funciona bem, muito bem se comparado ao Brasil, tanto que há poucos médicos particulares, uma vez que a praticamente todo mundo usa o sistema público de saúde, que cobre inclusive os medicamentos.

O que eu não gosto?

Do atendimento: as enfermeiras assistentes, aquelas que atendem antes do médico, preenchem fichas e pegam seus cartões, em geral são bem frias e até rudes. Não importa se você não fala esloveno, elas falarão somente esloveno com você, entenda ou não.

Muitos médicos, principalmente pediatras, mesmo sabendo falar inglês, não se dirigem à mãe durante a consulta, se o pai esloveno estiver presente falam apenas esloveno e ignoram suas perguntas.

Não são todos, que fique claro, mas há muitas reclamações neste sentido.

Os médicos, em geral, são distantes e o atendimento bem “automático”, pouco humanizado e nada holístico. Você é apenas um sintoma, mas isso vejo também no Brasil.

As festas

O temperamento esloveno, assim como dos europeus, costuma ser mais fechado, introspectivo, portanto a euforia aqui não faz morada. Nos jogos de futebol e em competições em geral, há de se aplaudir a educação eslovena, mas nas festas…

Bem, nas festas sinto falta de música, de dançar, de mais risadas e de mais informalidade. Isso não é um defeito dos eslovenos, ou europeus em geral, mas tem a ver com seu temperamento, sua cultura.

Tempo frio, formalidade, falta de empatia, saudade, desemprego são questões minhas, não de todos que vivem aqui, que com certeza devem ter outras diferentes destas, ou nenhuma até, quem sabe.

Sempre, em qualquer lugar, encontraremos problemas, questões que nos tocam mais ou menos, mas será sempre nossa atitude perante esses desafios e nossa ação que farão destes problemas ou desafios, muros perante os quais paralisamos, buracos nos quais nos escondemos de tudo e nos perdemos, ou pedras, que juntamos e construímos uma estrada alternativa neste novo cenário que a vida nos trouxe para viver.

Que a que você construa não seja perfeita, mas perfectível, conforme você caminhe por ela.

E que a faça crescer. Sempre.

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3 comentários

Aristodenes Fevereiro 2, 2018 at 6:53 pm

Ótimo texto, eu tenho vontade de fazer intercâmbio na Eslovênia, porém tenho dúvidas se conseguiria encontrar emprego já que só falo português e inglês.

Resposta
Marta Berglez Fevereiro 15, 2018 at 9:14 am

Ola Aristodenes,

Obrigada! Emprego aqui nao e facil mesmo, mas ha quem encontre. Sem duvida o ingles e necessario.

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Tatiane Maio 5, 2019 at 12:59 am

Oi Marta! Eu estive na Eslovênia há algumas semanas e fiquei apaixonada pelo país. Voltei ao Brasil me perguntando o que poderia ser ruim nesse lugar. E então encontrei seu texto, rs. O frio também me incomodaria muito, além da distância do Brasil. Mas ainda assim, gostaria de passar mais um tempinho aí. Um abraço!

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