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Morar fora do Brasil: minhas percepções

Nesse texto vou falar um pouco sobre minha percepção de morar fora.

Começarei falando sobre a alimentação, uma vez que por aqui se come muito bem. E ainda bem! Aos poucos você descobre os restaurantes, descobre que tem tapioca, açaí, japonês, churrascaria brasileira, coxinha, empadinha e quibe, ceviche, comida saudável e casas de chá.

Em princípio, é normal pensarmos que sentiremos saudades de um monte de coisas do Brasil, mas aí, descobrimos que, como há brasileiros em todos os lugares, é praticamente garantido que, quando quisermos, poderemos relembrar os sabores do nosso país.

A primeira vez que fui ao consulado do Brasil em Barcelona, recebi à porta o panfleto de um restaurante brasileiro. Pensei: “Poxa, que bom! Quando tiver vontade de comer uma feijoada já sei onde posso ir.” Aqui também se comemora todo ano o feriado da Independência com a “festa do Brasil” e é claro, com comidas típicas: pastel (vende-se a massa para congelar e fazer em casa), pão de queijo, acarajé, bolinhos de queijo, espetinho, milho assado, caldo de cana. Tudo para matar um pouquinho as saudades que temos das comidas. E claro, sempre há algum show de algum cantor conhecido, escola de samba e muito verde e amarelo.

Mas, à parte disso, a comida regional é muito boa. Desde a comida típica espanhola ou catalã, até a italiana, japonesa, chinesa, mexicana.

Já comentei em outro texto que nos mercados é muito fácil encontrar alimentos de variadas marcas e qualidade. Alguns produtos que pagamos bem caro no Brasil, por serem importados, aqui não chegam a custar nem 2 euros. Existem dias específicos em que alguns mercados vendem produtos típicos de alguns países também. Por exemplo: houve um dia em que fizeram uma promoção de alimentos gregos; outro, de vinhos; outro, de alimentos típicos de comida japonesa e por aí vai. E, a propósito, os vinhos aqui já não custam caro, quando essas promoções acontecem, então, pode-se comprar vinhos importados com desconto de 15%. É muito bom!

Outro ponto de observação que faço é, que, no começo, você se surpreende com a variedade de nacionalidades que há por aqui. Nós no Brasil, embora conheçamos muitas famílias de ascendências diferentes – muitos dos nossos amigos são netos de italianos, portugueses, espanhóis, enfim – e de termos também as festas dessas nacionalidades e bairros específicos, na maior parte dos casos essas famílias falam somente o português, pois os antepassados é que imigraram. Mas quando você sai do Brasil e vem para Europa, conhece imigrantes de sua geração. Muitos deles, inclusive, já moraram em outros países. No começo isso é motivo de curiosidade, mas depois vira rotina.

Ainda nessa esteira, mas já uma terceira percepção em forma de conselho para quem pensa em morar fora é: aprender o idioma local e, sem sombra de dúvida, falar inglês, pois esse é o idioma universal. Para qualquer lugar que se vá, ainda mais se for uma cidade turística, como Barcelona, em cada esquina você ouvirá alguém falando inglês, alguém te perguntará algo em inglês ou você conhecerá algum americano, canadense, irlandês, enfim, alguém de língua nativa inglesa. E, se estiver em um grupo com gente de outros países, pode ter certeza que essas pessoas se comunicarão em inglês, pois será a língua comum a todos. Por isso eu repito: fale inglês! Comece hoje a estudar! Com certeza isso te abrirá muitas portas.

Neste pouco mais de 1 ano em que estou aqui cheguei a seguinte conclusão: o mundo fala inglês. Se você não falar também, vai se sentir como um peixe fora d’água.

Por essas e outras eu comecei meu curso de catalão junto com as aulas de inglês. Ainda não sei o que estarei falando melhor ao final, mas enquanto acreditar que é difícil, mas não impossível, aprender duas línguas ao mesmo tempo, seguirei fazendo. E digo mais: o seu idioma materno vai se perdendo um pouco quando você fica muito tempo fora de seu país, pois você trabalhará falando e escrevendo em outra língua. Trocar palavras, criar palavras que não existem, tudo isso acontece. É divertido, embora preocupante ao mesmo tempo, pois você pensa: “Caramba, acho que já não falo bem nenhuma língua mais, nem a minha.” Mas acredito que isso seja normal e, caso você conviva com outro (s) brasileiro (s), ambos poderão se ajudar nos momentos de dúvida: essa palavra existe? Eu falei tal coisa, falei certo?

Por fim, hoje vi um vídeo que me mostrou muitas coisas: trata-se de um chinês de 80 anos e conta um pouco da sua história. Ele recentemente virou modelo! Iniciou o aprendizado de inglês aos 44 anos, começou a treinar musculação aos 50, e hoje tem ainda alguns sonhos que deseja alcançar. No vídeo ele diz: “se você acha que é tarde demais, tenha cuidado, não deixe que isso seja uma desculpa para você desistir. Ninguém pode impedi-lo de ter sucesso, exceto você mesmo”. Deixo o link aqui para lhe inspirar. Agora pare e pense: quantas vezes já não passou pela sua cabeça: vou começar isso agora? Com a idade que tenho? Tinha que ter feito isso aos 20 anos…

Sempre é possível fazer algo novo, independente de quantos anos se tenha. E, morar fora, aprender uma nova língua, deparar-se com culturas diferentes, é, certamente uma dessas coisas novas que se pode fazer a qualquer tempo de vida!

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2 comentários

Camila Correa Novembro 23, 2016 at 6:33 pm

Parabéns Gleice!

Seu texto está perfeito.

bjs

Resposta
Gleice Garcia Santiago Novembro 29, 2016 at 10:54 pm

Olá Camila! Muito obrigada por comentar! Fico feliz que tenha gostado! Um beijo.

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