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Especial Artistas – Clélia Iruzun

Mais uma entrevista com brasileiras pelo mundo. Desta vez o blog entrevistou a Clélia Iruzun, pianista, que já se apresentou pelo mundo e mora em Londres.

  • Por favor fale um pouco sobre voce e sua trajetória.

Nasci no Rio de Janeiro e comecei a tocar piano muito cedo. Já aos sete anos me apresentava em concertos e concursos, mas foi por volta dos quinze anos que me dei conta de que provavelmente seguiria a carreira de musicista. Tive a sorte de encontrar grandes músicos no Brasil como Nelson Freire, Jacques Klein e Francisco Mignone que me orientaram no início da minha trajetória e sugeriram que viesse estudar na Europa. Acabei ganhando uma bolsa para estudar com a famosa professora Maria Curcio em Londres e acabei também fazendo o curso na Royal Academy of Music. Fiz entao o meu debut oficial no Wigmore Hall em Londres e ganhei alguns prêmios internacionais que me ajudaram a me lançar no Mercado europeu.

  •  Como e ser pianista fora do Brasil?

Na minha opinião a maior diferença de estar fora do seu pais de origem é o fato de você não ter raízes no local e ter que criá-las de alguma maneira. Ao mesmo tempo é importante também manter aquelas raízes originais e não esquecer seu
país natal. Estando fora do Brasil sinto que carrego comigo sempre o título de “brasileira” e a vontade de representar bem meu país.

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  • Você acha que teria as mesmas oportunidades estando no Brasil ou o fato de morar na Europa afetou a sua carreira?

Eu já tocava concertos no Brasil quando cheguei aqui, mas realmente o fato da Inglaterra ter um mercado musical maior me ajudou bastante porque tive muitas oportunidades de tocar e também aprender com excelentes professores e
pianistas residentes em Londres. Tive também a sorte de ouvir grandes músicos e orquestras na riquíssima temporada de concertos daqui. Explorei também ópera, teatro, galerias de arte, etc a fim de complementar minha formação artística.

  • Você fez cursos fora do Brasil, se sim, quais recomendaria para alguém que tenha vontade de tentar uma carreira fora do Brasil como você.

Eu fiz dois cursos na Royal Academy of Music, o de graduação e o de pos-graduação. Estudei com um ótimo professor que havia sido aluno da Maria Curcio (minha primeira professora aqui) e portanto segui na mesma escola pianística, o que foi produtivo. Tive também a chance de estudar as matérias teóricas, História da Música, música de câmara e regência. Acho que a melhor etapa para quem quer estudar música fora do Brasil é procurar primeiramente recomendações sobre professores pois é fundamental para o artista estudar com alguém com tenha empatia artística. Após meu curso da Royal Academy estudei com uma brasileira em Paris, Mercês de Silva Telles, aluna do famoso pianista chileno Claudio Arrau. Ela foi a pessoa mais importante na minha formacão, foi quem conseguiu me ajudar a consolidar meu estilo e encontrar minha verdadeira maneira de tocar.

  • Você viaja o mundo se apresentando. Que lugar gostou mais de tocar e porquê?

Essa pergunta é muito dificil porque cada país tem características muito diferentes. Eu gosto muito de tocar no Brasil porque me sinto em casa e fico feliz ao ver que consegui manter laços profundos com minha terra apesar da distância. Outro lugar muito interessante é a China, onde já fui muitas vezes e as platéias são enormes e incrivelmente variadas, há todas as gerações assistindo aos concertos e eles tem grande entusiasmo por ouvir mísicos de outras partes do mundo.

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  • A Inglaterra é conhecida por ser um país que respeita muito  a música. Se não morasse aqui, que outro país gostaria de morar, sendo artista.

Não poderia responder essa pergunta porque quando saí do Brasil vim para cá e acabei me estabelecendo em Londres. Certamente a Inglaterra respeita muito o trabalho dos artistas e incentiva o povo a se educar para melhor apreciar as
artes.

  • O que lhe inspira para compor e tocar?

A música e outras formas de arte são em geral inspiradas na Natureza e no mundo ao redor de nós, em sentimentos, impressões, coisa belas, etc… Tudo isso inspira o artista a compor e a executar as obras. Em música, por ser uma forma mais abstrata, talvez a comunicação seja ainda mais direta, da partitura para o som, uma linguagem universal. Por isso para mim quando estou diante uma bela composição acho que ela fala por si e eu sou somente o meio entre  a partitura e o ouvinte. É uma busca constante, um trabalho diário tentando combinar o processo racional e técnico do piano com o processo emotivo, que é o que se chama de inspiração.

  • Por favor deixe uma mensagem para as leitoras do Brasileiras Pelo Mundo.

Obrigada por me convidar a participar do blog e fico feliz de poder fazer parte dessa comunidade de mulheres brasileiras espalhadas pelo mundo, cada uma seguindo seus sonhos. Sucesso para vocês!

Site da Clélia Iruzun!

 

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6 comentários

Juraci Pike Junho 17, 2014 at 11:40 am

Clélia, meus cumprimentos por tua tragetoria planejada que culminou com a conquista do seu espaco em uma area de grande competitividade. A existencia concreta do seu sucesso esta no video que voce nos comtempla em BPM. Bravo!

Resposta
Juliana Junho 17, 2014 at 12:09 pm

Demais, Clélia! Parabéns e venha se apresentar em Madri, por favor!!

Resposta
Fernanda Franco Junho 17, 2014 at 10:01 pm

Parabéns pelo belíssimo trabalho e pela entrevista. Continue encantando plateias com seus dedos flutuantes. E sempre lindo e inspirador ouvir o som do piano tocado com tanta delicadeza e paixão!

Resposta
Ana Lozon Junho 18, 2014 at 9:23 am

Absolutamente AMEI o Hino nas mão da Clélia!!
bisous

Resposta
ackolb Junho 19, 2014 at 11:10 am

Clélia que trabalho e talento lindos! Desejo todo sucesso do mundo e ja te anotei na minha agenda, quem sabe não conseguimos te ver tocando aqui na Suica! Parabens pela estória de sucesso e obrigada por partilhar conosco sua trajetória! Namasté 🙂 Linda performance do nosso Hino Brasileiro! Lindissimo!

Resposta
Juliana Julho 11, 2014 at 7:27 pm

Primorosa sua interpretação, Clélia. Conheço você através dos programas da rádio MEC, dirigidos por Lauro Gomes. Aliás, compartilhei com ele esta entrevista. Um abraço!

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