Fiz um intercâmbio em Portugal e não voltei mais para o Brasil

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Fonte: Pixabay
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Fiz um intercâmbio em Portugal e não voltei mais para o Brasil.

Quer dizer, eu voltei sim. Mas foi só para terminar a faculdade, juntar mais uma graninha trabalhando e preparar a minha família para que eles se acostumassem com a ideia. Vou contar um pouquinho mais sobre essa história meio maluca para vocês.

Vim para Portugal pela primeira vez no início de 2016, através de um programa de intercâmbio que a minha faculdade tinha com a Universidade de Coimbra. Juro que as minhas expectativas eram super baixas, porque eu queria fazer esse programa em algum outro país da Europa, já que eu queria um impacto cultural maior, queria também aprimorar meu inglês e, quem sabe, estudar outra língua. Mas diversos outros motivos como o “preço” do custo de vida, por exemplo, me fizeram escolher Portugal. Eu estava com bolsa de estudos, mas não sabia se ia ser suficiente para o período todo, se estivesse morando em outro país da Europa… Enfim, nunca havia me imaginado morando por aqui. Esse país nem era a minha primeira opção de viagem para turismo.

Tudo isso mudou depois que eu passei as primeiras 24 horas em Coimbra. Logo de cara já saquei que os quase 6 meses de intercâmbio seria muito pouco tempo para aproveitar esse país.

Me apaixonei pela arquitetura da cidade, pela comida, pela simpatia das pessoas, pelo ritmo de vida que os habitantes levavam. Fui viajando pelo país e fui gostando cada vez mais do que eu via. Cada vez sentia menos vontade de voltar para a casa para ter uma rotina estressante em uma cidade grande com trânsito, muita poluição e violência. É claro, que a saudade sempre apertou, mas estar nesse país era tudo que eu mais queria.

O tempo foi passando e eu fui tomando a minha decisão. No começo foi tudo de brincadeira. Comecei a pesquisar cursos de mestrado em várias instituições do país e me apaixonei por um curso de um instituto que ficava na cidade de… Coimbra! Estudei os meios de candidatura, os valores e tudo mais.

Se tudo desse certo, eu iria voltar para Portugal e não só: eu iria voltar para Coimbra! Essa cidade que me acolheu tão bem e que me fez ficar apaixonada por esse país.

Quando o período do intercâmbio chegou ao fim, eu tive que voltar para o Brasil para terminar a graduação. Fiquei super feliz de reencontrar família e amigos, mas também fiquei super depressiva porque eu estava longe de onde queria estar. Por mais que tivesse feito planos de voltar enquanto estava em Portugal, estar de volta ao Brasil me fez ficar insegura porque não queria deixar tudo e todos para trás. Mas também não queria ficar. Era um sentimento meio esquisito, mas que eu pensei que fosse passar depois que eu tivesse me acostumado com a rotina na minha cidade. Só que os meses passaram, já era novembro e o sentimento não ia embora. O meu pensamento ainda estava lá na terrinha, naqueles planejamentos doidos.

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Cogitei várias vezes fazer acompanhamento psicológico, nada parecia fluir… Eu estava mesmo para baixo, até que decidi: Vou voltar. Se não der certo, pelo menos eu tentei.

Recomecei todos os planejamentos: busca por cursos, moradias, possibilidade de emprego, informações sobre imigração, dinheiro. Meus dias começaram a ficar muito mais coloridos e cheios de vida, e eu comecei a dar muito mais valor ao tempo que eu passava com a minha família, sempre discutindo a ideia com eles, para que eles já se acostumassem que eu tinha que bater asas pra longe novamente. Não foi fácil, mas me diverti fazendo o planejamento.

Decidi que iria voltar para Portugal assim que terminassem as aulas da faculdade e eu resolvesse todas as pendências, isso seria mais ou menos no início de agosto. As candidaturas aos cursos de mestrado que eu estava pretendendo fazer se encerravam entre setembro e outubro. Então eu não podia perder tempo!

Para mim, os meses de julho a dezembro foram uma correria só. Aconteceu tudo muito rápido e de maneira intensa, mas todas as burocracias se resolveram e eu fechei o ano no lugar que queria estar. O sentimento de gratidão foi bem intenso também. Cada oportunidade criada e agarrada, eu nem estava acreditando que eu tinha voltado! Na verdade, ninguém estava!

Sempre fui do tipo de pessoa que quando bota alguma coisa na cabeça, vai até o final. Não importa o que aconteça, a gente tem que ver até onde consegue chegar. Eu prefiro mil vezes ficar chateada por algo que eu fiz e que não tenha dado certo, do que por algo que eu não fiz, ou por alguma oportunidade que eu não criei ou agarrei.

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Eu não sei se vou continuar em Portugal pro resto da minha vida, mas eu tive que vir pra cá pra viver tudo isso, senão eu nunca me perdoaria. E se tudo não der certo no final, pelo menos tá valendo a pena agora.

Você conhece alguém que tem uma história parecida? Conta pra mim nos comentários!

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2 Comentários

  1. Olá Isadora! Eu tenho uma dúvida: você sabe me dizer se em Portugal existe algo similar ao SEBRAE do Brasil? E o melhor no momento é escolher abrir uma empresa ou trabalhar como empregado? Eu sei que a questão de emprego em muitos países na Europa tem sido difícil, ainda mais para quem é estrangeiro. Parabéns pelo post, é bastante inspirador! Obrigado!

  2. Isadora compartilho com vc a ideia de viver em outro lugar, parece que vem uma formiguinha te morder para poder tomar uma atitude e bater asas. Pesquiso muito ultimamente em viver em Portugal, tenho dois filhos, uma de catorze e um de dez, então me complica um pouco. O marido não gosta muito da ideia. Mas ainda é um sonho, e um dia ei de realiza lo.
    Um grande abraço!

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