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Graduação em Paris: do sonho para a realidade

Graduação em Paris: do sonho para a realidade.

Primeiramente, venho contradizer este título que parece tão bonito. Sim, de fato estudar em Paris é um
sonho, porém esse não foi o meu objetivo desde sempre. A minha ideia com este texto é, então, contar
a minha história e divulgar uma opção que pode interessar a alguns e quem sabe até mesmo ser o sonho da vida de alguém.

A fim de começar essa história talvez eu deva explicar o porquê desta minha ideia inesperada. Era 2017, eu havia acabado de entrar em uma das melhores faculdades de Direito do país, mas não me sentia plenamente feliz. Tudo isso pode parecer clichê ainda mais considerando a minha idade, só que eu não tinha dúvidas do que queria. Eu realmente só não sentia que me encaixava no contexto em que estava inserida. A questão é que a mudança não é tão simples, é necessário pesquisar e frustrar-se muito antes de encontrar uma solução e ter a coragem de tentar.

Um dos meus grandes sonhos sempre foi estudar fora do Brasil, porém como comecei a cursar Direito
esses dois caminhos pareciam conflituosos. Tentei me desprender do senso comum para achar um
destino com um bom custo-benefício, tendo em vista que queria, de qualquer forma, mudar depois da
formação.

Eu sabia apenas o inglês e estava começando o francês. Aqui, então, eu tive uma dificuldade. Os países anglo-saxônicos têm anuidades muito altas e selecionam os alunos por métodos que não são muito comuns no Brasil, o que faz com que uma entrada sem planejamento seja quase impossível.

Leia também: tudo que você precisa saber para morar na França

Agora, o fato de ter limitado minhas opções aos países com origem de língua inglesa se deu simplesmente pelo meu curso. É verdade que existem alguns países em que podemos fazer a graduação em uma língua que não a oficial do local, entretanto essa regra não se aplica ao Direito. Pelo menos não em uma graduação completa.

Assim, com meu francês nível básico, tive a audácia de procurar sobre universidades francesas e principalmente sobre a Université Paris 1 – Panthéon Sorbonne devido ao seu grande renome no mundo jurídico.

As informações de destaque para entender um pouco do sistema francês e essenciais para qualquer um
que busque esse destino estão na plataforma do Campus France, órgão que intermedeia a relação entre
candidatos estrangeiros e as faculdades seja para a licenciatura, mestrado ou doutorado. Recomendo
fortemente a exploração dessa ferramenta ao seu máximo.

O que posso compartilhar previamente aqui é que o sistema universitário francês clássico é dividido
em três anos de licenciatura e dois anos de mestrado. Depois disso, os percursos variam e em Direito,
por exemplo, precisamos aplicar para o Barreau antes de exercer a advocacia. Não me estenderei nos
detalhes da explicação da minha área, pois pretendo explorá-los em um outro texto.

No que envolve o conhecimento da língua, o nível exigido depende muito da carreira escolhida. Geralmente para quem deseja áreas das ciências humanas as faculdades exigem um nível de intermediário avançado para avançado (B2 e C1). Vale lembrar que o francês é uma língua latina e, portanto, próxima do português, o que facilita o aprendizado para nós. No meu caso, consegui obter o TCF C1 em cerca de um ano de estudo, mas para quem realmente pretende viver aqui, um estudo um pouco mais lento é recomendado até mesmo para a fixação da língua, já que eu tive que adquirir algumas noções na própria faculdade.

Ainda, um dos atrativos da França consiste no preço das universidades. Essas instituições são públicas
e praticamente gratuitas para todos com uma exigência única do pagamento de uma taxa de matrícula
de cerca de 170 euros para o nível de licenciatura. Todavia, em novembro de 2018, o primeiro
ministro Edouard Philippe anunciou uma mudança na situação dos estudantes estrangeiros que não possuem nacionalidade europeia.

O plano proposto resultará em uma alta substancial da taxa de matrícula para estes estudantes que passará dos 170 euros atuais a cerca de 2700 euros. Apesar disso, o plano pode ser adotado ou não pelas universidades e diversas delas já se opuseram à medida, o que pode atrasar a entrada da nova taxa por algum tempo.

Bom, depois dessas informações prévias uma pergunta deve vir à cabeça: Como eu faço para me candidatar para esse tal sonho? O processo é muito simples. Os candidatos constituem um dossiê em que colocam diversos documentos como históricos escolares, carta de motivação, currículo, cartas de recomendação e teste comprobatório do nível de francês. Inclusive, os franceses adoram um dossiê e uma carta de motivação, documentos que nos estressam por aqui.

Depois de alguns meses a resposta chegará. Não haverá nenhuma pompa e circunstância, a aprovação
ou reprovação estará no site do Campus France. E ali tudo muda no caso de aprovação. As coisas
parecem ter menos importância e cada segundo com seus amigos e familiares parece ser o último.
Além disso, no meu caso, por ter sido aprovada no segundo ano e não no primeiro, tive que planejar
uma mudança muito rápida.

Finalmente, após quase um ano de mudança, eu posso dizer que essa foi a escolha certa. Quando
saímos da nossa zona de conforto começamos a apreciar cada pequena vitória, e no caso dos estudantes pode ser de uma boa nota à capacidade de anotar as aulas. O estudo em outro país em uma língua que não a nossa materna enriquece muito a visão do mundo no geral, mas principalmente a capacidade de adaptação.

Se eu disse que meu sonho de vida não era estar onde estou é porque eu simplesmente não fazia nem ideia dessa possibilidade.

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3 comentários

Luísa Outubro 6, 2019 at 3:10 am

Ei Michelle! Me identifiquei muito com seu texto! Também estudo direito e estou com o mesmo plano de ir fazer o segundo ano na França. Seu processo foi tranquilo ou teve alguma restrição por conta das diferenças curriculares? Se você puder me passar algum contato seu pra gente poder conversar sobre seria ótimo, eu ficaria muito grata haha
Beijoss

Resposta
Luísa Outubro 6, 2019 at 11:58 am

Ei Michelle, encontrei seu texto pesquisando sobre fazer direito na frança e me identifiquei muito com o que você escreveu! Eu também faço direito e meu plano é o mesmo que o seu: transferir para fazer a partir do segundo ano na França. Você não teve alguma restrição na hora de candidatar ou alguma dificuldade na faculdade mesmo por causa das diferenças curriculares entre o direito no Brasil e na França?
Se você puder me passar algum contato seu para conversarmos mais sobre o processo e o curso de direito na França eu ficaria muitíssimo grata hahah
Beijao!

Resposta
Michelle Smagasz Outubro 6, 2019 at 12:15 pm

Oi, Luísa. Fico muito feliz por você ter encontrado o texto e se identificado. No meu caso a Paris 1 foi muito receptiva e validou todo o meu ano sem restrições. No mais, os direitos não são iguais, porém têm uma base muito semelhante, o que facilita para nós.
Caso queira conversar comigo eu vou adorar! Pode me chamar no instagram, é @msmagasz.
Beijos!

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