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Haiti – Tomando Rumos Diferentes

Assim como muitos outros brasileiros, sempre tive o desejo de viver fora do Brasil, sonhava em conhecer lugares diferentes e aprender inglês. O que nunca imaginei é que quando esse dia chegasse eu iria para um lugar tão inusitado. No mês de fevereiro de 2014 arrumei minhas malas e parti, com uma passagem só de ida, para Porto Príncipe, Haiti. O plano era ficar aqui pelo menos 5 meses como voluntaria das Nações Unidas. Estou aqui há quase dois meses, este período tem sido de muitas descobertas e aprendizado tanto no âmbito profissional quanto no pessoal.

Passou muito tempo desde o primeiro momento em que senti que precisava buscar algo diferente em minha vida, até o momento em que decidi me inscrever no programa de voluntariado da ONU. Participei de um projeto de voluntariado chamado Sonhar Acordado durante muitos anos em Curitiba. Neste projeto realizávamos visitas a crianças abandonadas que vivem em abrigos, além de organizar festas para estas crianças duas vezes ao ano. Esse projeto era uma paixão em minha vida.

Aos poucos, passei a sentir o desejo de me dedicar profissionalmente a uma atividade que pudesse de alguma maneira ajudar a melhorar a vida de outras pessoas. Cheguei a buscar oportunidades no site do Médicos sem Fronteiras, mas acabei desistindo por que minha formação não se adequava as necessidades deles. Deixe este sonho de lado por crer que seria muito difícil encontrar um trabalho em uma organização de ajuda humanitária, por conta da minha formação que é na área de desenvolvimentode sistemas.

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Continuei trabalhando em empresas privadas em Curitiba por alguns anos, mas esse desejo de mudar o foco da minha carreira foi se intensificando. No ano passado, por indicação de uma amiga, finalmente me inscrevi para ser voluntária da ONU. A partir daí tudo aconteceu muito rápido, logo após minha inscrição fui convidada a uma entrevista para um posto de Administradora de Banco de Dados em Porto Príncipe, Haiti. Passei por uma entrevista e, no início de dezembro de 2013, recebi o convite para vir.

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Os dois meses que antecederam minha vinda foram cheios de ansiedade, um certo medo e muita expectativa. Deixar o mundo seguro e estável com o qual estava acostumada foi um desafio, deixar minha família e amigos no Brasil foi muito duro, mas com o tempo esses sentimentos foram se ajustando e pude então dar lugar ao novo.

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Naturalmente mudar para um local tão cheio de problemas como e Porto Príncipe não e algo fácil, custou me acostumar com a paisagem, com a rotina, as limitações, a sensação de insegurança por estar num local tão pobre e tão diferente. Hoje percebo que não há razões para ter tanto medo, assim como nas grandes cidades do Brasil, é necessário ter cuidado, mas dá pra viver aqui.

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Por outro lado, ser voluntária da ONU tem sido uma experiência ímpar. O ambiente de trabalho é muito diverso, convivemos diariamente com pessoas de todos os cantos do mundo e temos a oportunidade de compartilhar um pouco de nossas experiências de vida.

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Dentro do trabalho que realizo diariamente como administradora de banco de dados é impossível perceber o impacto do meu trabalho na vida da população local. Porém, acredito que se hoje a população do Haiti convive com um nível de violência baixo e uma certa estabilidade é justamente por conta do trabalho da missão da ONU no país. Isso me motivada em relação ao meu papel como voluntária aqui.

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Além disso, podemos realizar atividades de voluntariado externo. Na minha segunda semana aqui fui com alguns colegas visitar crianças em um abrigo, atividade muito semelhante ao que eu fazia em Curitiba. A oportunidade de estar em contato com as crianças foi muito especial, apesar de eu não falar uma palavra em francês, e é algo que vou continuar fazendo.

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Outros detalhes a se saber sobre a vida das pessoas que vivem nesta missão da ONU (e que devem ser similares em outras missões): Em nossas instalações temos academina, aulas de dança, capoeira, esportes, etc. Desde que cheguei comecei a participar das aulas de dança e isso me ajudou muito com minha adaptação, tanto por me manter ocupada quanto por fazer novos amigos. Temos direito a uma semana de descanso a cada dois meses com o objetivo de nos recuperarmos do stress do ambiente em que vivemos, uma excelente oportunidade para viajar e conhecer o Caribe.

Falar inglês e/ou francês é essencial para quem quer ser voluntário da ONU, por serem estes os idiomas oficiais. Os voluntários recebem uma bolsa mensal que deve cobrir as despesas básicas como moradia e alimentação, mas com esse dinheiro também possível se divertir um pouco e fazer algumas viagens.

 

 

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13 comentários

Ju Abril 2, 2014 at 12:00 pm

Aninhaaaaa….que máximo ler seu texto aqui no blog. Parabéns…. E sempre muito bom saber um pouco mais das experiências de outras pessoas pelo mundo afora…. Mas quando são de amigos próximos e ainda melhor… Sucesso pra vc em sua caminhada….. Bjos de Cinga!

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Georgina Abril 2, 2014 at 2:18 pm

Que experiência maravilhosa deve ser!!! Que você consiga semear nem que seja uma pontinha de amor e de esperança em um povo tao sofrido.
Lindo texto

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Cintia Abril 2, 2014 at 3:02 pm

Ana, que linda experiência de vida e que desejo de transformar….Mulher de atitude. Muito sucesso e deixo registrada minha admiração. !!!

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Rafael Abril 2, 2014 at 3:54 pm

ANA 🙂 Que felicidade ler seu texto :).
É um prazer ter sua amizade, falo isso em nome da Cris tb 🙂
E vamo que vamo, lutando para realizar nossos sonhos.

Abraço!
Rafael e Cris

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Ana Cristina Kolb Abril 2, 2014 at 6:42 pm

Seja bem vinda Ana Maria ao BPM, muito legal ler seu texto e ja me alegro de conhecer mais sobre sua experiência como voluntária da ONU. De alguma forma, sinto muito a necessidade de poder fazer a diferença na vida de pessoas que necessitem, crianças são com certeza também minha paixão, por isto tenho quase que uma certeza que isto ainda vai acontecer. Eu conheço o Caribe por velejar na região, paraíso, mas como voce bem disse, e mesmo tendo visitado algumas ilhas realmente muito pobres, não estive em uma área afetada como o Haiti, imagino que tem TUDO pra se refazer por ai, e o sentimento dos que sobreviveram deve ser algo muito especial como energia. Te desejo muito sucesso nesta nova fase de sua vida e que voce possa iluminar as pessoas com carinho e alegria, além, naturalmente dos seus conhecimentos profissionais. Parabens pela coragem e engajamento! Muita Luz! Namasté

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Emilia Hanashiro Abril 4, 2014 at 9:15 am

Parabéns, Ana Maria pelo trabalho e seja bem vinda.

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Juliana Abril 7, 2014 at 9:43 am

Olá!Parabéns pelo post e, principalmente pelo excelente trabalho!
Depois de Porto Príncipe, que tal vir à Índia? Um grande abraço e muito sucesso!

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Maria Helena Abril 14, 2014 at 4:58 am

Oi Anna!
Que máximo encontrar alguém aqui que esteja fora do Brasil para fazer trabalho voluntário. Espero que sua experiência bem Porto Príncipe te abra as portas para muito mais.
Abraços

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claudius Maio 12, 2014 at 10:01 am

Anna,acho fantástico pessoas que se orferecem a um trabalho voluntário principalmente quando ele é feito em solo da Pátria ou como num local tão diferente.Conheci aqui muitos haitianos que chegaram para trabalhar para sutentar seus filhos que ficaram com família após a catástrofe que teve por ai.Conheci essas pessoas no supermercado em que trabalhei na época de Natal,onde se abre espaço para a terceira idade um trabalho que depos nos deixa com um gosto amargo na bôca,e eu me apaixonei por aquelas negras tão negra que chegava ser lindos demais e falando frances.Umas se destacaram tanto,outras como eu não foram contratadas de novo,por serem mais sensíveis.Conheci uma mulher que eu sinto profundo amor como se fosse de minha família por mais que eu tentasse explicar as coisas para ela eu não fui clara p sficiente eu dizia a ela minha casa sua casa,quando vi que o mercado não recontratou ele e eu pude ver seu desespero,mulher ja madura,não tão bonita,as mais jovens e bonitas ficaram e eu chamei para que ela ficasse comigo onde eu morava e não adiantava ela não entendia,depois fiquei sabendo que o marido havia ido para Franã lá seuniu a outra mulher e abandonou os prohetos de reconstrução do lar e ela chorava muito de saudade dos filhos e eu sem condições alguma de ajuda-a financeiramente e ai aconteceu a separação não tinha o endereço dela aqui eles moravam todos num unico lugar e eu queria dar a ela o aconchego de um lar,ela tinha um nome difícil também e ai sendo São paulo imenso desapareceu.É muito fácil edificante e colorido ir para um lugar chiquérrimos com mil oportunidades mas fazer o que vocês faz num local precário tem lá maior valores e só aguenta quem é jovem mesmo.Estude bastante o frances e o ingles e quem sabe um dia isso aqui possa valer para você retornar ao Brasil com mais oportunudades porque no Brasil as dificuldades para emprego são grandes,pessoas com faculdades ganhando dois slaários mínimos ,mas quem sabe falar fluentemente e escrever outrs ldiomas ja torna a pessoa um campeão ,escrva mais sobre a alimentação ai,os costumes da terra eu quando conheci esse grupo a prtimeira coisa que eu queria saber era a religião delas tinha um medo de conhecer quem mexesse com vuddo,e quando perguntei ela estendeu os braços pro céu e falou JESUS!

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claudius Maio 12, 2014 at 10:07 am

Ana, desculpe os erros, meu teclado está com problemas,e acordei bastante triste,vim aqui para viajar ,pois esse Blog nos oferece essa oportunidade ,mas realmente hoje não é meu dia,está bastante frio,e eu numa preocupação constante, uma inqietação após ver que a escola CNA da oportunidade aos alunas de conversar com pessoas idosas num asilo num local(esqueci aonde) e eu fiquei bastante comovida,acho que foi isso que me deixou assim.

Resposta
Juliano Março 3, 2015 at 11:16 am

Ana bom dia, meu nome é Juliano, tenho 30 anos, brasileiro, empresario e gostaria de saber qual a situação atual do Haiti, como estão os conflitos e crises ai no pais, estou com projeto de abrir uma empresa ai na capital porto principe, por gentileza, eu estando ai voce poderia me ajudar a conhecer o pais? Antecipadamente agradeço a atençao. Att Juliano – email [email protected] Whatsapp e ICQ: 016997285004

Resposta
Gislaine ninelli Janeiro 27, 2019 at 3:56 pm

Oi Ana. Sou brasileira e professora de ensino fundamental no estado de são Paulo.Gostaria de abrir mão dessa minha vida aqui em prol de viver e ajudar as pessoas aí de Porto príncipe.O que devo fazer? Vc me ajuda? Bjs gi

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Liliane Oliveira Janeiro 27, 2019 at 6:20 pm

Olá Gislaine,
A Ana Maria Pereira parou de colaborar conosco e, infelizmente, não temos outra colunista morando no país.
Obrigada,
Edição BPM

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