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Arábia Saudita

História do Ramadã

Ramadã é o nome dado ao nono mês do calendário lunar islâmico e é a época do ano mais religiosamente significativa para os muçulmanos. Ele marca o mês em que o Alcorão – o texto sagrado do Islã – foi revelado ao Profeta Muhammad (conhecido como Maomé no Brasil), pelo arcanjo Gabriel em 610 dC. Segundo o profeta, nessa época todos os portões do Paraíso permanecem abertos enquanto os portões do Inferno permanecem fechados.

Em 2019, o mês do Ramadã terá início no dia 6 de maio e termina dia 4 de junho, algumas divergências nessas datas podem ser encontradas já que o início consiste no primeiro dia da nona lua nova do ano (segundo o calendário lunar) e o último dia do Ramadã será o dia que antecede a décima lua nova.

O mês sagrado do Ramadã cai em uma época diferente a cada ano, porque o calendário islâmico é um calendário lunar, baseado nos ciclos naturais da lua. É por isso que não há uma data fixa para o Ramadã, que é o nono mês deste calendário, tradicionalmente determinado pelo avistamento de uma lua nova. O calendário lunar considera uma rodada completa das fases da lua como um mês, ou seja cada mês tem 29 ou 30 dias.

Esse é um mês de jejum, oração e reflexão para os muçulmanos. Durante o mês do Ramadã os muçulmanos praticam jejum durante as horas de luz do dia. Isso significa que nenhum alimento ou bebida pode ser consumido entre as horas do nascer ao pôr do sol, marcados pelas orações chamadas de Fajr, ao alvorecer, que indica o início do jejum e Maghrib, logo após o pôr do sol, marcando o fim do jejum naquele dia, que deve ser quebrado com uma refeição compartilhada entre a família e os amigos que se chama Iftar.

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O fim do mês do Ramadã culmina em um festival de três dias, conhecido como Eid al-Fitr, é um período de muita festividade, marcado por reuniões entre familiares e amigos, o Eid al-Fitr é para os muçulmanos como o Natal é para os cristãos.

Algumas pessoas podem estar isentas do jejum durante o Ramadã, conforme os seguintes critérios:

  • Crianças que ainda não atingiram a puberdade.
  • Grávidas ou amamentando.
  • Quem sofre de alguma doença ou não está bem o suficiente para completar o jejum, sem prejudicar sua saúde.

No entanto, não é apenas um ato físico de pureza, os muçulmanos que participam do jejum do Ramadã também devem abster-se de pensamentos impuros, vícios, hábitos não saudáveis e atos pecaminosos. Isso permite um tempo dedicado à reflexão.

À medida que os muçulmanos completam a purificação de sua mente, alma e corpo, eles também podem se conectar com Allah (Deus) através da oração e do estudo dos ensinamentos descritos no Alcorão Sagrado. Essa abstinência deve ser intencional, o conceito de niyyah – que significa “intenção” – orienta o jejum do Ramadã que deve ser dedicado a Allah apenas para alcançar niyyah.

Durante o mês de renúncia, os muçulmanos ganham uma compreensão real de sua própria sorte, obtendo uma visão da vida daqueles menos afortunados em todo o mundo. Uma das intenções desse período deve ser voltada às doações, ou zakat, que são incentivadas antes da conclusão do Ramadã.  Essas doações são repletas de bênçãos abundantes, pois as recompensas de qualquer ato de generosidade durante este mês sagrado, segundo o Islã, são multiplicadas.

As origens do Ramadã estão na vida de Muhammad, o Profeta fundador do Islã, e na história de seu encontro com o divino.

Quando Muhammad tinha quarenta anos, ele começou a passar o tempo na solidão, pensando em questões que o perturbavam. Para fazer isso, ele adotou o hábito de recuar-se em uma caverna dentro de uma montanha chamada al-Ḥirā.

Por volta de 610 dC, Muhammad subiu em al-Ḥirā em um dia como outro qualquer, mas logo foi visitado pelo arcanjo Gabriel, que o revelou a seguinte mensagem: “Tu és o mensageiro de Deus e eu sou Gabriel”. O Profeta, aterrorizado, fugiu da caverna pensando que ele havia sido abordado por um espírito maligno. Ele desceu a encosta da montanha e o anjo Gabriel apareceu em sua forma verdadeira no céu acima dele, enchendo todo o céu, que se tornara verde, que, aliás, é onde o Islã ganha sua cor oficial. Após essa aparição foi revelado ao Profeta o alcorão, o livro sagrado do Islã

O mês sagrado do Ramadã é considerado um dos Cinco Pilares do Islã, os atos fundamentais do culto islâmico. Neste momento, muitos muçulmanos decoram suas casas com lâmpadas, luzes, luas crescentes e estrelas. Embora não se enganem, o Ramadã não é um momento de celebração, mas sim de reflexão espiritual.

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O uso de lanternas é muito comum, com essas luzes sendo comumente penduradas em lojas, casas, ruas e muitos outros lugares. Essa tradição pode ter se originado no Egito, onde, durante o califado fatímida, o califa al-Mu’iz li-din Allah foi saudado pelos proprietários de lanternas para celebrar seu governo.

Os últimos dez dias do Ramadã são considerados os mais santos. A 27ª noite é de particular importância – isso é chamado de “Noite do Poder”, essa é a noite em que Maomé recebeu sua primeira revelação, e muitos muçulmanos passam este dia orando e recitando o Alcorão.

Após a passagem dos 30 dias do Ramadã, o mês termina em uma celebração, conhecida como Eid-ul-Fitr, em que os muçulmanos se reúnem para fazer preces de agradecimento. Pratos deliciosos são preparados para a ocasião, e muçulmanos em todos os lugares visitam amigos e trocam presentes durante esse período.

Este não é apenas um momento para reflexão abstrata – o Ramadã tem um propósito real e prático que cria mudanças reais dentro daqueles que o observam.

O Ramadã é tudo sobre crescer mais perto de Deus. Executar fisicamente tarefas exclusivamente para Deus ajuda os muçulmanos a sentir que Ele é uma realidade em suas vidas e deixa um senso de propósito e direção.

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7 comentários

Marcelo Maio 6, 2019 at 8:20 am

Texto bem explicativo sobre o Ramadã. Parabéns ao blog e autora.

Resposta
Viviane Maio 14, 2019 at 6:48 pm

Parabéns ! Excelente texto. Muito completo! Se puder, substitua a palavra” Santos” por sagrados, referido nos últimos 10 dias do Ramadã. No islã não há denominação de santidade nem santo.

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Diene Buffon Maio 22, 2019 at 8:56 am

O Viviane,
Obrigada pela participação!
A palavra “santos” no texto tem o sentido de santidade, aquilo que está consagrado ou dedicado a Deus. Acredito que nesse sentido se encaixa né?
Obrigada pela participação e pela atenção!

Resposta
Catiane Maio 6, 2019 at 1:22 pm

Mto bom!!!

Resposta
Giovana Bulgaron Maio 6, 2019 at 2:56 pm

Achei super interessante conhecer mais sobre o Ramadã. Eu não sabia de nada e foi muito interessante ler esse texto. Parabéns! =)

Resposta
Diene Buffon Maio 10, 2019 at 10:02 pm

Obrigada Gi!

Resposta
Ângela Maio 10, 2019 at 2:19 am

Muito diferente de nossa crença, mas é bom conhecer outros povos, outras culturas.
Muito bom o artigo.

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