Machismo na Noruega

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Foto: pixabay.com
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Machismo na Noruega

Nos últimos anos, um tópico que vem ganhando cada vez mais atenção na mídia, principalmente nas redes sociais, é o machismo em diferentes países e em diferentes níveis aos quais as mulheres são submetidas ao redor do mundo.

E quando se fala sobre esse assunto, os países nórdicos (Dinamarca, Suécia, Finlândia, Islândia e Noruega) são prontamente citados como exemplos de igualdade de gêneros.

Mas será que a situação lá é realmente tão boa quanto a apresentada? Será que eles são mesmo tão livres de machismo quanto as estatísticas fazem parecer?

É inegável que esses países têm diversas políticas voltadas para a equidade e que lá as mulheres têm posições de destaque em diversos campos importantes, especialmente na política.

No caso específico da Noruega, a primeira-ministra e os alguns dos mais altos cargos do país são ocupados por mulheres, chegando a contar com 40% dos assentos no parlamento local. Mas será que isso significa que a população está livre do machismo?

É impossível falar pela experiencia de todas as mulheres do país ou que se mudaram para cá, mas no pouco mais de 12 meses que estou morando aqui já fui capaz de ver em primeira mão que a situação não é necessariamente tão boa quanto o divulgado.

Ainda existe certo nível de machismo dentro da sociedade norueguesa, ainda que em comparação com o Brasil, pareça quase que inexistente.

É verdade, sim, que existe uma maior igualdade de gênero e esta cultura machista não aparece tão enraizada e clara quanto estamos acostumadas no Brasil, mas a partir disso, seria um erro falar que não existe machismo na Noruega.

As mulheres no país, tanto as nascidas quanto as que moram e visitam têm bastante liberdade, especialmente quanto à sua sexualidade.

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É normal no verão vê-las fazendo topless (tomar sol sem a parte de cima do biquini) nas praias e nos lagos sem serem incomodadas, algo que no Brasil, na grande maioria dos casos, seria encarado com assédio ou discriminação.

Porém, também existem situações claras de machismo, algumas das quais eu já presenciei ou passei.

É comum ver mulheres no inverno usando saias curtas quando saem para boates, e ver os homens comentando sobre a escolha das roupas delas, usando isto como desculpa para assediá-las.

Esse tipo de situação mostra que, mesmo sendo uma sociedade mais igualitária, a Noruega não está isenta de formas de machismo.

Ser mulher estrangeira na Noruega é ser constantemente perguntada se você decidiu se mudar para cá por causa de um namorado ou marido. É inconcebível para eles que uma mulher venha ao seu país para estudar ou trabalhar.

O choque que eles têm ao saberem você não decidiu se mudar para cá por causa de um homem mostra que o machismo ainda reside na mente local, pois demonstra que eles não acreditam na capacidade da mulher de tomar decisões sem que sejam influenciadas por um homem.

A atitude paternalista de tratar as mulheres como se precisassem de constante proteção dos homens não é algo comum de se ver por aqui.

Cada vez mais a divisão na criação dos filhos é adotada, o que ajuda na formação de uma nova geração que verá a igualdade de gênero como algo totalmente natural, ajudando o pais a se tornar ainda mais igualitário e diminuindo o nível de machismo encontrado na sociedade.

Pior para as estrangeiras

Porém, ainda existem aqueles que acreditam que uma boa mulher é aquela que fica em casa cuidando do marido e dos filhos, o que se mostra ainda mais forte quando a mulher não é norueguesa.

Há um estigma silencioso de certa forma de que as mulheres estrangeiras casadas com noruegueses devem ter como principal responsabilidade cuidar da casa e dos filhos.

Falar de machismo na Noruega é entender que o país realmente tem um nível de igualdade de gênero alto, no qual as mulheres dificilmente são julgadas por sua aparência ou vistas como inferiores apenas por serem mulheres, porém ainda existem pequenas atitudes machistas que ocorrem no país.

A grande verdade quando se fala sobre esse assunto aqui na Noruega é que para nós, brasileiras, o país nórdico realmente está bem à frente do nosso e o nível de machismo que existe na sociedade norueguesa é extremamente baixo em relação ao que estamos acostumadas. Isso se deve principalmente por anos de politicas de igualdade de gênero e da cultura.

Contudo, falar que toda forma de machismo foi erradicada da Noruega não condiz com a realidade. Ainda é possível observar casos, ainda que poucos, e a forma com que este comportamento se manifesta  mais frequentemente é o micromachismo, nas pequenas atitudes que acontecem e que são os mais difíceis de serem erradicados.

Mas uma coisa deve ser dita: há um grande esforço na sociedade como um todo para acabar com essas posturas, e para que as novas gerações sofram menos ainda com o machismo.

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