Mestrado em inglês na Suécia

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Foto: pixabay.com
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Mestrado em inglês na Suécia.

Neste artigo, vou contar para vocês como estudar na Suécia pode ser um bom caminho para conseguir um emprego por aqui. Ou ainda, para dar continuidade e um impulso na sua carreira profissional e acadêmica. Meu intuito, nesse texto, é apenas de demonstrar que estudar em uma universidade sueca, tornou-se “uma luz no fim do túnel” para mim, e que, talvez, possa significar algo parecido a outras mulheres, em situações semelhantes às descritas aqui.

Desde que me mudei para cá em 2011, conheci muitas brasileiras, que estavam inseridas no mercado de trabalho sueco e, na grande maioria, falavam muito bem o idioma local. O conselho, que cada uma delas me deu, era sempre o mesmo, uma receitinha mágica: “aprenda o idioma sueco”. Fácil, né?! Não! Ao menos, não foi para mim.

Aprender o sueco, no meu caso a terceira língua, depois do português e do inglês, não foi algo tão simples assim. Sempre fui uma pessoa extrovertida e comunicativa, e a loquacidade não é um capricho, mas uma necessidade vital. A grande dificuldade que encontrei foi simples: o sueco é uma língua difícil de se aprender! Eu demorei, pelo menos, um ano para me acostumar com a sonoridade do idioma! Mesmo fazendo um curso intensivo de sueco – Swedish for Immigrants (SFI) – minha frustração era constatar que eu estava muito longe de falar como desejava e necessitava.

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Para piorar ainda mais, os suecos falam muito bem o inglês. Como consequência, acabei satisfazendo a minha necessidade de comunicação falando em inglês, muito embora eu tenha aprendido sueco naturalmente durante meus anos aqui.

Não tenho a intenção, que fique claro isso, de convencer as leitoras a seguirem o
mesmo caminho que escolhi. No entanto, desejo mostrar que há outros caminhos, além da receitinha mágica (e difícil!) citada acima.

Talvez, a opção que partilho aqui, seja ainda mais atrativa para as mulheres que
vieram acompanhar seus companheiros(as), funcionários de empresas transnacionais suecas (ex. Electrolux). Conheci muitas mulheres nessa situação e poucas optaram por estudar o sueco. O receio de muitas delas era de que seu companheiro(a) fosse transferido(a) para outro país, e todo o empenho de aprender o sueco fosse “perdido”. Ouvi de muitas pessoas, inclusive, um lamento por ter “largado” a carreira no Brasil. Se esse é o seu caso, espero que as dicas a seguir sejam frutíferas.

Aqui na Suécia é possível, com um pouco de sorte, boa vontade e inglês fluente, dar um empurrão na sua carreira profissional ou, como no meu caso, conseguir um emprego na área desejada. Como? Fazendo um mestrado no idioma inglês em uma das melhores universidades do mundo. E ainda, pasmem, gratuitamente, para quem tiver visto de residência para morar na Suécia, passaporte da União Europeia ou do Espaço Econômico Europeu. Para quem tiver visto de residência permanente, o governo sueco paga uma
bolsa semanal de 791 coroas suecas .

Como mencionei, será preciso sorte para encontrar um mestrado que você considere interessante. Uma boa notícia é que a maioria dos mestrados na Suécia é em inglês e, felizmente, existe um site único para busca de todos os cursos ofertados e para o envio dos documentos exigidos, com um sistema de pesquisa, muito fácil de utilizar.

Nesse site, é possível descobrir todos os cursos ofertados por semestre e ano, bem como acessar o link oficial de cada curso. Se conseguiu encontrar pelo menos um curso de seu interesse, veja se você tem as qualificações mínimas exigidas, acessando o link oficial do(s) curso(s) no(s) qual(is) você se interessou.

Adianto, que todos os cursos colocam essas informações no site oficial da universidade, contendo uma descrição completa de tudo que você precisa saber.

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Se você tiver dúvidas, se preenche ou não os requisitos exigidos, há sempre um endereço de e-mail para enviar perguntas, e, acredite, os suecos geralmente respondem aos e-mails com bastante rapidez e cordialidade.

Preencheu os requisitos? Então, agora, só falta agilizar os documentos necessários.
Por isso mencionei que você precisará de boa vontade. Muito embora a Suécia não seja um país burocrático, há algumas exigências que se enquadram neste mundo. Quais são elas?

Por exemplo, eu me formei em Direito na PUC-PR, fiz um mestrado em Direito Internacional Ambiental na Universidade de Estocolmo e outro mestrado em Direito Internacional Tributário na Universidade de Uppsala. Eu precisei apresentar apenas uma vez os seguintes documentos digitalizados:
1) meu diploma;
2) um histórico de todas as matérias as quais cursei no meu bacharelado
em Direito – todas as universidades fornecem este documento quando solicitado,
porém, costuma demorar algum tempo para ser fornecido;
3) as respectivas traduções dos documentos acima para o idioma inglês –
leitoras, prestem atenção para não jogarem dinheiro fora – pode ser tradução
simples, sem necessidade de tradução juramentada. Não precisa ser para o
idioma sueco, que é mais difícil de encontrar e mais caro;
4) curriculum vitae em inglês;
5) cover letter (carta de apresentação) em inglês;
6) documento de identificação;
7) e outros documentos específicos e solicitados pelo curso escolhido.

Todos os documentos enviados ficam salvos no seu perfil do University Admissions. Legal, né?!
Você também deverá comprovar a sua proficiência no idioma inglês. Cada mestrado e universidade determina o nível mínimo necessário. É possível utilizar a sua nota (score) obtido num exame feito no Brasil, como por exemplo seu score do TOEFL, feito a anos atrás. Depois disso, é cruzar os dedos para ser selecionada, já que o processo seletivo do mestrado não requer entrevistas, apenas análise dos documentos apresentados.

A maioria dos mestrados na Suécia tem duração de um a dois anos e muitos oferecem estágios em empresas ou instituições conveniadas, para que o aluno tenha a oportunidade de uma experiência profissional. Não é a toa que muitas pessoas conseguem um emprego durante o estágio ou logo após a conclusão de um mestrado na Suécia. Essa última situação foi o meu caso.

Curiosamente, tive a oportunidade de conversar com outras brasileiras sobre a dificuldade em conseguir um emprego na mesma área em que atuávamos no Brasil. Notamos que não recebíamos sequer respostas negativas as nossas inúmeras tentativas de conseguir uma colocação, mesmo para vagas que estávamos, por diversas vezes, over qualified (altamente qualificadas).

Concluímos que o grande problema estava na procedência das nossas referências profissionais e acadêmicas, pois elas eram desconhecidas para o empregador sueco. Isto porque a pessoa que está contratando não reconhece o nome do empregador brasileiro ou da universidade no Brasil e, dificilmente, fará uma ligação internacional para verificar essas referências. Quando eu concluí meu primeiro mestrado na Suécia e o incluí no meu “cv”, passei a receber respostas as minhas tentativas de emprego.

Porém, meu primeiro emprego na área jurídica na Suécia não foi por conta dos diversos e-mails que enviei para os escritórios de advocacia, após ter concluído dois mestrados aqui. A minha ex-orientadora do primeiro mestrado que cursei me indicou para um projeto de pesquisa do Stockholm Resilient Centre (um centro de pesquisa referência mundial), e o pesquisador chefe me ligou para me oferecer um emprego e trabalhar em inglês, como assistente de pesquisa.

Aceitei a proposta sem pensar duas vezes. Me apaixonei pelo mundo da pesquisa e, com
ajuda da minha ex-orientadora do segundo mestrado, me inscrevi para concorrer a uma vaga no doutorado da Universidade de Gotemburgo. Com sorte e persistência, consegui a vaga na minha segunda tentativa e, para a minha surpresa, ser doutoranda na Suécia é ter contrato assinado, férias pagas, licença maternidade e aposentadoria.

Que tal?

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