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Minhas experiências de trabalho em Macau

Minhas experiências de trabalho em Macau.

Cheguei em Macau em meados de agosto de 2017, já bem preocupada em achar um emprego, para poder arcar com as despesas durante meu mestrado. Todos sabem que mestrado custa caro, assim como moradia e gastos diários, ainda mais quando se está em outro país e sem nenhuma noção dos preços. Fui logo me inscrevendo em sites de emprego.

O maior deles é o hello-jobs e, como nos sites de emprego brasileiros, você pode filtrar as categorias nas quais quer trabalhar. Hoje já estou no meu terceiro emprego e, como são três empresas bem diferentes entre si, vou falar um pouco sobre cada uma dessas experiências.

O meu primeiro emprego foi num hotel, na área de contas a receber. Fui responsável pelas cobranças das grandes agências de viagens e dos clientes em geral, consolidava os dados dos recebíveis e alocava-os em suas devidas contas. Enfim, era um trabalho relacionado à contabilidade, área na qual me formei e que atualmente faz parte dos meus estudos do mestrado.

Consegui este emprego através do hello-jobs.com e a entrevista foi feita em inglês. Me deram a opção de escolher o idioma a ser usado (ou era em cantonês ou em inglês, mas como meu cantonês não era tão bom, escolhi o inglês). O trabalho era de 7 horas e meia (um pouco menos que no Brasil), de segunda à sexta, das 9h00 às 18h00, com uma hora e meia de almoço (das 13h00 às 14h30). Foi muita sorte pois minhas aulas eram à noite, das 19h00 às 22h00. Trabalhei lá por uns 3 meses e recebi uma proposta para ser Assistente Executiva na Fundação Escola Portuguesa de Macau, como eu não tinha planos em crescer na indústria de hotéis, decidi mudar.

Fonte: Unsplash

O período em que trabalhei no hotel foi muito bom, meu time era composto por 10 pessoas e almoçávamos juntos todos os dias na cantina do hotel (de graça para os empregados). De vez em quando saíamos para almoçar em algum restaurante do próprio hotel, o pessoal era bastante unido e o trabalho era bem interessante. Pude entender como funcionava uma parte da área financeira do hotel, tudo o que chegava na recepção era encaminhado para a minha área e, mesmo que eu tenha estado pouco tempo lá, foi difícil me despedir deles.

Trabalhar na Fundação Escola Portuguesa de Macau foi muito especial para mim, pois foi onde eu estudei quando eu era pequena (lá pelos meus 4-8 anos de idade). Pude reviver diariamente boas lembranças da minha infância, sem falar que o pessoal da secretaria ainda lembrava de mim e me recebeu de braços e corações abertos.

Minhas tarefas abrangiam desde a consolidação das transações financeiras entre a Fundação e a Escola, a organização das correspondências entre Macau, Portugal e China até ser intérprete nas reuniões. Foi um trabalho bem abrangente, pois eu trabalhava com um pouco de tudo. Porém (sempre tem o porém), o trabalho fugia muito do meu ramo de estudos, eu queria algo mais relacionado à contabilidade. Foi então que, através do hello-jobs, fiz minha aplicação para uma vaga no Banco Nacional Ultramarino (BNU) que é um dos dois únicos bancos que fazem a emissão das notas de Macau, o outro é o Banco da China.

Leia também: Mestrado em Macau

Nunca havia trabalhado em bancos no Brasil, estava bem ansiosa! Mas antes de continuar, devo dizer que quando cheguei em Macau, a primeira coisa que eu fiz foi tentar uma vaga no BNU. Não fui aprovada por conta do meu cantonês que, naquela altura, ainda estava fraco e o posto era para uma posição de front office (na linha de frente, com contato com o cliente). Bom, sorte a minha que na segunda tentativa encontrei uma vaga interna (back office) ou seja, me comunicar em inglês  seria suficiente e falar português ainda era uma vantagem (pois o BNU é um banco português). O bom é que o meu time me ajudava na língua cantonesa e desde então, meu cantonês foi melhorando rapidamente. É engraçado, mas não se vê muita gente aqui falando mandarim, teria sido bem mais fácil para mim.

Fiquei 10 meses na área administrativa de procedimentos e recentemente fui transferida para a contabilidade, que era o meu sonho desde que cheguei em Macau. Estou muito feliz na minha nova área, é bué da fixe como dizem os portugueses, que significa muito legal. Estou num time maior e dinâmico, e todos são muito esforçados. Desde agosto de 2018, quando comecei aqui, aprendi muita coisa, tive altos e baixos mas pretendo ficar no BNU por um bom tempo para me desenvolver e crescer profissionalmente, pois quero ter uma carreira sólida em uma instituição financeira.

Os três locais onde trabalhei tinham uma jornada diária de 7 horas e meia, de segunda à sexta, com uma hora e meia de almoço. Com exceção da entrevista em português para trabalhar na Fundação Escola Portuguesa de Macau, as outras duas foram realizadas em inglês, não teve processo seletivo com outros candidatos e na minha primeira aplicação ao BNU tive que fazer uma provinha de matemática e inglês, mas nada difícil, eles mantiveram o meu resultado e usaram como referência na minha segunda aplicação para o BNU.

Por fim, o assunto mais esperado: o salário! Bom, só para se ter uma noção, o salário mínimo de Macau é 3 vezes maior que o do Brasil. Nos meus três empregos, os salários foram todos, digamos, bem respeitosos e generosos. Dá para se viver bem (para quem já tem casa própria ou mora em casa alugada mas divide as despesas com amigos ou cônjugue), todo mês sobra e bastante (se souber economizar), isso tudo sem contar com os benefícios médico e dentário, e bônus. Todavia, aqui não oferecem vale-transporte e vale-refeição (tirando o emprego no hotel que tinha a própria cantina e o próprio fretado), mas devo dizer que não faz falta pois o transporte aqui não é caro e temos inúmeros restaurantes com preços populares.

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