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Networking no exterior é diferente?

Muitas dúvidas que os candidatos à imigrante possuem antes de tomar a decisão de partir estão relacionadas com o trabalho. Passada aquela animação instagramizada #vidanoexterior e a chuva de likes do início, uma coisa é fato: é preciso ganhar a vida da mesma forma que a gente já fazia no Brasil. Sobre ser mais fácil ou mais difícil, a melhor resposta a ser dada é: depende!

No meu ponto de vista, viver numa economia mais estável onde os índices de desemprego são baixos e existe demanda por mão de obra qualificada, de fato, é uma condição favorável. Porém, a gente começa por onde quando depois do desembarque invariavelmente nos tornamos mais um em busca de uma colocação profissional? O networking é um recurso importantíssimo e é sobre ele que quero falar no artigo deste mês, com base na minha experiência aqui em Québec, no Canadá. Por isso, comecemos do início….

Você tem um plano?

Pode parecer muito elementar começar por essa pergunta. Porém, já troquei ideia com muitas pessoas que achavam que tinham um. No entanto, ao se depararem com a realidade de mercado e as condições para poder ingressar nele tomaram um balde de água fria. Quem vem sozinho certamente pode se permitir arriscar mais, apostar alto. Mas a maioria que eu conheço veio com a família e, nesse contexto, nem sempre dá para chegar-chegando e aí a gente vai vendo.

Quando falo de ter um plano é no sentido de ter respostas para a maioria das perguntas abaixo:

  • você sabe a área em que deseja atuar e a função que pretende desempenhar?
  • você tomou conhecimento das possíveis barreiras para poder iniciar na área desejada?
  • você pesquisou o mercado de trabalho em questão para ter uma noção a que ponto a sua experiência e formação contarão a seu favor?
  • você pesquisou empresas que possam se interessar por você e vice-versa?
  • caso você necessite aperfeiçoar idioma ou alguma competência técnica, você está disposto a fazer o que precisa para se qualificar e aumentar as suas chances?

No caso de Québec, existem algumas áreas que normalmente são mais solicitadas. Muitos já devem ter se deparados com posts no Facebook (principalmente) em que se vende a ideia de que tendo o perfil procurado, as chances são altas de ser aprovado. Mas antes de se jogar, reflita sobre as questões acima. Esse plano representa tempo, dinheiro e energia que, se não forem bem investidos, poderão trazer frustração e decepção. E aí, no bom português, não adianta chorar o leite derramado.

Leia também: 10 motivos para morar no Canadá

Não conhece ninguém? Quebre o gelo!

Essa é a parte mais delicada e também a mais importante no processo de busca por uma oportunidade de emprego. A primeira coisa que pode nos frear logo de início é o quão à vontade você está para se comunicar no seu novo idioma. Afinal, como se apresentar e puxar conversa se você ainda não se sente seguro para transmitir a mensagem que deseja?

Uma boa alternativa é começar a participar de atividades de networking mais informais, que vão desde grupos de conversação para imigrantes até happy hours e conferências sobre temas da sua área de interesse. Você não precisa buscar situações em que imediatamente seja necessário uma exposição mais ativa. Comece a frequentar eventos, a ouvir o que as pessoas têm a dizer, a observar tendências. Nesse tipo de contexto, você pode se permitir relaxar um pouco mais do que se fosse uma feira de empregos, por exemplo. Ao mesmo tempo, você vai quebrando o gelo para se aproximar de pessoas novas e, quem sabe, criar uma oportunidade em curto prazo.

Para ficar por dentro de eventos nesse sentido, sugiro o aplicativo Eventbrite. O bacana desse app é que ele permite escolher os temas de seu interesse para buscar eventos relacionados segundo a sua localização. Existem eventos gratuitos ou de baixo custo que podem ser bem interessantes.

Participe de eventos voltados para imigrantes

É comum ver anúncios sobre eventos voltados para a integração de imigrantes, tanto de um ponto de vista cultural como profissional. Durante meu processo de residência permanente, participei de alguns. Num deles, houve uma palestra de um recrutador de uma grande empresa de TI, embora o foco do evento não fosse nessa área. Fiquei muito tocada pelo que ele falou, pois estava naquela fase de desmotivação total com as dificuldades. No mesmo dia o procurei no LinkedIn para enviar uma mensagem de agradecimento, pois ouvir o que ele disse me trouxe um novo ânimo. No mesmo dia ele me escreveu, pedindo meu CV para que ele pudesse ver como poderia me ajudar. Veja bem, eu não pedi ajuda nesse sentido. Apenas agradeci e no final ele foi a primeira pessoa a estender a mão. Graças a ele, tive acesso a um modelo de CV mais adequado, visto que quando ele viu o que enviei, disse que eu precisava modificar para ficar mais dentro do padrão local. Recrutadores conhecem outros recrutadores. Portanto, acho que vale a pena investir e criar bons relacionamentos com esses profissionais. Melhor ainda se o primeiro contato puder ser pessoalmente.

Seja proativo e crie oportunidades de mostrar o seu valor

Lembra do EventBrite? Pois então. Um belo dia me deparei com uma conferência sobre proposição de valor em projetos de TI. A conferencista era uma associada de uma das maiores empresas de consultoria em TI de Québec. Havia um breve resumo do CV e fiquei intrigada com o percurso profissional dela. Como uma psicóloga de formação chegou ao posto de Diretora de Tecnologia do principal jornal de Québec? Uma das coisas que mais ouvi até então era que eu não tinha o perfil, pois minha formação não era técnica, e eu deveria voltar para universidade e bla-bla-bla. Mas eis que descubro uma mulher que possivelmente ouviu as mesmas coisas e, mesmo assim, foi além. Eu precisava descobrir  mais a respeito dela e resolvi ouvir o que ela tinha a dizer. Quer saber o final dessa história? Acompanhe no mês que vem. Falarei dessa e de duas outras duas situações que vivi que foram essenciais para eu estar onde estou atualmente.

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