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O preço da mudança: o 3º país

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O preço da mudança: o 3º país.

Depois que comecei a escrever meus textos para o brasileiraspelomundo.com comecei a me conhecer ainda mais nessa jornada de morar em países diferentes. Os textos me deram a oportunidade de lembrar e viver novamente cada história que coloco no papel e o melhor de tudo: receber as mensagens de alguns leitores dizendo que “alguma coisa” tocou neles.

E nessa mudança, nessa busca pelo novo, encontro-me morando na Inglaterra! Pois é pessoal, foi tudo muito rápido, não sem planejamento, teve estudos e organização, porém a fase da mudança, de fazer as malas, despachar, estar na nova casa, preparar os documentos foi realmente muito intenso. E foi assim que pensei: “nossa como devem ter pessoas na mesma situação ou aquelas que sonham com uma mudança e não sabem por onde começar, vou escrever sobre o assunto.”

Morei 3 meses na Irlanda e 1 ano na Itália (entre Roma e a região de Abruzzo). Quando fui para o Brasil passar as festas de fim de ano, eu comecei a pensar na possibilidade em morar novamente num país que falasse inglês, afinal, o meu está longe de ser o que quero: um inglês fluente. Bem, no fundo eu não desejava voltar para a Irlanda, não sentia aqui dentro aquela emoção em pensar que eu voltaria a viver em Dublin. Comecei a pesquisar o interior da Ilha da Esmeralda e nada de aparecer aquele frio na barriga. Decidi mudar as pesquisas e fui para o Reino Unido… lia textos, via vídeos, no entanto estava meio perdida por não saber nenhuma informação de como eu iria dar o primeiro passo. Foi assim que em janeiro, já de volta na Itália conheci o Fábio… na verdade hoje vejo que foi um anjo no meu caminho. Ele mora no interior da Inglaterra há quase 2 anos com seu esposo (Rafa) e entre uma conversa e outra ele disse que na casa que eles moravam iria vagar um quarto no mês de abril (deste ano). Como um verdadeiro clique de filmes eu falei: “essa vaga é minha”. Pensei: tenho exatamente 3 meses para me preparar e organizar. A partir daí foram muitas leituras, muitos vídeos assistidos, contas e mais contas na calculadora, afinal mudar de país não é uma aventura, já falei isso no meu primeiro texto aqui. As mudanças requerem planejamento.

Para mim, a parte mais importante nessa fase é você ter o conhecimento de toda a documentação necessária, é você buscar a lista de todo o procedimento burocrático do país escolhido. É saber que você estará morando legalmente e com todos os seus direitos. Como eu tenho a Cidadania Italiana, já estaria “bem encaminhada”.

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar na Inglaterra

Passagem comprada, agora era só entrar na contagem regressiva. E o tão sonhado 05 de maio de 2018 chegou. Não sei com vocês, mas sabe aquela sensação de estar vivendo uma coisa que você acha que não é real? Foi exatamente isso que eu senti quando entrei naquele avião. Era uma sensação de euforia e alegria que eu estava como uma criança no parque de diversão. Os primeiros dias foram agitados, cheguei em plena primavera e eu nem conheci o famoso “cinza do Reino Unido”. Levei uns dias para entender a região e me “localizar”, afinal eu estava vivendo, e ainda estou tudo isso como a primeira vez.

Fase dos documentos: colocar uma conta da casa no seu nome, fazer a marcação para o famoso National Insurance Number (seria nosso CPF no Brasil), abrir a conta no banco, entrar em todos os sites de emprego e enviar seu currículo, buscar informações de todos os transportes públicos que você vai precisar e assim os dias vão voando e você começa a aprender tudo aquilo que você precisa saber aos poucos.

Nessa correria dos primeiros dias eu consegui fazer 2 entrevistas, encontrei um trabalho temporário e comecei essa nova fase que a cada dia estava me dando mais a certeza de que eu tinha feito a escolha certa. Mas Juliana, foi tudo fácil para você. E você já fala inglês! Não pessoal, eu ainda não falo inglês bem e nada foi fácil. Eu tive a sorte de ter encontrado dois anjos no meu caminho que me deram as orientações e os melhores conselhos, porém a decisão foi minha em “enfiar a cara” e dar o primeiro passo.

Os dias passaram sem eu ver, quando parei para pensar eu estava trabalhando em três lugares diferentes, meus documentos todos encaminhados e voltei a ter meu dia-a-dia escutando as pessoas falando a tão sonhada língua: o inglês. Pode parecer meio bobo quando falo nesse assunto, mas para aqueles que estão estudando, se esforçando e buscando melhorar a língua, vão conseguir me entender. O segredo mesmo é não desistir.

Enfim, eu estou morando no interior da Inglaterra há quase 2 meses, a intensidade de tudo o que estou vivendo ainda não foi assimilada pelo meu cérebro, às vezes me pego rindo sozinha de tudo isso, pois nem nos meus mais loucos sonhos eu poderia imaginar cada situação dessas. Aos que estão na dúvida da mudança, eu não posso dar outro conselho se não for o de escutar o seu coração, porque desde que saí do Brasil, eu só consigo escutar o meu, mesmo tendo algumas situações que me mostrem o contrário.

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3 comentários

Isabela Julho 16, 2018 at 4:21 pm

Oi Juliana ! Gostei muito do seu texto, obrigada por compartilhar sua experiência. Notei que você trabalhou por anos para a Adm. Pública, e me identifiquei, pois faz 8 anos que eu trabalho com licitação. Dito isto, tenho algumas perguntas relativas a trabalho na Inglaterra, será que eu poderia conversar com vc ? Obg pela atenção.

Resposta
Adriane Silva Agosto 14, 2018 at 7:31 pm

Ola Juliana, gostei dos detalhes do seu post.
OBS: meu teclado nao esta configurado!
Tenho o sonho de morar no exterior, mais especificamente em um pais de lingua inglesa. Qual emprego vc conseguiu na inglaterra? Gostaria de saber se ‘e possivel conseguir um emprego em escritorio, como auxiliar, algo do genero? no caso uma brasileira sem cidadania europeia, mas q fala ingles. Tenho outras perguntas sobre valor do salario e preco de moradia. Se vc puder me retornar por e-mail eu agradeco.

Resposta
Juliana Gasparette Setembro 2, 2018 at 8:29 pm

ola! pode entrar em contato comigo pelo facebook Juliana Gasparette

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