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Os 7 Mandamentos da reeducação financeira no exterior – Parte 1

Reeducação financeira no exterior.

Antes de começar a leitura, um aviso importante para direcionar (ou não) vosso interesse para o que vem a seguir. Dizem que tempo é dinheiro. Portanto, vamos começar não desperdiçando minutos preciosos de sua vida, não é mesmo?

Atenção, público-alvo!

Este artigo é uma reflexão bem-humorada sobre o que muda na nossa relação com o dinheiro, planejamento financeiro a longo termo e conceito de prioridades versus necessidades pessoais quando mudamos de país. Tudo baseado na experiência desta colunista, logo de caráter subjetivo e totalmente parcial, esperando que outras pessoas se identifiquem.

Não é sobre imposto de renda, tipos de financiamento, planos de aposentadoria, benefícios trabalhistas, taxas de juros e melhores opções de investimentos, nem quanto dinheiro você precisa para viver no Canadá. Mas por causa disso tudo, cheguei à conclusão que eu precisava crescer, rever conceitos e acordar para a vida. Interessou? Se sim, vem comigo!

As expectativas… sempre elas!

Quando a gente começa a cogitar a possibilidade de viver e não simplesmente fixar residência em outro país, o que vem primeiro são as expectativas. Quem decide ir embora do Brasil o faz para encontrar algo que o país não vai lhe possibilitar. Acho normal e compreensível, já que estamos buscando melhorar nossa qualidade e padrão de vida. Tomar essa decisão exige muito do lado racional, mas os apelos emocionais do que desejamos na vida são boa parte do empurrão inicial, não há como negar. Só que…

De repente o lado onírico da questão vai se dissipando e toda e qualquer decisão que você precisa tomar depende de DINHEIRO. E aí é preciso falar de dinheiro, ganhar dinheiro, economizar dinheiro. Não tem como ignorar a importância do também conhecido como vil metal na construção da história que queremos contar não apenas para os outros, mas principalmente para nós mesmas.

Nunca tive uma relação muito fácil com as finanças nem nunca fui exemplo master de organização e planejamento financeiro. Mas desde que me casei com um québecois e me mudei para o Canadá, precisei encarar de frente os fantasmas do passado, do presente e do futuro que carinhosamente apelidei Tostão, Grana e Bolada, nessa ordem. O universo me presenteou com um marido orientado para o controle orçamentário, o que por um lado foi bom, mas por outro suscitou a emergência de certas diferenças, coloquemos assim.

Como entendi que a vida estava me matriculando compulsoriamente no curso Reeducação Financeira 101 com ênfase em Finanças de Casais Multiculturais, resolvi obedecer e, finalmente, começar a criar juízo. Apresento alguns mandamentos que vêm guiando essa minha caminhada rumo à luz e à uma vida estável e de paz na conta bancária e no amor.

Meus 7 Mandamentos da Reeducação Financeira no exterior

– Acolherás o planejamento financeiro como parte da harmonia conjugal

Pelas leis do Québec, uma vez casados, todo patrimônio e toda e qualquer dívida relacionada aos bens comuns adquiridos após o casamento são compartilhados pelo casal. Evidente que cada um tem sua autonomia para gerenciar seu dinheiro como convém e determinar suas próprias regras. No nosso caso, optamos por ter uma conta conjunta que é onde nossos salários são depositados a cada duas semanas. É assim que funciona por aqui.

Todas as contas mensais, cartão de crédito comum, financiamento do apartamento e empréstimos de familiares são pagos prioritariamente. Em segundo lugar, vêm as reservas para projetos diversos como: viagem ao Brasil, reformas e decoração para a casa, serviços de saúde e bem estar não cobertos pelo seguro do meu empregador e reserva para minha aposentadoria privada. O que sobra, é dividido igualmente entre nós dois, independente de quem tem maior salário, e corresponde ao orçamento individual de cada um.

Acho importante dizer que já rolou muita DR por causa disso, principalmente porque temos mentalidades e bagagens de vida diferentes em relação ao uso do dinheiro, prioridades, débito versus crédito… Sem falar em entender como funcionam as cobranças do cartão de crédito, os juros, a utilização de uma margem de crédito e por aį vai.

Não é à toa que muitos casais se separam por causa da dificuldade de determinar parte do projeto de vida comum que depende justamente de meios financeiros para se concretizar. Por outro lado, sinto que isso tem me ajudado a lidar melhor com Tostão e Grana, os meus fantasminhas do dinheiro passado e do dinheiro presente.

Enfim, falar de dinheiro em casal nunca é simples, ainda mais quando existem questões culturais envolvidas e outro contexto de custo de vida. É claro que a gente pode sempre rever essas regras, mas por enquanto, acho que faz sentido e funciona bem para o padrão de vida que definimos até o momento.

– Precisarás definir prioridades e rever necessidades

O exercício proposto no mandamento anterior só é possível quando a gente define as prioridades e revê o que é realmente necessário para uma vida confortável, seja do ponto de vista material ou emocional. O modelo de consumo precisa ser revisto, até porque as formas de se obter determinados bens ou serviços exigem pagamento imediato, seja com dinheiro vivo ou cartão de crédito. Nesse último caso, sem possibilidade de parcelamento sem juros e a perder de vista no carnê do Baú…entendedores, entenderão.

Leia também: A Condessa, o brechó e as bombas

Quando a gente parte da ideia de um orçamento, passa-se a uma noção mais finita de dinheiro. Isso não quer dizer que não possamos gastar mais do que previsto, mas que para alguma outra necessidade, vai faltar. Aliás, percebi que posso viver muito bem sem algumas coisas que acha serem imprescindíveis para meu bem estar. Não vou ficar citando exemplos, mas entendi que nada mais eram do que superficialidades.

Sei que muito do que estou dizendo não é novidade alguma, mas por alguma razão só consegui assimilar esses conceitos casada, vivendo fora do Brasil e precisando abrir mão de um padrão de consumo bem sem noção e, por vezes, inconsequente.

– Mudarás a sua relação com o dinheiro

Pode parecer estranho, mas valorizo muito mais cada dólar que eu ganho do que os reais que já ganhei nessa vida. Quero deixar claro que não estou menosprezando nossa moeda brasileira e nem fazendo uma crítica implícita à atual conjuntura econômica e política do nosso país de origem. Em função dos dois mandamentos anteriores, hoje penso muito mais em quanto estou disposta a pagar por um produto ou serviço, porque meu dinheiro individual é limitado, tem muito valor e não estou disposta a ter uma DR com o maridão se, sem querer querendo, ultrapassar o meu orçamento pessoal. Percebem como vai muito além da impulsividade da compra?

Basicamente, comecei a entender e a colocar em prática a diferença entre preço e valor, sem falar no caráter de urgência das aquisições. Mas tem um outro detalhe aqui: as minhas referências foram revistas e ampliadas, pois não posso seguir a regra do quanto eu pagaria no Brasil versus quanto custa no Canadá. Hoje, diria que tem preços pelos quais não estou disposta a pagar porque me obrigo a pensar sobre o que estarei abrindo mão, por exemplo. Olha o Bolada, meu fantasminha do dinheiro Futuro, se manifestando! Quem diria: Eu, pensando lá na frente ao invés de alimentar meu macaquinho interior, coisa que nunca me ocorreu com frequência no Brasil. Isso leva um tempo para se determinar, mas vale a pena.

Pausa para o próximo capítulo…

Como a prosa está boa e essas reflexões têm me rendido altos insights, continuamos no mês que vem. Não percam os próximos mandamentos! Falaremos de moda sustentável, sobre como calcular seu salário anual e aposentadoria.

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4 comentários

Cristina Oliveira Abril 13, 2018 at 11:22 am

Gostei bastante e já divulguei para algumas amigas.
No aguardo da Parte II
Sucesso!!

Resposta
Ana Carolina Sommer Abril 13, 2018 at 12:31 pm

Obrigada pelo comentário, Cristina! Escrever sobre esse tema é uma verdadeira terapia. Uso do humor, mas o assunto é sério. A gente precisa ser mais cuidadosa com nossas escolhas, tanto no momento presente quanto no futuro. Abraço carinhoso!

Resposta
Reini Abril 14, 2018 at 11:09 am

Ótimo artigo Ana. Gostei da sua abertura de experiências vividas, para o mundo virtual, q certamente servirá de dica de para muitos casais ou solteiros, repensarem na reeducação financeira, consciência de valores, gastos, necessidades X relacionamentos…. 👏🏼👏🏼👏🏼

Resposta
Ana Carolina Sommer Abril 18, 2018 at 12:03 pm

Obrigada pelo comentario, Reini! Nada melhor do que viver os dilemas na pele para aprender a lidar com eles. Bjs

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