Por que deixei Londres para morar em um vilarejo Inglês?

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acervo pessoal
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Por que deixei Londres, na Inglaterra, para morar em um vilarejo Inglês?

Em 2014, depois de 6 anos vivendo um caso de amor e ódio com a cidade de Londres, cansei. Selecionamos alguns objetos pessoais e roupas, e escolhemos rumar para o Brasil. Por diversas razões, que pretendo abordar em um outro momento, acabamos retornando ao Reino Unido em 2017. Ao voltarmos, eu e meu marido, agora pais de um adorado menino, possuíamos uma clareza maior sobre o estilo de vida que gostaríamos de buscar, uma vez estando aqui. Do que sentíamos falta na Inglaterra? O que gostaríamos de evitar?

Nos últimos 2 anos que antecederam nossa mudança para o Brasil, morávamos em um bairro do Oeste de Londres, que ficava praticamente no meio do caminho entre o trabalho dele, em uma cidade pequena, e o meu trabalho e a faculdade, no centro da capital.

Enquanto decidíamos sobre voltar ou não para cá, meu marido recebeu uma oferta de emprego dos seus antigos chefes. Assim, voltamos sabendo que ele iria trabalhar novamente no interior.

Ao chegar, ficamos hospedados com meu irmão em um charmoso bairro de Londres, chamado East Finchley. Como o meu marido foi direto ao trabalho, tínhamos apenas os
finais de semana para conversar sobre o futuro e procurar casas e apartamentos. Então, enquanto eu ficava sozinha com meu filho durante a semana, me dediquei ao máximo a mostrar a ele tudo aquilo que eu achava incrível naquela cidade.

Para minha alegria, o guri amava andar de ônibus (double decker), metrô (tube) e adorava o caos de Londres, garantindo até alguns momentos orgulhosos para a mamãe, quando o mesmo aplaudia com louvor a cantora de ópera de Covent Garden (um bairro bem bacana, cheio de artistas de rua). Além dos encantos de “central London”, também curtimos muito as atividades oferecidas no bairro do meu irmão: cinema para menores de 5 anos, jazz para bebês no pub, atividades no bosque com uma artista de teatro e até as amizades que fizemos tão rapidamente, com vendedores locais e famílias no playground (nunca
antes em Londres, tínhamos feito amizade de verdade com vizinhos).

Mas bem, você deve estar se perguntando, por que falar tanto das coisas boas de Londres, se o título do artigo aponta para os benefícios da vida no interior? Bem, qualquer cidade grande tem certos aspectos com os quais fica difícil conviver em alguns momentos da vida. A Ann Moeller já escreveu um artigo sobre alguns deles e eu acredito que, na hora de fazer qualquer escolha, é importante levar em consideração os prós e contras de cada opção, assim como o momento de vida em que você se encontra. Tudo isso para que você consiga tanto tomar uma decisão, quanto viver com ela nos próximos anos.

No nosso caso, as duas horas que meu marido eventualmente passaria no trânsito para ir e voltar do trabalho, significavam que ele sempre sairia cedo e chegaria tarde, sobrecarregando a rotina da família e dificultando o trabalho que eu estava planejando desenvolver de casa. Além disso, alguns dias, ele nem veria o nosso filho acordado.

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Na verdade, mesmo que você arranje um trabalho dentro de Londres, é muito comum para os Londrinos demorar, pelo menos, 2 horas no transporte público por dia. Outras razões pelas quais tendíamos para o interior era o acesso mais fácil a excelentes escolas (aliás, uma tradição do condado de Buckinghamshire) e o fato de que conseguiríamos ter uma casa com jardim.

A cidade na qual ficava o hospital onde o Marcelo iria trabalhar é apertada e mal
conservada e as pessoas não são gentis e educadas como você esperaria que fossem no interior da Inglaterra. Aqui se encontra uma lição: quando você for decidir entre o interior e a capital, trate cada cidade e região separadamente. A vida no interior não garante tranquilidade, gentileza e nem contato com a natureza.

Mas, para nossa sorte, antes de voltarmos ao Brasil, meu marido também tinha
trabalhado em uma clínica de reabilitação em um vilarejo a 15 minutos do hospital. Eu já havia visitado a região e ficado encantada com a conservação das casas, a ausência de redes de restaurantes, a presença de produtos regionais e com a influência que a floresta local parecia exercer no estilo de vida das pessoas. Além disso, para nós que amávamos regiões serranas, a paisagem também agradava muito mais do que os campos intermináveis geralmente encontrados no país.

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Nos Chilterns, essa região de relevo e florestas generosos, existe uma porção de vilarejos com menos de 10 mil habitantes e que conta com boas opções de transporte para Londres. Também é onde somos convidados a tirar ou cobrir os sapatos no pub, evitando assim que toda a lama acumulada nas caminhadas pelas trilhas se espalhe pelo chão.

Aqui, nossa aparência física de estrangeiro é muito mais evidente, mas agindo com respeito às tradições e maneirismos locais, sinto que suscito muito mais curiosidade, do que qualquer outra coisa. Aliás, considerando que as pessoas vêm para cá para criar raízes a sensação de fazer parte e poder fazer a diferença na sociedade e na vida das pessoas são, consequentemente, muito maiores por aqui. Isso é muito difícil de acontecer em Londres, tendo em vista o preço das casas e as distâncias entre os extremos da cidade (fica muito mais fácil mudar de casa, quando se aluga e se arranja um trabalho melhor em outro canto).

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Ainda existem aqueles dias em que tudo fica mais quieto por essas bandas e a saudade da
cosmopolita e maluca Londres invade todos os meus poros. Nessas horas ajuda saber que eu nunca odiei Londres, mas sim escolhi um vilarejo inglês por todas as vantagens que o mesmo oferecia à minha família, neste momento da minha vida.

Receber os amigos “expats” que fizemos na capital, também ajuda bastante a minha alma de cidadã do mundo.

Para quem está considerando morar em outro país ou outra cidade, fica um encorajamento e um “boa sorte” da minha parte!

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