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Podemos dizer que o Halloween é Inglês?

Halloween in England

Podemos dizer que o Halloween é Inglês?

Este mês, fugirei um pouquinho da linha de assuntos que geralmente abordo aqui, com os leitores da plataforma. Mas a razão é boa: falar de uma das celebrações mais famosas entre os países de língua inglesa: o Halloween.

Quando eu era criança, tivemos que escolher um aspecto da cultura inglesa para apresentar em uma feira da escola e, não tivemos dúvida, fizemos um túnel fantasma e nos vestimos de bruxinhas. Uns oito anos depois, foi em um Halloween que comecei a namorar meu marido e uns nove Halloweens depois disso, nasceu nosso filho!

O dias das bruxas, come é conhecido no Brasil, parece ter aumentado muito de popularidade por aqui nos últimos anos. Muitas pessoas afirmam que isso é porque o mesmo é uma celebração americana, que ganhou popularidade entre os jovens e crianças inglesas por conta dos filmes de Hollywood.

Mas seria esta uma verdade?

Pois então… sim e não. Convido você a entender um pouquinho melhor sobre a história desse holiday e imaginar a mágica da noite mais “assombrada” do ano, como ela é aqui na Inglaterra.

Leia também: A Importância de se encaixar 

Afinal, de onde vem?

De acordo com Ben Johnson, que escreve para o Historic UK, A primeira celebração jamais registrada que parece ter algumas características em comum com o Halloween, é o Samhain – um antigo festival Celta que celebrava o fim do verão e a última colheita do ano aqui no hemisfério Norte. Além de marcar a relação entre o mundo dos vivos (fertilidade) e dos mortos (ausência de novos frutos).

Lembro que em meus muitos anos morando em Londres, Halloween era sinônimo de festas de jovens que aproveitavam para se fantasiar, dançar e beber. O número de crianças tocando na campainha e pronunciando a famosa frase trick or treat (doces ou travessuras), era muito pequeno. E menos popular do que essa prática, apenas mesmo a quantidade de casas enfeitadas.

Porém, tanto quando moramos em Kent, quanto agora morando nos Chilterns – ambos interior – a quantidade de casas enfeitadas e de crianças na rua é realmente superior. Claro que pode ter a ver com a segurança, que aqui no interior é ainda maior, mas acredito que tem também bastante a ver com a ligação que as comunidades do interior têm com a terra.

E, para corroborar esta ideia, existe o fato de que os Celtas eram justamente produtores e fazendeiros que existiram antes do Cristianismo e marcavam o ano, como a passagem das quatro estações. Este povo, habitava as terras que hoje conhecemos como Grã-Bretanha, Irlanda e Norte da França. Assim sendo, se formos considerar que o Halloween derivou do Samhain, podemos afirmar com algum grau de exatidão, que ele foi mesmo originado por aqui.

Evolução do Samhain

A ilha conhecida como Grã-Bretanha foi invadida inúmeras vezes em seu passado. Seus primeiros invasores, os Romanos, trouxeram a referência a frutos como a maçã, pois estes simbolizavam a Deusa romana da fertilidade (novamente, fazendo alusão ao ultimo período fértil do ano).

Mais tarde, com a proliferação do cristianismo, um dos Papas trouxe a celebração All Hallow’s Day (nome antigo do Dia de Todos os Santos) de Maio para Outubro. A suposição que parece fazer mais sentido é que o Papa teria feito isso para dar um ar aceitável a uma celebração pagã que não tinha jeito de cair no desgosto do povo.

Leia também: Religião na Inglaterra e a prática da tolerância 

Um pouco de história moderna

Em um passado mais recente, as crianças brincavam de colocar maçãs em um grande caldeirão (ou na falta deste, uma tigela) e pegar as mesmas com a boca, em uma brincadeira onde vencia aquele que coletasse mais maçãs. Esta brincadeira perdeu um pouco de terreno por aqui, mas ainda está presente nas celebrações de Halloween que antecedem o dia 31 de Outubro.

Além disso, da fogueira Celta da qual os druidas (sacerdotes) se utilizavam para espalhar pequenas chamas em cada lar e espantar mal espíritos, originou-se o hábito de usar outros frutos para fazer lanternas na frente das casas. Provavelmente um casamento entre as tradições celtas e romanas. Porém, as famosas abóboras (aquelas morangas redondas e laranjas), estas sim, vieram a se popularizar através do uso das mesmas, no novo país chamado Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, ainda que alguns digam que a brincadeira de pedir doces por travessuras começou também na América, esta parece ter sido retratada pela primeira vez em uma peça de Shakespeare, do século XVIII. Assim, os norte-americanos poderiam de orgulhar apenas da criação da expressão trick or treating.

E como os Ingleses celebram o Halloween e o outono?

De fato, nos dias dia hoje, aqui no interior da Inglaterra, celebramos tanto a última colheita do ano com o lindo e emocionante Harvest Festival, quanto o Halloween. O primeiro é celebrado com lindas apresentações escolares sobre a importância dos frutos, do trabalho e da comunidade. Já o segundo, geralmente cai em uma semana de recesso escolar, onde as celebrações começam com um “bailinho” nas escolas e terminam com a noite de trick or treating.

As casas que estavam enfeitadas para o outono passam a contar com decorações mais assustadoras e as crianças, fantasiadas de monstros, bruxas e afins, passam tocando a campainha das casas e pedindo doces para que não venham a praticar travessuras.

E a verdade é que é inegável que o novo mundo de língua inglesa abraçou este holiday e acabou por divulgar algumas de suas práticas para os quatro cantos do mundo. Ainda assim, depois de alguma pesquisa histórica, já dá para dizer que aqueles ingleses que reclamam da popularidade do feriado americano nesta ilha do norte do mundo, estão sendo mais ranzinzas do que corretos.

Portanto, já estamos liberados: podemos enfeitar nossas casas, preparar as mil tigelas de gostosuras e também correr ameaçar alguns vizinhos (de brincadeirinha), pois já não me sinto nadinha menos Inglesa por isso.

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