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Por que estudar na China?

Por que estudar na China?

“Na China? Que diferente!” – é a resposta padrão quando falo que faço mestrado aqui. Não é uma escolha óbvia, e não foi para mim também. A China é muito longe, é diferente, tem um idioma complicadíssimo, e não está nunca na ponta da língua quando a maioria das pessoas pensa em quais são os melhores lugares para estudar no exterior. Então, por que vir estudar na China?

Alguns dados sobre o Ensino Superior na China

Primeiramente, a China tem sim universidades nas listas de melhores do mundo: a Tsinghua University (em Pequim), a Fudan University (em Xangai) e a Peking University (em Pequim) são as três melhores do país nos rankings gerais. A Tsinghua é considerada a melhor universidade chinesa e é extremamente difícil o sistema de entrada. Em 2017, a universidade superou o MIT (nos EUA) como a melhor universidade para ciência da computação, além de altíssimas notas em engenharia e química. O gaokao (vestibular chinês) recebeu em 2018 cerca de 9,7 milhões de inscritos, mas a taxa de aprovação é menos da metade – e menos ainda para as principais universidades: 1% dos que fazem a prova. Contudo, estudantes estrangeiros que quiserem fazer graduação ou pós não precisam fazer a prova. O processo seletivo é separado e simplificado (o que gera críticas). As diferenças também não param aí: os prédios de residência universitária para estrangeiros são normalmente melhores e, em vez de dividir com cinco pessoas como os chineses, você pode ter um (a) colega de quarto ou até ficar sozinho (a).

O Ministério da Educação tem aumentado exponencialmente os gastos e financiamentos para atrair estudantes estrangeiros: faz parte de aumentar a influência chinesa e mostrar um lado amigável da nação. O plano, lançado em 2010, é atingir 500 mil estudantes em tempo integral por ano até 2020. Atualmente, o número está em torno de 490 mil (2017)[1], sendo mais da metade advindos de países asiáticos. Essa quantidade coloca a China apenas atrás dos EUA e do Reino Unido em número de estudantes estrangeiros no país. Contudo, esse número não é de alunos em busca de um diploma integral chinês: a maioria são intercambistas ou estão fazendo cursos de mandarim.

Leia também: Novas regras para visto de trabalho na China

O governo também aumentou o número de bolsas oferecido pelo China Scholarship Council – que hoje cobre 10% da população estudantil estrangeira no país. Foram 58.600 bolsas em 2017, um aumento de 600% na última década. O processo seletivo vai até o final de março e é realizado, no Brasil, pela Embaixada da República Popular da China. Há um incentivo grande das universidades para receberem estudantes de países envolvidos na iniciativa econômica do One Belt, One Road, que cobre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa. Além disso, as universidades dão preferência para oferecer bolsas a pessoas que vêm de países em desenvolvimento. Um resultado da política chinesa na África se reflete no aumento de alunos do continente: hoje são cerca de 50 mil, deixando o país apenas atrás da França como opção para estudantes africanos. Essa dinâmica oferece uma realidade muito interessante no campus, onde existe um sentimento de certa solidariedade entre os estudantes, pelo passado colonial e dificuldades com o processo de desenvolvimento.

Algumas iniciativas incluem parcerias de universidades famosas da Europa ou dos Estados Unidos com universidades chinesas: NYU-Shanghai, Duke-Kunshan, dentre outras. O processo de internacionalização também inclui oferecer mais disciplinas em inglês, abertas a alunos estrangeiros e chineses, e tem aberto vagas para professores convidados de outros países. Nos meus dois anos na Renmin University of China, tive aula com um professor alemão formado pela Universidade Johns Hopkins, e um professor britânico (também foi meu orientador) que veio da Universidade de Sussex. Além disso, as escolas de verão das universidades também convidam professores (as) de fora para ministrarem cursos específicos, inclusive do Brasil.

Visita acadêmica à hidrelétrica Three Gorges (Três Gargantas), em Hubei – a segunda maior do mundo. Arquivo pessoal.

Por que estudar na China?

Motivos para estudar na China

Poxa, realmente, muito incentivo e ótimos sinais de que a China leva o Ensino Superior a sério. A cada ano o número de estudantes internacionais aumenta, as universidades chinesas estão se preparando para receber esse pessoal todo, estão investindo em pesquisa de alta qualidade, o número de possibilidade de bolsas aumentou (e o custo de estudar na China não é tão alto). Se você já gosta da China, não é você que eu tenho que convencer. Então, se ainda está em dúvida:

A China é o principal parceiro comercial do Brasil. Isso importa muito e dificilmente vai mudar nos próximos anos! É muito importante que o Brasil tenha profissionais capacitados e conhecedores da China, nas mais diversas áreas. Como criar melhores resultados de uma parceria se um dos lados sabe muito pouco sobre o outro? Além disso, abre oportunidades para a sua carreira, com a cada vez maior inserção de empresas chinesas no Brasil e na América Latina, tal como a recente compra da 99 pela DiDi, ou a crescente presença da State Grid no setor energético brasileiro.

Anota aí: a China é o novo horizonte de tecnologia. O governo lançou o projeto Made In China, que pretende incentivar a inovação tecnológica e apoiar o desenvolvimento de conhecimento em pesquisa dentro do país. Já é um líder em Inteligência Artificial, já tem nove das principais empresas de tecnologia do mundo na lista de 20 maiores do mundo, como a Alibaba, Tencent (do app WeChat, mas também de jogos, filmes), Baidu, Xiaomi (celulares). E vivendo aqui, especialmente em cidades como Pequim e Shenzhen, fica extremamente visível que é um ambiente muito fértil para isso. Não importa a sua área de estudo, você vai acabar uma hora ou outra caindo nessa rede.

É inegável: a China surpreendeu o mundo com o seu desenvolvimento acelerado nos últimos trinta anos. Tirou cerca de 800 milhões de pessoas da miséria, atingiu os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (2015), é a segunda maior economia do mundo (com previsões de em breve ser a primeira), e – surpreendentemente – liderando a busca por energia renovável. Ainda não é um país desenvolvido: diversos desafios, principalmente em relação à desigualdade de renda e urbanização, estão pairando sobre as discussões no país.

De todo modo, é algo impressionante e uma das principais histórias de sucesso de desenvolvimento recente. Como isso aconteceu? O que o Brasil pode descobrir disso, seja para não repetir ou para se inspirar? São perguntas-chave num momento de renovação das discussões de um projeto de país e é um desperdício de fonte de informação concreta não termos mais brasileiros e brasileiras estudando essas mudanças, sob os mais diversos pontos de vista, e vivenciando o que a China tem a oferecer.

[1] O número aumentou 10% em relação a 2016, que por sua vez tinha aumentado 11% em relação a 2015. Um aumento de 299% desde 2004, segundo o Ministério da Educação. Fonte de boa parte dos dados dessa seção: The Pie News

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