Principais desafios para se recolocar profissionalmente na Austrália

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Foto: pixabay.com
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Principais desafios para se recolocar profissionalmente na Austrália.

Após um longo período no Brasil esperando pela tão sonhada aprovação do visto de estudante, chego em Sydney e começo o curso preparatório para o IELTS e na primeira aula, ao me apresentar e expor meus objetivos naquele curso, meus novos colegas de turma já me questionam: E aí? Qual é a banda que você precisa? Você vai fazer o exame geral ou acadêmico? Perguntas que até então eu mesma nunca tinha pensado e muito menos respondido.

Percebi que meu desafio com a imigração só estava começando ao ser questionada e não ter uma resposta na ponta da língua.

Comecei, então, a pesquisar sobre o mercado de trabalho australiano e também sobre as regras de imigração. Consultei um advogado especializado para avaliar meu caso em particular, uma vez que cada pessoa tem um histórico educacional e profissional diferente da outra e não podemos colocar numa fórmula matemática.

Além disso, pesquisei sobre qual seria o modelo australiano e como eu
poderia reescrever o meu currículo. Percebi que há milhões de ofertas para este serviço e
muitos profissionais que não só te ajudam a reescrever, mas também te preparam para uma entrevista. Porém, naquele momento preferi guardar os contatos e tentar reescrever sozinha com as informações que coletei na internet.

Leia também: quanto custa fazer supermercado em Sidney

Achei válido começar a distribuir o meu currículo e ver qual seria a resposta e quais seriam os próximos desafios.

Então surgiu a primeira tarefa que até então eu nunca tinha precisado fazer no Brasil: escrever uma carta de apresentação, a tão requisitada “Cover Letter”. Um documento onde você se apresenta e lista, resumidamente, as suas experiências. Acabo usando este documento sempre que me candidato para alguma oportunidade, mesmo que não seja obrigatório, mas percebo que 90% das vezes tem aquele famoso asterisco vermelho.

Até aqui percebemos que temos trabalho, mas nada desafiador, não é? E aí, vem o primeiro contato, geralmente telefônico. Os recrutadores querem se certificar primeiro de duas informações antes de te convidar para uma entrevista:

1. Que tipo de visto você tem? Este visto tem alguma restrição de trabalho?
A Austrália tem muitos tipos de visto, com diferentes números e permissões, então, na maioria das vezes o recrutador não sabe sobre as restrições do seu visto em específico e, por isso, a pergunta deles. E, pode ter certeza: não adianta você tentar sair pela tangente desta pergunta, pois eles verificarão a informação depois da ligação.

Caso você tenha restrição de carga horária, infelizmente, sua oportunidade naquela posição
acabou por aqui. Então, a minha recomendação para este primeiro desafio é que você corra
atrás dos pré-requisitos da residência permanente para poder ter o direito a trabalhar pelo
período completo (40h semanais). Mesmo assim, não desista de procurar e candidatar-se aos trabalhos que te interessam! Caso se interessem pelas suas habilidades e competências técnicas, os empregadores podem patrocinar seu visto mesmo que isto esteja cada vez mais difícil atualmente. Acredite! Para saber mais sobre a residência permanente, leia este texto aqui.

Se este não é o seu caso, ótimo! Vamos para o próximo questionamento:

2. Você tem experiência australiana? Quantos anos? Isso quando não te perguntam
sobre experiência no estado que você reside.

Na maioria das vezes eles querem que você tenha uma experiência naquela área aqui na
Austrália e esquecem que você tem X anos de experiência no seu país de origem. Isso quando não são mais restritivos e te pedem experiência no estado daquela vaga, por exemplo, se a vaga for aqui em Sydney, eles pedirão experiência em New South Wales (NSW). E aí vem aquela pergunta clássica: como terei experiência australiana se ninguém me der uma primeira chance? Concordo plenamente! Mas não temos como mudar a cultura local, não é mesmo?

A minha sugestão é você tentar um estágio ou um trabalho voluntário na sua área antes de um trabalho remunerado e com isso você estará fazendo seu networking também.

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Você deve estar se questionando: como vou trabalhar de graça se o custo de vida na Austrália é muito alto?

Pense que você trabalhará as suas horas permitidas fora da sua área (ou se conseguir algo próximo, maravilha!) para, literalmente, pagar as suas contas. Seu trabalho voluntário entra como uma forma de investimento em conhecer pessoas e também a tão requisitada ‘experiência australiana’. Lembre-se de que você estará fazendo contatos que podem te contratar no futuro ou te indicar para algum bom emprego.

Esses foram os desafios que vivenciei nesse tempo que estou aqui… São dicas que dou de um possível caminho. Se você está achando que são muitos obstáculos, respire e reflita: esses são os desafios para quem está em busca de um sonho maior que é exercer a sua profissão em um país completamente novo. Demanda, sim, muita energia, esforço e dedicação, mas lembre-se de que a comunidade brasileira aqui é bem unida e você sempre terá uma amiga próxima passando pelos mesmos desafios e poderá te apoiar.

Sinta-se à vontade para comentar aqui e contar com a minha ajuda! Até o próximo texto!

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