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Quando ficar pode não ser a melhor opção

Quando ficar pode não ser a melhor opção.

Quem me acompanha aqui no Brasileiras Pelo Mundo deve ter visto um texto que escrevi sobre não voltar para o Brasil. Às vezes, de fato, não é a melhor opção. Mas toda história tem dois lados, não é mesmo? Portanto, hoje trago motivos pelos quais ficar também pode não ser a melhor opção.

Leia também: Quando voltar pode não ser a melhor opção

Morar fora é um momento único, acho que 10 entre 10 textos sobre o tema sempre pontuarão isso. Entretanto, muito se abre mão para viver essa tão sonhada experiência e, dependendo das circunstâncias, a balança pode pesar mais para um lado, o do “voltar”, que para outro, o do “ficar”.

A Austrália, na minha opinião para lá de pessoal, se destaca em dois grandes quesitos: segurança e oportunidades. Por contar com o maior salário-mínimo do mundo (ou um deles), viver na pobreza aqui é para os preguiçosos, pois com disposição é possível ter um teto para morar, um carro, e por aí vai. Se você conseguir um visto sem restrições de trabalho, então, nem se fala! Aí o céu é o limite.

No que tange à segurança, é realmente surreal. Saio na rua sem medo nenhum de ser assaltada, ando com meu celular na mão onde e quando quiser, posso abrir meu computador no ônibus e trabalhar nele à vontade, nada vai me acontecer. Logo, fica fácil entender as razões para querermos ficar por aqui, certo?

Foto: Pixabay

Certo. Mas nem sempre essa balança fica equilibrada. Vida de expatriado é muito, muito solitária. Não se enganem pelas lindas fotos no Instagram, a maioria das vezes somos nós por nós mesmos. Conhecemos muitas pessoas nessa jornada? Conhecemos, claro. Conseguimos criar laços com elas? Nem sempre. E é exatamente aí, pelo menos para mim, que o calo aperta.

Incrível como a gente precisa sair e observar determinadas situações de fora para as entendermos na essência… nosso dia-a-dia costuma ser tão corrido que a gente não valoriza coisas que parecem bobas, mas são essenciais. Diz a verdade, quanto tempo leva para você conseguir marcar um encontro com as suas amigas? Coisa rara hoje em dia, não é? Uma não pode num dia, outra não pode no outro…, mas quando você mora no mesmo bairro/cidade/estado/país que elas, não tem problema. Se não for hoje, vai ser amanhã. E tem os amigos do trabalho, os amigos dx namoradx, tem tanta coisa para fazer que a solidão não costuma ser lá um sentimento presente.

Morar fora muda o jogo. O aniversário que você perde, aquele encontro inesperado com alguém no shopping, o almoço com os amigos do trabalho, a notícia que passou no Jornal Nacional e está todo mundo comentando nos grupos do WhatsApp, os memes novos que surgiram… A lista é imensa. No meu caso, então, que estou 13h à frente do Brasil, piora, pois muitas vezes nem online consigo acompanhar as conversas e novidades ontime, ou seja, em tempo real.

Leia também: Vale a pena morar fora?

Nessas horas a balança desequilibra mesmo e, para alguns, a conta passa a não fechar. Às vezes, o preço de ter segurança e oportunidades fica alto demais se comparado ao prazer de estar ao lado de quem se ama, e a melhor decisão passa a ser voltar. E quer saber? Como diz Paula Abreu, coach e escritora que tanto admiro, “tá tudo bem!” A vida é feita de mudanças, se a hora de voltar chegou antes do que você inicialmente imaginava, não quer dizer que você esteja desistindo, mas sim que está aceitando ter cumprido sua etapa fora do Brasil. E nada na vida é para sempre, então quem disse que o universo não pode te mandar para outros mares novamente no futuro?

Ir ou ficar, ficar ou ir, esta é sempre a pergunta que martela na cabeça de todo imigrante. A resposta final só cabe a nós mesmos, então em vez de nos compararmos com os outros, o melhor é parar, observar os prós e contras de cada opção, e decidir conforme o coração e/ou a cabeça mandarem!

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