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Profissões Pelo Mundo – Tradutora Literária

Hoje o BPM entrevista a Fernanda Sarmatz Åkesson. Ela é tradutora literária e mora em Estocolmo, na Suécia. Um dos livros traduzidos por ela é o conhecido A Garota na Teia de Aranha, da série Millenium, do escritor Stieg Larsson.

BPM – Fale sobre sua trajetória. 

Fernanda – O meu nome é Fernanda, nasci em Porto Alegre(RS) em 1970. Formada em Direito pela PUC, conheci meu futuro marido na minha cidade natal, através de amigos em comum, em 1998. Eu estava pronta para ir para Israel quando nos conhecemos e ele logo voltaria para a Suécia. Viajei para Israel e continuamos mantendo contato. Em maio de 99, ele foi me visitar lá, e em julho do mesmo ano, vim passar as férias de verão na Suécia, quando acabei ficando. Gostei muito do país e das novas possibilidades que tinha pela frente. Depois de quatro anos juntos, casamos, tivemos uma filha, que hoje está com 12 anos, e moramos em Estocolmo.

Assim que decidi ficar aqui, comecei a estudar o idioma sueco e logo consegui um emprego de professora de português como língua materna, com o qual trabalho até hoje. Além do sueco, estudei Pedagogia e Português para Estrangeiros na Universidade de Estocolmo. Sempre me interessei por literatura e passei a ler muito em sueco também.

BPM –  Você é tradutora literária de sueco para português. Depois de quantos anos falando sueco você se sentiu segura para dar esse passo e traduzir livros?

Fernanda – Comecei a traduzir depois de estar 14 anos morando aqui.

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BPM – Qual foi o caminho para conseguir uma colocação como essa?

Fernanda – Em 2013, uma editora brasileira entrou em contato comigo perguntando se eu não gostaria de fazer um teste de tradução, pois estavam precisando de um tradutor do sueco para o português. Fiz o teste e eles ficaram satisfeitos. A minha primeira tradução foi um romance histórico sobre a Primeira Guerra Mundial (“A Beleza e a Dor, uma históra íntima da Primeira Guerra Mundial”, do autor Peter Englund, pela Companhia das Letras).

BPM -Que tipo de livros/escrita você traduz?

Fernanda – Desde então, faço traduções para diversas editoras. As obras variam entre infantil, infanto-juvenil, romance policial e romance histórico.

A tradução é um trabalho muito interessante e variado, pois dependendo do assunto, é necessário pesquisar bastante, muitas vezes em áreas desconhecidas ou pouco familiares. Por exemplo, para aquele romance histórico sobre a Primeira Guerra, tive que aprender sobre os vários tipos de granada e demais armamentos usados na época. No “A garota na teia de aranha”, havia muita terminologia usada dentro da matemática e da física. Em alguns casos, se pode demorar alguns dias até que se fique satisfeito com a expressão idiomática escolhida para determinado trecho de um livro.

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BPM -Imagino que deva ser muito gratificante, depois de todo o trabalho terminado, ver o livro nas lojas tendo o seu nome como tradutora de uma língua nada fácil. Como você se sente?

Fernanda – É muito gratificante ver a tradução publicada e sendo vendida nas livrarias e, ao mesmo tempo, dá um pouco de ansiedade, pois se sabe que a obra será lida por muitas pessoas e criticada também.

 

BPM – Que dicas você daria para os leitores que sonham/ tem vontade de se tornarem tradutores, morando fora do Brasil?

Fernanda – Para quem quer ser tradutor o fundamental é amar a leitura/literatura e ter um ótimo conhecimento da sua própria língua materna. Além disso, muito estudo e leitura na língua estrangeira. Bastante disciplina e concentração são também importantes, pois é um trabalho que exige muitas horas de dedicação à frente de um computador e prazos de entrega nem sempre muito generosos. Outro fator importante é que a tradução não pode soar como uma tradução para quem lê. O leitor precisa ser convencido de que a obra foi escrita na língua que ele está lendo, por isso todo cuidado é pouco e nem sempre se pode traduzir tudo literalmente.

BPM – Que cursos você indicaria, na Suécia, para alguém que queira seguir o mesmo caminho, como tradutora?

Fernanda – Eu recomendaria fazer o curso de sueco para estrangeiros (em um estabelecimento de ensino superior) e a licenciatura em tradução e interpretação, que várias universidades suecas oferecem.

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1 comentário

Andressa Landim Outubro 21, 2016 at 11:48 am

Faço tradução espanhol em Brasília na UnB e, gostaria de saber quais ferramentas ela usa para traduzir os textos.

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