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Protestos no Egito

Protestos no Egito.

A incidência de protestos no Egito é um fantasma que assombra residentes, turistas e governo. Entenda por que devemos ter cuidado ao nos pronunciar, politicamente, no Egito.

O Brasil retirou a Dilma do poder por insatisfação popular e protestos. Em 2016, acusada de pedaladas fiscais e créditos suplementares por funções administrativas, retiraram a então presidente do Brasil, colocando Temer no poder. O panelaço, o gigante acordou, e vem para rua, não são só 20 centavos, foram maneiras que muitos discursos encontraram de apresentar sua insatisfação e fazer suas exigências aos seus representantes eleitos democraticamente. Todo processo é discutido até hoje, enquanto o ex-presidente Lula está preso.

Começo lembrando da nossa relação com protesto, para te dar um pano de fundo de como isso funciona, aqui no Egito.

Foram esses protestos que tiraram do poder Mubarak, que esteve por 30 anos regendo o país. Um militar. Antes dele, Sadat, também militar, ficou no poder por 10 anos, e foi assassinado pela oposição. Esse cenário é bem diferente da república das bananas, em que eleições são democráticas de 4 em 4 anos.  Houve, ainda, 1 ano de regência com o partido religioso, após Mubarak – partido esse que hoje é considerado grupo terrorista, a irmandade muçulmana – mesmo com seus integrantes alegando serem pacíficos.

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Some esse cenário, com a política de não tolerar oposição e leis que proíbem protestos, intensa insatisfação popular que você vai enxergar porque quando se fala de protesto, no Egito, todo mundo fica com medo. Qualquer discurso com tendência opositora ao governo, em sites, redes sociais, em mensagens pode ser motivo para investigação e prisão.

Compara o discurso de ser de direita e esquerda com uma nação de 90% de muçulmanos, partidos religiosos, ditaduras e militarismo. Não tem como colocar a mesma gravidade, aqui!

 O RISCO DE OUTRA REVOLUÇÃO ASSOMBRA O EGITO.

A morte de Mubarak que alguns classificam como mártir, pobreza, corrupção estão dentro da panela de pressão do povo egípcio, e alguns já estão dispostos a enfrentar o risco e pronunciarem suas exigências políticas na forma de protestos.

Revolução é militares nas ruas, prisões arbitrárias, e diversos focos e motivações para protestos. É difícil dizer o que é verdade e o que não é, já que existe, como no Brasil, fake news e sensacionalismo. Vídeos da revolução de 2005, 2011, sendo publicados como atuais. A polarização, aqui, também existe, como no Brasil, mas entre religiosos e progressistas.

O Egito tinha, em 2016, mais de 60.000 presos políticos. Jornalistas, ativistas, terroristas e membros de grupos religiosos. Recentemente, em maio deste ano, o presidente concedeu o perdão para 500 desses prisioneiros – sendo 460 membros da irmandade muçulmana – que alegam ter incitado a deposição de Mubarak, sendo partido eleito após a revolução, mas deposto pelos militares.

Em 2018, 113 pessoas foram presas por tweetar apoiando um time de futebol, sátira, denúncia de assédio sexual, dar ou fazer entrevistas e editar filmes. Disseminar notícias falsas é um crime, no Egito, e quando você reclama do governo, cuidado para não estar mentindo.

A organização Human Rights Watch recomenda que o Egito permita protestos pacíficos para que o governo conheça as exigências da população. O que na prática não acontece, já que qualquer protesto e incitação a protesto é criminosa, aqui.

No dia 14 de agosto de 2013, foram mortos no mínimo 817 pessoas, em  poucas horas, durante um protesto.

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A lei de protestos vigente exige um aviso com 3 dias de antecedência para o Ministro de Interior, se for organizado algum protesto com mais de 10 pessoas.

O que estou  dizendo é que participar dessa discussão já é perigoso e arriscado. Como o cenário é bem fechado, são pessoas com opiniões fortes e dispostas a se arriscar que se envolvem em protestos, e as coisas podem escalar muito rápido para algo muito perigoso e hostil.

O Egito é um lugar muito gostoso e com pessoas como o povo brasileiro – divertido e inteligente. Existem discussões e opiniões em cafés, entre tragos de chicha, mas também existe polícia secreta, e pena capital. A cadeia, aqui, não é brincadeira. Para mulheres, é muito perigoso.

Pode ser tentador escrever, falar e discutir política de onde você está, e se envolver na sociedade é totalmente coerente. Entender e ouvir, também. Mas é bom lembrar que o Egito não é o Brasil. É bem diferente e não estamos acostumados. Não crescemos nesse regime. Porém, é necessário para garantir a própria segurança.

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