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Rede de apoio no pós-parto na Alemanha

Rede de apoio no pós-parto na Alemanha.

Eu escrevo este texto como mulher que teve duas filhas aqui na Alemanha e como Doula já tendo acompanhado outras gestantes e quero dizer o seguinte: em comparação com a estrutura de apoio à disposição da nova mãe no Brasil, a Alemanha oferece diversidade e abundância em serviços e acompanhamento e de apoio durante o Wochenbett (pós-parto). Mas para ter acesso a isso, você precisa se informar antes do nascimento do seu bebê.

Durante a gestação, o parto geralmente ganha um grande foco, seja de brilho ou pelos medos que envolvem esta forte experiência. Porém, o parto é um começo da intensa jornada materna. O pós-parto pode ser ainda mais desafiador, caso você e seu companheiro não tenham se organizado e preparado conscientemente para esta nova fase. Com isso não quero dizer que o pós-parto seja um bicho de sete cabeças, mas você, gestante, precisará de tanto cuidado, acolhimento e suporte quanto o seu bebê naturalmente precisa. É normal que surjam inseguranças, uma vez que esta nova fase da vida demandará uma nova identidade e habilidades suas. Não é só o bebê que nasce, mas também a mãe – e o pai. Por isso, busque apoio, informação e se permita buscar ajuda. Qualquer texto que você buscar na internet, seja de médicos, parteiras, ou mães terá pelo menos uma similaridade: o encorajamento para a busca de ajuda. Não somos super-mulheres. E quanto mais tentamos ser o puerpério vem com a sua dinâmica e nos mostra nossa grande fragilidade – que é bem-vinda e pode ser acolhida.

Por isso, não tenha pressa em voltar à “vida normal” – até porque ela não volta mais. O que existe é transformação! Com preparo, atenção e cuidado, você, seu companheiro e seu bebê poderão sim viver também as diversas belezas e magia dos primeiros meses juntos.

Leia também: tudo que você precisa saber para morar na Alemanha

Quanto tempo dura o pós-parto?

Isso varia de cultura para cultura. Fala-se do pós-parto imediato nos seus primeiros dez dias onde o corpo da mulher necessita de muita tranquilidade para se reintegrar e recuperar depois do parto e gestação. Além disso, novos hormônios entram em jogo para a produção do leite. Durma bastante, cuide do seu corpo. A segunda fase inicia-se a partir do décimo primeiro dia e segue até a oitava semana de vida do bebê. Ir além dos limites do corpo pode prejudicar sua recuperação, pois a musculatura pélvica ainda está frágil, por isso, levantar peso e exagerar nos movimentos do corpo não são nada recomendáveis!

 Serviços à disposição da puerpéria na Alemanha:

1. Acompanhamento de uma parteira.

Mesmo depois do parto, você tem o direito a receber acompanhamento domiciliar de uma parteira. O seguro de saúde se encarrega destes custos. E você leu certo: ela vai até sua casa! Ela observará sua recuperação física, se o útero está retornando com normalidade ao seu tamanho e posição, o estado da cicatrização caso uma sutura tenha sido feita, seja devido corte natural, episiotomia ou cesária. Com o seu  bebê, ela observa a cicatrização do umbigo, se está fazendo cocô e xixi regularmente, sua pele, faz orientação sobre a amamentação, se está ganhando peso etc. Ela pode também dar dicas sobre as dinâmicas com os filhos mais velhos – irmãos do bebê -, que também sentem as transformações na família.

Você tem direito (e não dever) a visitas diárias nos primeiros dez dias de vida. Do 11° dia até a 8ª.  semana você pode receber outras dezesseis visitas. Fora isso, oito visitas para assessoramento de aleitamento, caso necessário. Depois disso, caso ainda exista a necessidade de mais acompanhamento, a parteira tem como dar entrada no seguro de saúde e perdir mais horas de acompanhamento.

É muito importante que você e seu companheiro se coloquem na busca JÁ NA GESTAÇÃO de uma parteira competente e que combina com o estilo e necessidades de vocês.

Outra questão: ela não é visita e não espera bolo, nem casa arrumada, nem você penteada, chique e bonita. Ela precisa ver como você está de verdade, quais são suas necessidades reais, para assim poder saber como te auxiliar.

2. Visita ao médico

Se você desejar, pode fazer uma consulta ao seu ginecologista por volta de oito semanas depois do nascimento do seu bebê. O que esperar desta primeira consulta?

– Exames ginecológicos

– Controle da pressão e peso

– Exame dos seios

Aproveite esta consulta para perguntar o que você quiser, por exemplo, sobre métodos contra-ceptivos durante a fase da amamentação. Caso você já tenha tido relação sexual depois do parto e sentiu alguma dor, fale sobre isso com seu médico. Outra super dica: dependendo do seu plano de saúde, ele também cobre parte dos custos de sessões de massagens ou osteopatia, por exemplo. Algumas sessões podem fazer muitíssimo bem para seu corpo depois de toda transformação que passou durante o parto e gestação. Fale com seu médico, quem sabe ele pode te receitar essas terapias.

3. Ginástica pós-parto

A partir da sexta semana depois do nascimento do bebê, você já pode começar a frequentar um curso de Rückbildungsgymnastik. Com o foco no assoalho pélvico, os exercícios deste curso são extremamente importantes para a saúde feminina, não importando se você fez cesária ou parto natural. Estes cursos são oferecidos por parteiras especializadas nessa prática. Em alguns cursos você pode levar seu bebê junto, outros não. Seu seguro de saúde também cobre este custo.

4. Outros cursos como massagem de bebê, PekiP e outros

Aqui na Alemanha existe uma diversidade de opções para a nova mamãe se encontrar com outras mães /ou pais. Os cursos de massagem Shantala ou mais tarde Singkreis ou Krabbelgruppe podem ser boas opções para você se integrar com outras mulheres que estejam passando pelas mesmas dinâmicas que você. E sim, o seguro de saúde também paga por isso. Porém é importante você se informar sobre seu plano, pois alguns são mais limitados e outros cobrem realmente vários cursos.

5. Elternzeit

Aproveite a possibilidade de licença maternidade que a Alemanha oferece. Você pode ficar em casa nos primeiros 3 anos de vida do seu bebê, tendo sua vaga de emprego garantida, sendo que no primeiro ano você ainda recebe o Elterngeld mensalmente, no valor mínimo de 300€ e máximo de 1800€.

6. Minha dica #1: crie sua rede de apoio

Você provavelmente não tem como contar com apoio da sua família de forma direta e constante caso eles morem no Brasil. Por isso, recomendo que você se organize e veja de que maneira seus amigos, vizinhos, pais dos amigos do seu filho(a) mais velho(a) talvez possam ajudar vocês no pós-parto. Como? Talvez alguém possa buscar seu filho no jardim nas segundas-feiras; ou ir ao mercado para você… Você com certeza deve poder contar com algumas pessoas especiais!

7. Minha dica #2: super mega hiper especial

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5 comentários

Marina Bezerra Dezembro 29, 2017 at 7:25 pm

Olá Bárbara, que rede maravilhosa ❤️ oportunidade única de compartilhar amor! Você tem página no Facebook? (Procurei e não encontrei hehe) Adorei o post, Obrigada ! Namastê

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Bárbara Zimmermann Janeiro 4, 2018 at 9:46 am

Oi Marina, fico feliz que tu gostou do texto e do que sugiro ali. Tenho página no Facebook sim. É Bárbara Zimmermann – Doula Holística e Terapeuta de Leitura de Aura. Beijos

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Lucy Fevereiro 18, 2018 at 12:08 am

Olá Bárbara , me chamo lucy e estou grávida de 2 , 1/2 meses meu marido é eu queremos nos mudar pra Alemanha até junho deste ano , gostaria de saber se há algum seguro saúde que cobre parto. Ou deveremos pagar tudo ao chegar lá.? Obrigada

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Lucy Fevereiro 18, 2018 at 12:10 am

E qual seria o passo a passo de quem chega grávida na Alemanha , para garantir ser atendida com eficiência, pré natal e no parto .

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Bárbara Zimmermann Fevereiro 23, 2018 at 9:32 am

oi Lucy, parabéns pelo bebê!
Então, toda pessoa que reside aqui na Alemanha tem um plano de seguro de saúde. Este plano vai cobrir praticamente todos os custos do teu pré-natal, parto e pós-parto. O sistema de apoio a gestante costuma ser muito bom aqui, quando comparado com a realidade brasileira. O importante é tu já buscares uma parteira (chamada de Hebamme) que te acompanhe no pós-parto – e se desejares um parto domiciliar ou mesmo em casa de parto, já deves ir procurando uma parteira que te acompanhe. Por diferentes motivos as parteiras estão passando por uma baita crise aqui e muitas acabam desistindo do trabalho. Dependendo da cidade, muitas gestantes acabam ficando sem acompanhamento. Boa sorte.

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