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O vinho tcheco

O vinho tcheco.

Ze sklepa do sklepa (de bodega em bodega), como dizem os tchecos. É assim que muita gente viaja pela República Tcheca – tanto a população local, quanto quem vem de fora. É uma forma diferente de conhecer o país e as regiões que vão além de Praga. E há uma boa razão para isso.

No país europeu onde é consumida a maior quantidade de cerveja per capta por ano – mais especificamente, superando a quantidade de 140 litros de bebida por pessoa – é normal que quem viaja para a República Tcheca fique surpreendido com outra bebida muito típica e consumida no país e, ao mesmo tempo, pouco conhecida no resto do mundo: o vinho tcheco. Ele está presente na maioria dos cardápios de Praga, mas muitas vezes passa sem ser notado, já que realmente não é muito famoso no resto do mundo.

Apesar de Praga ser a cidade mais conhecida, turística e visitada da República Tcheca, para saber melhor da cultura e produção dos vinhos no país é necessário afastar-se um pouco da capital e da região da Boêmia (onde Praga está localizada) e viajar até a região da Morávia, o outro extremo do país, onde estão todos os vinhedos.

Um selo dos vinhos tchecos, pouco conhecidos mas de alta qualidade. (Foto: acervo pessoal)
Um selo dos vinhos tchecos, pouco conhecidos fora da República Tcheca mas de alta qualidade. (Foto: acervo pessoal)

O trajeto é muito bonito e agradável e quanto mais nos afastamos de Praga, mais a paisagem muda à nossa volta. É a aproximadamente 250 quilômetros ao sudoeste de Praga que encontramos essa região, que nos apresenta uma paisagem extremamente simples e rural, com muitos vinhedos e pequenos povoados pelo caminho. Devido às condições ideais de temperatura deste lugar, esta é a única região do país onde o vinho é realmente produzido (96% dos vinhedos estão na Morávia, enquanto apenas 4% encontram-se na Boêmia). É possível encontrar os vinhedos e os locais de produção por muitos lugares, mas as principais cidades são Mikulov, Slovácko, Velké Pavlovice e Znojmo. Sim, além da cerveja, a República Tcheca também é o país do vinho. A maioria das uvas cultivadas aqui são brancas e, portanto, mais de 70% do vinho produzido é branco e de dois tipos principais: Veltlínské Zelené (Grüner Veltliner) e Ryzlink Rýnský (Rhein Riesling).

A tradição de produzir e consumir vinhos já é bastante antiga e popular entre os tchecos de todas as partes do país e a cada ano são realizadas feiras e eventos para promover o consumo do vinho entre os cidadãos nacionais e visitantes. No entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido para que o vinho tcheco alcance a mesma popularidade que tem a cerveja do país, que está presente em quase todos os momentos da vida dos tchecos, diariamente.

A produção por aqui ainda é pequena, principalmente se comparada a outros países europeus que são grandes produtores de vinho, como por exemplo a França, a Espanha e a Itália, e por isso a taxa de exportação também é bem baixa. A boa notícia é que não há pressa para que este segredo seja descoberto por todos. A qualidade dos vinhos tchecos está aumentando a cada ano e, graças a isso, está cada vez mais fácil encontrá-los disponíveis em restaurantes e lojas do país, fazendo com que a cada taça os consumidores passem a considerar ir além de Praga na próxima viagem, convencidos de que a República Tcheca é também um país de vinho de muito boa qualidade.

No geral, os restaurantes do país costumam servir os vinhos tchecos e essa é uma boa oportunidade para prová-los. Além disso, nos meses de inverno há também a versão quente dos vinhos – branco e tinto (chamada svařák), vendida em bares, restaurantes, vinárna (um tipo de bar ou restaurante especializado em vinhos)  e nas feiras de rua e feiras de natal, sobre as quais eu escrevi em dezembro do ano passado. Em Praga também há feiras e festivais de vinho tcheco que acontecem todo ano – as datas variam.

Para quem vem visitar a República Tcheca e pretende ir à Morávia e à região dos vinhos, basta comprar uma passagem de trem ou ônibus desde Praga até Znojmo, que é um dos principais lugares da produção vinícola, além de ser uma cidade histórica e muito bonita. Há diversas opções de acomodação, restaurantes, visitas guidadas com degustação e passeios pelos vinhedos da região (incluindo outras cidades). Em qualquer parte do país também é possível comprar os vinhos tchecos em supermercados e lojas especializadas. Os preços são bem acessíveis e a qualidade é garantida em qualquer garrafa.

O cenário rural, com tudo “feito em casa” com muito cuidado, de estilo rústico e simples permite criar uma imagem de simplicidade, que realmente representa a realidade. Aqui não há sofisticação e a produção não tem pressa nem grandes objetivos. A quantidade de vinho produzido é proporcional capacidade de produção e da área disponível.  A diferença é que aqui, o vinho é mais uma paixão do que um negócio.

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1 comentário

Honyldo Maio 15, 2018 at 2:43 am

Isadora,
Estou retornando à Praga em setembro próximo. Você entrou no âmago da Republica. Parabéns, feliz criatura!

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