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Voltar a Buenos Aires

Voltar a Buenos Aires.

Ano passado nos mudamos. Resolvemos deixar a cidade grande para viver com mais tranquilidade no interior. Contei um pouco sobre a decisão neste post “Quando decidimos partir” e sobre a mudança, em si, neste outro “De mudança na Argentina”.

E hoje, um ano depois, faço o caminho inverso, volto a Buenos Aires. Calma, não pense que é outra mudança, venho só para resolver umas pendências e aproveito para também passear.

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Viver x Visitar

Quem vem para Buenos se encanta e pensa “ai que delícia deve ser viver aqui”. Eu já passei por isso e conheço mais um bocado de gente que passou também. E sobre esse sentimento falei no post “Diferença entre morar e estar de férias em Buenos Aires”.

Viver

Dois oito anos que fiquei na cidade, morei em dois bairros: Barrio Norte e depois Villa Crespo. Ambos eram bacanas. Práticos, tinham transporte fácil, baratos, resolviam meu dia a dia. Mas não eram os meus preferidos.

Por que escolhi viver neles, então? Como disse, por questões de custo e localização. Porque se eu pudesse realmente escolher, sem pensar em nada, eu escolheria Belgrano. É um bairro bem grande, bastante lindo, tem muita coisa boa (para ver, para comer, para sair, para comprar) e é também onde está o “Barrio Chino” (Chinatown).

Como estava longe de tudo o que eu precisava, e também era bem mais caro, ficou só no meu sonho mesmo. Quem sabe para uma próxima.

Visitar

Foi assim que veio a ideia, por que não aproveito cada ida a Buenos Aires para ficar num bairro diferente e explorar cada cantinho da cidade?

Pausa para um parêntesis: você deve estar se perguntando mas por que raios eu quero voltar a Buenos Aires se acabei de me mudar de lá? Me explico, viver no interior é maravilhoso, mas tem coisas que só se consegue na capital . . . fazer o quê?

Enfim . . .

Dessa maneira que tenho feito nas últimas vezes que vim para cá. Primeiro, foi um estúdio em Palermo; depois, na Recoleta, outro em Retiro e por último em Las Cañitas. E confesso que tem sido uma delícia conhecer melhor novas vizinhanças.

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O que mudou?

Cidades grandes são dinâmicas e mudam numa velocidade muito rápida. Por isso eu adoro. Cada visita é como se fosse a primeira. Dificilmente as experiências serão as mesmas, já que os que chegam sempre dão um novo ar a elas.

Imediatamente depois de chegar, saio para caminhar. E passar pelas ruas e avenidas que estiveram sempre tão presentes nos últimos anos sinto como se tivesse me mudado ontem. No entanto, já se passaram alguns meses e me dou conta disso quando percebo que meu ritmo já não é mais o mesmo.

Pode parecer mentira, mas já não sei mais caminhar pela cidade. Vou trombando nas pessoas, não sei bem como desviar e noto que vou mais lentamente que os demais; e que por isso tem sempre alguém atrás de mim, quase nas minhas costas, querendo passar. Tenso.

Da mesma forma, também percebo o barulho. Realmente é bem barulhenta Buenos Aires. Não que outras cidades não sejam, só eu que vivendo aqui não tinha notado.

Igualmente percebo uma sutil mudança no trato em geral. Antes, ser bem atendido era coisa muito rara; agora vejo que há uma preocupação em agradar. Ainda precisam melhorar muito, mas já vejo um começo de alguns lugares seguirem por este caminho.

Noto, também, cada vez mais imigrantes (pelos sotaques e línguas que vou escutando). E isso me dá esperança. Quem sabe os bons costumes de outros lugares, misturados aos daqui, podem deixar a queixa permanente obsoleta? Ojalá que sí!

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E por último, mas não menos importante

Você pode perguntar “nossa, mas vale a pena viajar novamente para uma cidade que você já conhece?” Muitos podem pensar que não. E eu entendo esse pensamento, afinal os pontos mais turísticos continuam sendo os mesmos, não é?

A verdade é que sim, continuam, mas como disse em outros momentos, gosto de viajar para experimentar, observar, perceber, estudar, aprender. E por mais que pontos turísticos estejam na minha lista, gosto mesmo é de explorar.

Saio a caminhar por um bairro e me perco um pouco pelas suas ruas. E nessas últimas andanças percebi que a comida também está mudando. As hamburguerias já são tantas ou mais que as pizzarias e as casas de empanadas.

Os sabores doces já não são só de chocolate ou de doce de leite. Ontem mesmo, numa sorveteria que adoro, vi que o novo sabor era o de pistache. E na padaria aqui da rua notei que havia porções de tortas, além das tradicionais brownie com doce de leite, de ricota (lembra um pouco a um cheesecake), floresta negra e maçã.

No entanto, o melhor mesmo foi ver que a nova moda por aqui são as donas! Ou melhor, os donuts (doughnuts). Sim, nada de medialunas nem alfajores, as novas lojas de doces são dedicadas exclusivamentes às rosquinhas. E estão se espalhando por toda a cidade.

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