Como é estudar em uma HBCU nos EUA

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HBCU, EUA
Jackson State University
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Você está considerando vir estudar nos Estados Unidos? Se sim, esse artigo vai abrir sua mente para um tipo de universidade que você talvez (ainda) não tenha considerado: as HBCUs, ou, “Historically Black Colleges and Universities”.

As faculdades historicamente voltadas para negros desempenharam (e ainda desempenham) um papel importantíssimo na história dos Estados Unidos. Até 1964, as HBCUs eram as únicas universidades que aceitavam afro-americanos (ou african-americans) no ensino superior. No Civil Rights Museum, localizado em Memphis, TN, há uma sessão dedicada a contar a história da luta dos afro-americanos no acesso à educação superior no país. Também no Museu, você pode assistir a um vídeo onde mostra a história de James Meredith, o primeiro homem negro que, após ter sua matrícula rejeitada duas vezes, foi finalmente aceito na Universidade do Mississippi (Ole Miss.). Se você está interessado em conhecer mais profundamente o assunto, este passeio vale muito a pena!

Voltando ao papel das HBCUs: em 1963, o então presidente John F. Kennedy iniciou a proposta de implementação de uma lei que desse a todos os cidadãos direitos iguais. Em 1964, o presidente L. B. Johnson, implementou o Civil Rights Act, que colocou fim na segregação racial em escolas, empresas, ou qualquer estabelecimento comercial e qualquer discriminação por conta de raça, cor, religião, sexo ou origem não seria tolerada.

A Lei dos Direitos Civis teve um impacto gigantesco na sociedade e, principalmente, na educação. Entre 1964 e 2012, a porcentagem de afro-americanos com mais de 25 anos cresceu de 3,9% para mais de 22% – o número de diplomas conquistados é ainda mais surpreendente: mais de 5 milhões de afro-americanos se formaram na graduação. No mesmo ano, 1964, foi quando o ativista Martin Luther King recebeu o prêmio Nobel da Paz pelo combate à desigualdade social através de ações não violentas. Os anos 60 definitivamente foram uma década importante na cultura afro-americana.

Grandes líderes e nomes bem conhecidos se graduaram em HBCUs, entre eles: Martin Luther King, sinônimo de igualdade social, se formou na Morehouse College, mesma universidade de Samuel L. Jackson e Spike Lee. Outra figura conhecida é Oprah Winfrey, formada em Comunicação pela Tennessee State University, também HBCU.

Sim! Importantes nomes da história dos Estados Unidos (e do mundo!) passaram por HBCUs, e sim, apesar do que algumas pessoas pensam, as HBCUs aceitam todos os estudantes: negros, asiáticos, latinos, afro-americanos, ou brancos. Mais ainda, várias das HBCUs aceitam estudantes internacionais (e apoiam essa diversidade!).

Algumas das mais famosas HBCUs são: Howard University, Florida A&M University, North Carolina A&T State University, Alcorn State University, Grambling State University – confira todas clicando aqui.

Minha vivência

Na Jackson State University, faculdade que frequentei por um ano, a maioria dos estudantes e funcionários são negros e são muito orgulhosos da universidade. Muitos dos funcionários são ex-alunos da própria universidade. O sentimento de pertencimento e o sentimento de devolver à comunidade (ou, ‘give back to the community’) também é bem presente no espírito dos estudantes. No Departamento de Engenharia e Ciência da Computação há negros, brancos, europeus, chineses, latinos, indianos. E há muitos, muitos estudantes internacionais. Para saber mais sobre a JSU, clique aqui.

A Jackson State fica em Jackson, Mississippi, um dos estados que mais sofreu com a chamada Jim Crow Laws, ou Leis de Jim Crow. Alguns exemplos dessas Leis no Mississippi antes de 1964 são: em 1942 foi proibido o casamento entre brancos e negros, ou asiáticos; no mesmo ano, o sistema de saúde também segregava negros e brancos; em 1956, empresas poderiam atender de formas diferentes brancos e negros. Isso para citar apenas três das diversas leis implementadas no estado, há apenas 50 anos – não faz tanto tempo assim! Apesar da Lei dos Direitos Civis, e da luta pela igualdade social, há resquícios do passado bem presente na cidade e região. O Mississippi é um dos estados mais pobres e com pouco desenvolvimento econômico se comparado a outros estados dos Estados Unidos.

Quando escolhi vir pra cá, eu pouco sabia sobre HBCUs, e não entendia a relevância e importância que essas universidades tinham no passado (e também no futuro) dos EUA. A inclusão e diversidade geram oportunidades e tornam o ambiente mais plural. E o papel dessas universidades sempre foi esse: dar acesso a educação a uma parcela da população marginalizada pelo seu tom de pele. Triste, mas real. Um espaço plural proporciona pontos de vista diferentes, propicia insights, ideias, troca e expansão do conhecimento. O papel das HBCUs vai além da inclusão dos negros no acesso à educação, mas traz à tona diversos tópicos sobre preconceito, respeito e tolerância. Há diversos workshops e palestras sobre diversos assuntos na JSU.

Caso você tenha interesse em saber mais sobre como é estudar em uma HBCU, fique à vontade para deixar seu comentário e eu terei um prazer enorme em tirar suas dúvidas!

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Mariana é de Campinas, interior de SP. Em 2010, partiu para São Paulo com a cara, coragem e seu sotaque caipira pra estudar Publicidade e Propaganda na ESPM. Depois de quase 5 anos na capital, decidiu ir pra Índia por 2 meses fazer trabalho voluntário. Voltou, morou no Rio por mais 2 anos, e finalmente decidiu seguir sua paixão por tecnologia. Atualmente faz Mestrado em Ciência da Computação na Jackson State University, no sul dos Estados Unidos. É apaixonada por inovação, viagens, poesia, e comida brasileira. Tem um blog, onde escreve sobre suas impressões de mundo, viagens, e mulheres em Ciências da Computação.

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