Egito – Natal em janeiro

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O título desse post pode soar estranho, afinal o Egito é um país muçulmano e, portanto, não deveria celebrar o nascimento de Jesus. Mas, como já contei aqui no blog, existe uma população cristã que gira em torno de 10% dos seus habitantes, que sim, celebram o Natal.

Agora, você deve estar se perguntando por que esse post está tão atrasado, uma vez que o Natal já foi celebrado há quase duas semanas. E na verdade, não estamos atrasados. É que o Natal no Egito foi celebrado em 7 de janeiro. Os egípcios são cristãos coptas e, assim como alguns ortodoxos (Rússia e Sérvia), acreditam que essa seja a data da celebração. O dia 25 de dezembro é um dia completamente normal como todos os outros, estando aqui você até se esquece que o resto do mundo está em festa.

Como já comentei aqui no Brasileiras pelo Mundo, a família do meu esposo e a grande maioria dos meus amigos são muçulmanos, e para eles o dia 7 de janeiro não passa de um feriado para descansar e uma boa oportunidade para tomar uns vinhos (por mais que o Islã condene bebidas alcoólicas, a verdade em muitos casos é essa). Então, pedi a minha amiga egípcia cristã, Cherrie Krezzaa, uma ajuda para o post de hoje.

Ela conta que o mês que antecede a data é chamado de Kiakh e possui uma rotina especial, na qual aos sábados à noite cantam músicas de louvor e às 5 da manhã dos domingos frequentam a missa. Além disso, para eles esse é um mês de sacrifício e da última semana de novembro até ontem, permaneceram em jejum de qualquer alimento que tenha origem animal. Passam mais de um mês em dieta vegana, que é chamado de “jejum sagrado da natividade”.

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Igreja Copta no Cairo – Foto: arquivo pessoal

Muito comuns durante essa época são os corais de Natal. E mesmo sendo de uma família muçulmana, recebemos sempre convites para assistir e participar. Grande parte das músicas são em adoração a Jesus, o agradecendo pelo ano que finda e pedindo bênçãos para o próximo ano.

Cherrie me conta também que o Cristianismo Copta ensina a doação e o sacrifício, e o mês que precede o Natal deve concentrar todos esses valores. Assim sendo, o Papai Noel é capaz de personificar todas essas virtudes e é o maior exemplo de doação para eles. Afinal, o famoso velhinho é conhecido também no ocidente por sua generosidade e doação aos mais pobres e necessitados.

Entretanto, “Baba Noel” como é chamado aqui, não poderia ser seletivo entre cristãos e muçulmanos, o que faz com que a tradição se estenda de uma certa forma aos muçulmanos. Não com a mesma magia, pompa e circunstância que tem no Brasil. No geral, os presentes são simples, apenas simbólicos. E como conta meu marido, o próprio pai dele o entregava dizendo que foi Baba Noel que enviou. Quando ele passou o primeiro Natal no Brasil, ficou estupefato com a magia que ele envolve, o quanto as crianças esperam e como elas acreditam nele e, inclusive, como os presentes são caros.

Aqui ele também não vem pela chaminé, afinal, casa quase nenhuma a possui. Os egipciozinhos esperam que ele venha escalando o prédio e deixe o presente na janela. Mas… para receber o pedido, devem deixa um kark para o bom velhinho. Kark é um biscoito tradicional de Natal com açúcar de confeiteiro por cima. Nas vésperas de Natal, recebemos karks frequentemente como presente de amigos cristãos. E, na verdade, a Grécia tem a mesma tradição. Só que quando eu morava lá, eu comia bem mais do tal biscoitinho, afinal lá todo mundo é cristão e faz questão de te presentear com um prato cheio deles.

Para ser sincera não sou muito fã do kark, mas como sou uma entusiasta de Natal e adoro tradições natalinas, amo receber um pratinho, principalmente por ser um motivo para interação entre os vizinhos, amigos e colegas de trabalho.

O Baba Noel e as típicas decorações natalinas, verdes, vermelhas e douradas podem ser vistas para todos os lados no Egito, assim como no Brasil, Europa e demais países de maioria cristã. Apesar de o Egito ser de maioria muçulmana, é possível vivenciar o clima natalino.

Na noite de Natal os cristãos ficam nas igrejas até a meia noite, onde rezam por horas. À meia noite, vão para casa e como o dia 7 marca o fim do jejum, fazem a refeição de Natal com toda família reunida, muita carne, frango e peru. De sobremesa, é claro, comem kark e chocolate.

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