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Adaptação no Egito

Dando continuidade ao bate papo do mês passado, e como prometido, o tema desse mês é sobre a adaptação no Egito. Já relatei aqui e no meu blog pessoal que a minha, não foi nada fácil. Muitas são as razões que fazem cada brasileira mudar para o país, e esses motivos muitas vezes impactam diretamente no tipo de vida que levará.

No meu caso, me mudei por me casar com um egípcio, e o que tornou tudo muito complicado foi o fato de morarmos em um bairro local, considerado de baixa renda, com praticamente nenhum estrangeiro. Além de me sentir um bicho de zoológico ao sair na rua, por não usar o véu, atraio muita atenção e assédio. A verdade, é que em todo esse período morando no Egito, eu nunca sai sozinha, nunca mesmo. Isso poderia ser totalmente diferente se eu morasse em um dos bairros considerados internacionais, na qual eu poderia ter uma rotina de vida normal, ou se me rendesse a usar roupas que condizem mais ao bairro onde moro, como abaya (aquele vestidão) e véu. Mas se fizesse isso, sentiria estar abrindo mão de ser eu mesma.

 

Além disso, por morar com minha sogra (estamos aguardando nosso apartamento ficar pronto), a cultura dentro da minha própria casa é totalmente egípcia, o que torna as coisas bem cansativas depois de um tempo.

A Regiane Oliveira que mora aqui há quatro anos, compartilha de parte dos meus problemas, “A adaptação foi um pouco difícil principalmente porque cheguei num período complicado, poucos dias antes da revolução de 30 de julho de 2013. Raramente saio sozinha, mas se precisar tem que ser com Uber ou táxi. Mas a maior do tempo, meu marido me leva de carro.”. Outra coisa que ela ressalta, é que quem vai morar no Egito precisa avaliar a vida que terá no país. Como eu disse anteriormente, onde você vai morar e em quais condições podem fazer uma experiência totalmente diferente da outra. “Quem pensa em se mudar para o Egito precisa se informar muito sobre o país e particularmente sobre a vida que vai ter aqui, como é o lugar onde vai morar e as reais possibilidades de encontrar trabalho ou não”.

A dica é válida, e foi o que fez a Danielle Lopes não passar pelas mesmas dificuldades que muitas de nós, segundo ela “a adaptação foi tranquila, porque me preparei durante um ano, antes de vir.”.

Mesmo sabendo disso, em alguns casos, o choque cultural ainda é grande, como aconteceu com a Silvia Abdelmawgoud. Ela teve uma adaptação difícil no país, a ponto de sofrer depressão. “Meu marido trabalhava numa Companhia Marítima Alemã e passava muito tempo no mar. Foi um período muito difícil para mim.”, conta ela.

Já o motivos que fizeram a Mayara do Carmo ter dificuldades de se adaptar são bem diferentes, mas também uma constante reclamação das brasileiras no país, “Já fazem dois anos e meio que estou vivendo aqui. A adaptação não foi fácil principalmente no sentido de organização e limpeza urbana, não me acostumo nunca com esses fatores.”, disse ela. “Sei que é um país subdesenvolvido, e devido a isto, uma boa parte da população tem pouco senso de limpeza.”, reforçou a Monique Alves. Mas como a Helena Souza conclui: “O Egito tem suas dificuldades, é um pais pobre, a saúde é cara, a higiene é pouca, mas em relação a se sentir em família eu tenho muitos irmãos e irmãs que sempre me apoiaram e apoiam quando preciso.”. Tudo tem seu lado positivo e a receptividade dos egípcios é uma delas.

A Nane Aragão concorda que “o povo egípcio é muito “brasileiro” no jeito receptivo e amigável.”. Mesmo tendo sofrido ataques na vizinhança onde morava por ser estrangeira, ela ressalta que esse é um comportamento totalmente atípico no país, “no geral, as pessoas respeitam e te aceitam bem”. Se por um lado, eles são calorosos, por outro, criar relações verdadeiras com indivíduos tão diferentes de nós, pode ser um desafio. A Marina Guedes, teve dificuldades em sua segunda vez no país, quando de fato foi morar no Cairo, da primeira vez havia feito um intercâmbio. “A adaptação da segunda vez foi muito difícil, não consegui fazer tantas amizades quanto na primeira vez. Apesar dos egípcios serem bem calorosos e receptivos, são muito diferentes, as atitudes e reações. Então as vezes era difícil entender como a cabeça deles funcionam.”, conta ela. A Marina ressalta também uma coisa muito importante, a diferença entre visitar e morar no país, “existe uma grande diferença entre morar no Egito e fazer um intercâmbio social de 2 ou 3 meses, que foi o que fiz da primeira vez. Foi tudo maravilhoso, eu estava mais conhecendo o país do que vivendo ele. Mas da segunda fui trabalhar, e foi muito diferente.”. O mesmo aconteceu comigo, quando fui a turismo achei tudo lindo e maravilhoso e subjuguei minha capacidade de me adaptar ao cotidiano no país, quando me vi morando no Cairo, a coisa mudou de figura, e as dificuldades começaram, dentre elas, o assédio como comentei.

Apesar da Monique morar em Hurghada, uma cidade bem mais aberta do que o Cairo e de influências internacionais devido à grande quantidade de russos e alemães, não a poupa de passar pelo mesmo. “Ainda me sinto incomodada com o assédio e já até comprei um lenço pra usar hijab quando eu não quiser ser incomodada.”.

Para quem quer se resguardar nesse sentido, a Helena Souza tem dicas preciosas: “Aconselho que tente aceitar a diferença cultural e respeitar, não necessariamente você precisa usar véu, mas seja modesta na sua vestimenta. Não sorria para homens estranhos ou olhe-o nos olhos, e não ofereça para pagar a conta do restaurante quando está com um amigo egípcio, pois isso os envergonha.”.

Para quem teme sentir saudades de hábitos brasileiros, a Nane Aragão lembra que “tudo pode aqui, desde que no lugar e com o valor certo”. Não adianta tentar forçar certos hábitos perante a locais, mas sempre existirão redutos onde os estrangeiros se encontram e onde a cultura ocidental tem mais aceitação.

“Digo as meninas que queiram vir para casar que nunca deixem de ser vocês, nunca esqueçam seus costumes e idioma. A pior coisa, é ver brasileira se fantasiando de egípcia, cada um no seu quadrado. Não é por que estamos em outro país que vamos deixar de ser quem somos. Respeitar a cultura deles não é suprimir sua personalidade. Se o rapaz quisesse uma com jeito de egípcia teria se casado com uma. Pensem bem, o Egito é muito diferente do conto das 1001 noites.”, aconselha a Nane Magosse.

E resumindo o principal conselho de todas nós: “Vem de peito aberto para vivenciar esse mundo de diferenças, cores e poeira.”, finaliza a Nane Aragão.

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1 comentário

Deuzilande Junho 2, 2019 at 11:11 pm

Estou casada e morando Egito a um mês mas já vim aqui duas vezes antes de descidir ficar aqui ,meu esposo é egípcio e policial estou em fase de adaptação

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