Peru – O cânion de Colca

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Um dos lugares mais bonitos que já visitei aqui no Peru é o famoso “Vale do Colca”, um cânion formado pelo rio Colca, localizado a cerca de 160 quilômetros a noroeste da cidade de Arequipa, onde vivo.

O Colca é um dos maiores destinos turísticos do Peru, e o terceiro mais visitado pelos turistas no país.

O cânion de Colca tem uma profundidade de 4160 metros e é duas vezes mais profundo que o Grand Canyon, nos Estados Unidos. Para chegar até lá, saindo de Arequipa,  são 3 horas de ônibus, e a passagem custa em média 15 soles (moeda local).

No caminho é possível ir admirando a paisagem atravessando o deserto de Arequipa, pois não é muito comum encontrar paisagens verdes como no Brasil. É um deserto mesmo aqui, com grandes paredes de pedras que se dividem para dar espaço à estrada.

Ao longo do trajeto percebe-se a mudança na altitude. A 4.910m acima do nível do mar, alguns turistas sentem essa diferença e chegam a passar mal, a ter falta de ar, uma vez que o clima seco atrapalha a respiração. A solução é comprar balas de coca, vendidas em pequenos armazéns, especialmente para aliviar esse mal de altitude. Eu não tive problema com isso, foi tranquilo para mim, mas sempre costumo levar um remedinho chamado Grabol, vendido por aqui para qualquer eventualidade.

Em um determinado momento da viagem, pode-se avistar as alpacas e lhamas que estão pelo caminho; algumas passam correndo na frente dos ônibus e assustam os motoristas, que já estão em alerta para evitar acidentes. São dezenas desses animais pela estrada, algumas bem grandes, outras ainda filhotes, e é possível tirar fotos. Dai a multidão de turistas tirando selfies. São lindos esses animais, e alguns donos capricham e chegam a colocar brincos, a enfeitá-las com artesanato para atrair os turistas, que trocam fotos com os animais por gorjetas.

Não posso deixar de comentar sobre o frio e o vento gelado durante a viagem. Em algumas partes da estrada é possível encontrar neve; mais uma oportunidade para tirar bonitas fotos, porém isso só ocorre em alguns meses do ano, quando o frio é maior.

Seguindo em direção ao vale, a estrada é bem estreita e passamos ao lado de abismos; dá um certo medo olhar pela janela e ver aquele imenso abismo ao nosso lado. Qualquer distração do motorista pode ser fatal.

As paisagens me encantam; a cada momento o cenário muda, as cores mudam, parecia estar em um outro planeta.

Logo chegamos ao Colca, ao cânion.

Essa viagem é ideal fazer de madrugada para chegar bem cedinho.

A parte mais divertida de visitar o Colca, é quando visitamos o mirante “A Cruz del Condor” neste lugar conseguimos ver o Condor andino, que é a maior ave em envergadura do mundo, medindo até 3,20 m. Também é a ave mais pesada a conseguir voar, e essas aves voam bem pertinho das pessoas, é um momento emocionante. Para avistar essas grandes aves, temos que chegar bem cedo, por que elas fazem seu maravilhoso vôo por volta de 6 horas da manhã.

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Créditos: Jessica Soares

Depois de contemplar o condor, é hora de explorar as trilhas de colca e caminhar por essa linda paisagem. Eu, que gosto de tranquilidade, consegui passar momentos relaxantes; me sentei à beira do cânion, olhando sua profundidade, e longe do caos da cidade, eu apenas escutava o som da natureza. Nesse momento é possível refletir sobre a mais bonita criação de Deus: o nosso mundo, que foi criado com todo cuidado e detalhes.

Depois de tudo isso, toda mulher merece um tempo de compras, então fomos em busca de artesanato peruano e lembrancinhas para levar para casa.

Ao conversar com o guia, descobri que o nosso rio Amazonas nasce aqui no Peru, em Arequipa, mais precisamente no Colca.

Piscinas de águas quentes

Terminando o passeio pelo Vale do Colca, fui a um pequeno povoado chamado Chivay.  É em Chivay que os turistas vão para descansar e dormir.

Esse povoado é bem conhecido, pois é nele que estão as piscinas de água quente, “La Calera”. Os banhos nestas piscinas possuem propriedades curativas contra dores musculares e dos nervos. A água vem de um rio subterrâneo que passa pelo centro de um vulcão inativo, cuja as águas chegam a ter temperaturas que alcançam os 60° C, e entre seus componentes estão diversos minerais como o potássio, sódio, cálcio e magnésio, entre outros.

São cinco piscinas grandes, umas cobertas e outras abertas, um lugar perfeito para curar dores, além de relaxar, tomar sol e nadar.

Para fazer uso dessas piscinas eu paguei 15 soles, o equivale a mais ou menos 15 reais. Na minha opinião, é um lugar maravilhoso, que com certeza voltarei a visitar. Neste lugar também há um pequeno museu e uma ponte, onde consegui tirar várias fotos e aproveitei para passar um momento romântico com meu esposo.

Já regressando para o centro de Chivay, me hospedei em um hotel onde os preços são em média 50 soles por noite, e aproveitei para desfrutar de esta pequena e tranquila cidade.

Fica aqui minha sugestão para quem quiser visitar o Peru.  Foi uma experiência encantadora!

 

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Jéssica é paulista de São Vicente, litoral do estado. É formada em Jornalismo e Web Designer. Mora com o marido peruano desde 2015 na cidade de Arequipa, no Peru, onde desenvolvem trabalhos sociais através de uma comunidade cristiana chamada Bola de Nieve. Adora dançar, praticar esportes e viajar. É apaixonada pela natureza e pelos animais. Do Brasil, o que mais sente saudades é da sua família, do clima e das praias.

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