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10 hábitos que adquiri na Polônia

Hoje resolvi listar 10 hábitos que adquiri na Polônia. Não são necessariamente hábitos poloneses, mas fato é que sim, eu acabei revendo certos conceitos e os incorporei à minha rotina. Vamos a eles?

Deixar os sapatos na porta

Fonte: pixabay.com

Vou abrir a lista com esse clássico, pois ele é um costume válido praticamente na Europa inteira. Portanto, na Polônia não seria diferente, claro. Eu adotei isso de imediato, devido à praticidade e à higiene. E para minha surpresa, agora eu faço isso quando estou no Brasil também, de tão incorporado que ficou à minha rotina, além de ter sempre pares de chinelinhos extras para as visitas que chegam em casa.

Consumir chá

Fonte: pixabay.com

Este outro clássico do choque cultural também faz parte da minha lista. Antes, o hábito de tomar chá estava ligado ao fator doença. Dor de barriga, chá de boldo; dor de estômago, chá de cidreira. Nunca pensei em minha vida ir a uma loja de chá e escolher algo a granel, meus sabores e aromas favoritos. Lógico que esta é uma prática oriental milenar, que chegou à Europa com os ingleses e espalhou-se pelo Velho Continente. Os poloneses consomem muito chá, assim como nós consumimos o nosso cafezinho. Agora, eu divido minhas duas paixões: a antiga e a nova.

Comer menos doces

Fonte: pixabay.com

A Marcela falou há algum tempo um pouco sobre o choque cultural dos brasileiros com relação aos doces – não tão doces – europeus; no caso dela, na Alemanha. Nós, em geral, amamos doces. Eu mesma era uma formiga assumida. Comia doce de leite, Nutella, leite condensado na lata, de uma tacada só. Porém, em minha última viagem ao Brasil, recentemente, eu não achei mais nossos doces tão maravilhosos assim. O chocotone, achei extremamente doce; os iogurtes, mais doces do que encontro aqui. Até meu cafezinho (do item acima) está no recorde dos cubinhos/colherzinhas (o que inicialmente, eram 5 ou 6 colheres de açúcar “europeu”, ou seja, não oriundo da cana de açúcar, como o nosso). Realmente, uma mudança e tanto, mas ok, quando vou ao Brasil não resisto a um caldo de cana.

Mudar a relação com o alimento

Fonte: Manki Kim, Unsplash.

Neste item entram vários subitens: usar mais marmitas (o que também já fazia no Brasil), fazer compras pequenas e quase diárias nos supermercados (aqui praticamente não existe esse conceito de compra do mês), e também, pedir para levar as sobras do que não consumi no restaurante. As porções aqui, na minha opinião, são bem fartas. Quase sempre não consigo terminar o meu prato, ainda mais que é hábito do polonês consumir sopas – deliciosas e irrecusáveis, por sinal – antes do prato principal. Por isso, não há como mandar para o lixo o que não se consome. O que poderia ser considerado “vergonhoso”, na verdade é uma atitude consciente e responsável. Aliás, a relação com o não desperdício e reaproveitamento é algo presente na cultura polonesa como um todo merece um texto à parte.

Agendar visitas

Foto: Nani Williams, Unsplash.

Este item foi um dos mais chocantes. Também não está necessariamente relacionado a um hábito polonês, mas europeu. No Brasil costumamos ligar – ou não – em cima da hora avisando que vamos “dar uma passadinha aí”. Eu demorei um pouco para entender isso aqui, quando tentava visitar os parentes e também amigos próximos. Pensava sempre: “Nossa, será que fiz/falei algo de errado?” Bem, eu venho de uma família nordestina, então, já viu o choque para mim. É como se por mais intimidade que tenhamos, isso não nos autoriza a “invadir” o espaço do outro, entende? Não chega a ser uma formalidade, é mais uma conveniência, no me ponto de vista. Eu adotei isso agora, e hoje acho o máximo estar preparada para receber minhas visitas queridas e também não vejo problemas se alguém fala que não pode receber minha visita, é só uma questão de agenda.

Outro hábito que não carrego mais é o de visitar recém-nascidos ainda no hospital, sobretudo se não for da família ou uma amiga muito íntima. Agora espero pelo menos uns 4 meses para fazê-lo, em respeito à mãe e para evitar contato com o bebezinho ainda frágil. Este é o tempo da família se adequar ao bebê, e não para visitas. Bem, pelo menos, agora eu penso assim.

Dar menos abraços e beijinhos

Foto: Priscilla Du Preez, Unsplash

Ahhh nossa efusividade ao cumprimentar, a facilidade em falar, fazer amigos do nada. Bem, não mudei muito – nem teria como, pois isso faz parte de mim-, mas realmente, diminuí bastante o contato físico, principalmente com desconhecidos/pessoas que acabei de conhecer. Aprendi a respeitar o espaço corporal do outro. Agora, ao conhecer alguém, é um aperto de mão, e às vezes, nem isso.

Eu também tinha o hábito de falar com as pessoas tocando nelas. Só depois de um tempo aqui percebi o quanto isso poderia ser irritante, pois até amigas brasileiras minhas que moram aqui reclamavam! Passei a usar mais o “Pan”, “Pani” (Sr. e Sra.), a não puxar assunto com alguém em qualquer lugar, ou simplesmente me oferecer para pegar a bolsa no ônibus (pois isso aqui, não existe).

Como percebi isso tudo em mim? Em minha última viagem ao Brasil vi que era mais reservada com os outros, como se estivesse na Polônia. Bem, isso também faz parte do processo de aculturação e absorção de uma nova cultura, não tem como fugir.

Ser mais pontual

Foto: Lukas Blazek, Unsplash.

Outro clássico da sobrevivência na Europa. Este item vai causar estranhamento a quem me conhece de tempos remotos. Sim, eu era a clássica “atrasilda“. Uma amiga me deu até o carinhoso apelido de “pau de enxurrada”, pois onde eu via uma pessoa conhecida, eu parava para conversar, me atrasando, obviamente. Marcar algo comigo era para, pelo menos, esperar 1 hora ou mais. Mas verdade seja dita: não dava para confiar nos horários do transporte em São Paulo, sem contar o inevitável trânsito. Não tinha um compromisso que eu pudesse chegar no horário.

Hoje em dia, posso dizer que sim, sou outra pessoa. Ainda cometo alguns atrasos, mas na maioria das vezes, eu chego antes e espero os outros. Isto sim que é uma verdadeira mudança!

Não ligar excessivamente para a aparência

Fonte: pixabay.com

Acho que este item vem mais com a maturidade, do que com a questão cultural. Eu vivia preocupada com unhas, cabelo, depilação, corpo, sair sempre maquiada. Hoje em dia eu faço, mas só quando quero e não deixo de fazer coisas por causa disso, como era antes, no Brasil. O fato é que, embora muitas polonesas (e poloneses) deem valor à estética – (muitas vezes estão arrumada(os) e maquiadas) – você também vai ver muita gente desencanada com relação a isso. Creio que este é um padrão europeu, mesmo, pois a cultura brasileira cobra muito da mulher nesse sentido, sobretudo em outro fator: o envelhecimento, especialmente das mulheres. Vale conferir a ótima análise da Cristiane sobre a vaidade aqui.

Abolir o cartão de crédito

Fonte: pixabay.com

Acho que este foi um dos hábitos mais significativos que adquiri. Quando morava no Brasil era uma pessoa não muito consumista, mas meu dinheiro nunca rendia. Tinha pelo menos uns 3 cartões de crédito, alguns cartões de loja e muitas dívidas; tinha caído no rotativo.

Percebi o quão profundo era esse círculo vicioso ao me mudar para cá e pasmem, viver sem o cartão de crédito. Tenho alguns cartões de lojas, mas diferentemente do Brasil, eles aqui servem para se ter descontos. Hoje compro tudo à vista, consigo juntar dinheiro, peço desconto, pesquiso e o mais importante, compro só o que preciso. Bem, este será meu próximo desafio: ser menos consumista e adotar um estilo de vida mais minimalista.

Desacelerar, simplesmente

Fonte: pixabay.com

Sair de uma cidade de 12,4 milhões, cuja área metropolitana ultrapassa a marca dos 21 milhões de pessoas, o que é basicamente a metade da população da Polônia, foi realmente um divisor de águas em minha vida. Confesso que não moraria em outras cidades polonesas menores, pois já considero a capital pequena/mediana.

Aqui em Varsóvia encontrei tempo para mim após sair do trabalho, não me estressando no trânsito ou me cansando para cruzar a cidade. Aprendi a parar num parque simplesmente para ler, sentir a natureza, admirar a vista, fazer caminhadas e contemplar o Rio Vístula que tanto amo. Hoje, quando retorno a São Paulo, me canso no primeiro dia, pois a diferença é gritante mesmo, mas nada que me afete, pois eu agora sou turista na minha cidade, então, só desfruto do melhor.

Bônus: Viajar mais

Foto: delfi de la Rua, Unsplash.

Dos meus mais de 30 anos no Brasil, conto nos dedos de uma mão quantas viagens eu fiz por lá. Hoje, com mais tempo livre, organização financeira e minha mudança de hábitos me ajudaram a fazer o que mais gosto na vida: viajar. Aproveito feriados, finais de semana ou qualquer outra ocasião. Aprendi que não é preciso gastar muito para viajar, pois o importante não são fotos em pontos turísticos, lembrancinhas ou qualquer outra coisa para os outros verem, mas o prazer de mergulhar em cada lugar que visito. Guardar na memória esses registros e carregar na mala um pouco da história e do povo desses lugares. A cada nova viagem, novas mudanças e uma nova Vivian. Isso para mim, não tem preço.

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2 comentários

Simone Pereira Março 13, 2018 at 9:33 pm

Concordo. Alguns destes hábitos, como voce mencionou, a gente adquiri morando na Europa. Alem dos hábitos que voce mencionou, um dos hábitos que adquiri na Polônia foi de levar bebida ou chocolate quando visito alguém.

Resposta
Vivian Kulpa Março 13, 2018 at 11:39 pm

Olá, Simone

Bem lembrado! Na verdade eu já fazia isto no Brasil quando ia visitar alguém, mas aqui é muito mais forte mesmo.

Muito obrigada pelo seu comentário, continue nos acompanhando.

Abs,
Vivian

Resposta

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