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150 anos de Canadá! Devemos celebrar?

Então o Canadá está completando 150 anos! As comemorações estão por toda parte, principalmente depois de 01 de julho, data oficial do início da Confederação do Canadá. A Confederação passou a existir com a assinatura do Ato da América do Norte Britânica de 1867 por quatro províncias (Ontário, Quebec, Nova Scotia e New Brunswick). Hoje o país é composto por 10 províncias (Alberta, Colúmbia Britânica, Manitoba, Nova Brunswick, Terra Nova e Labrador, Nova Escócia, Ontário, Ilha do Príncipe Eduardo, Quebec e Saskatchewan) e 3 territórios (Territórios do Noroeste, Nunavut e Yukon).

Na narrativa deste mês trago para vocês um pouco sobre a história deste país, carregada de imigrantes e de relações não tão bem resolvidas com as comunidades indígenas daqui. Juntos vamos pensando sobre os muitos desafios que ainda estão por vir.

Política

Politicamente falando, o Canadá é uma democracia parlamentarista e uma monarquia constitucional – ou seja, a rainha da Inglaterra é também rainha do Canadá (eu quase caí pra trás da cadeira no dia em que descobri isso). Ela rege, mas não governa: delega poderes a um Governados Geral.

Um grande problema lá pros idos do passado era que para fazer qualquer emenda na Constituição do Canadá (o Ato da América do Norte Britânica) era preciso acionar o Parlamento Britânico. Em 1982 a constituição foi “patriada”, isto é, os canadenses foram autorizados a fazer emendas à Constituição no Canadá.

Eventos

Se você mora ou está a passeio no Canadá, fique esperto/a que provavelmente deve ter algum evento perto de você em relação aos 150 anos – festivais de artes, cultura, exibições, eventos de esportes. Por exemplo, a organização Parks Canada anunciou que vai fornecer passes livres para os parques nacionais, locais históricos e áreas de conservação marinha – os passes estão disponíveis no site até o final do ano.

FIRST NATIONS

Fonte: Pixabay

Em Vancouver, as comemorações estão sendo chamadas de Canada 150+, em reconhecimento aos povos indígenas que estavam por aqui muito antes da chegada dos ingleses – Musqueam, Squamish e Tsleil-Waututh. Estes povos originários muitas vezes se sentem desconfortáveis com as comemorações dos “150” anos de Canadá – relembram que essas terras foram na verdade invadidas e ocupadas e que celebrações como esta narram de forma excludente e marginalizada a formação do Canadá.

A história dos embates First Nations x governo no Canadá não são novidade e remontam a políticas como as escolas residenciais para crianças, que removiam forçadamente crianças indígenas das suas famílias, para serem “civilizadas”.

Ao menos em Vancouver, houve a preocupação em trazer as First Nations para o debate. Dentre os eventos previstos na cidade, tem o festival de música “The Drum is Calling”, a jornada “Pulling Together Canoe” – na qual 30 canoas com indígenas, funcionários públicos e esportistas remam durante 10 dias entre a Sunshine Coast até a cidade de Vancouver – e a caminhada pela Reconciliação em setembro.

Imigrantes

O Canadá tem assim uma história que remonta mais de 14.000 anos atrás. Mas a sua formação populacional atual conta não apenas com britânicos, franceses e povos originários. De acordo com o órgão Statistics Canada, desde a época da Confederação, mais de 17 milhões de imigrantes vieram para o país (são considerados imigrantes aqueles que tem autorização para viver permanentemente no país mas não são cidadãos canadenses).

O número de imigrantes que chegam ao país anualmente tem variado bastante nesse 150 anos. Por exemplo, no final do século XIX, o número de imigrantes admitidos anualmente pelo Canadá variava entre 6.300 a 133.000. O início do século XX foi marcado pela expansão do Canadá Ocidental (a parte mais perto do Pacífico, como a província de British Columbia). Durante a primeira e segunda guerras mundiais poucos foram os que vieram para cá. Os níveis recordes de imigração foram durante graves crises humanitárias, por exemplo, em 1956-57 37.500 refugiados húngaros chegaram ao país.

Desde a década de 90, o número de imigrantes tem se mantido relativamente alto, com uma média de aproximadamente 235.000 novos imigrantes admitidos por ano – o que tem tornado o Canadá um alvo cada vez mais almejado para aqueles que querem deixar seu país de origem em busca de uma nova vida.

Os países de origem dos imigrantes tem mudado bastante nos últimos 150 anos. No passado, a maioria dos imigrantes vinha de países europeus (a maioria das ilhas britânicas). A primeira onda de imigração foi no final dos 1800s, com a chegada de imigrantes do leste europeu (Rússia, Polônia e Ucrânia). Depois da segunda guerra, os imigrantes vieram em sua maioria da Europa ocidental (Alemanha e Holanda) e Europa do Sul (Itália, Grécia, Iugoslávia e Portugal). Em 1971, 51% dos imigrantes tinha nascido em países europeus (sem considerar o Reino Unido).

A partir da década de 60, o Canadá começou a se abrir para a chegada de imigrantes mais diversificados: a partir das mudanças na legislação de imigração, o número de imigrantes vindos da Ásia começou a crescer – foram 225.000 imigrantes de Hong Kong nos últimos 10 anos, 800.000 imigrantes chineses, indianos e das filipinas nos anos 2000. Agora, a Asia é o continente que mais aparece como origem da população imigrante. A proporção latino-americana também tem crescido nos últimos anos: a América Central e do Sul são a região de origem de mais de 400.000 imigrantes.

Esses dados se traduzem em impressões fortes quando você chega ao país. Quando aterrizei em Vancouver pela primeira vez, em 2012, achei que tinha pegado o vôo errado e parado na China – as placas do aeroporto estão em inglês, francês e mandarim! Vir morar no Canadá significa estar aberto a conhecer, estudar e trabalhar com pessoas do mundo inteiro, que falam diferentes línguas e tem diferentes referências culturais. No meu último curso na universidade, éramos eu de brasileira, um iraniano, um britânico, um polonês, um islândes, uma chinesa, uma moça do Hong Kong, uma filipina, uma norte-americana e um canadense!

Enfim, o Canadá é um país multicultural, o que não significa que foi tudo sempre harmônico, seja com os povos originários, seja com os próprios imigrantes (havia severas restrições como, por exemplo, o tipo de profissões que os imigrantes podiam exercer). Mas vale a pena pararmos e refletirmos o que representaram esses 150 anos, como fazemos parte dessa história e como podemos celebrar e questionar juntos.

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