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Holanda

5 dicas antes de mudar para Holanda

A minha chegada aos Países Baixos foi repentina devido a soma de alguns fatores, como desemprego do marido + convite de novo trabalho + crise no Brasil = mudança para Holanda. Tive pouco mais de dois meses para fazer um bazar com todos os meus móveis, contratar uma empresa de mudança internacional, cancelar todos os contratos de pagamento fixo, alugar o meu apartamento, providenciar teste de sorologia e passaporte para a cachorrinha de estimação, fazer check up e descobrir a necessidade de uma cirurgia de varizes emergencial, e ainda ganhar fôlego para fazer um encontro de despedida com as amigas. Ufa!!! Cansei só de relembrar.

Mudar de país com o marido, duas crianças pequenas (6 e 4 anos) e uma cadelinha não é um processo fácil, mas se torna possível quando estamos dispostos a executá- lo. Porém, após passar por essa experiência, me considero apta a dar alguns conselhos. Diz o velho ditado popular: “Se conselho fosse bom não se dava, vendia”, mas irei dar conselhos assim mesmo. Talvez a minha experiência possa ajudar alguém que esteja a caminho, de mala e cuia, para a Terra dos Moinhos.

Poderia listar vários conselhos, contudo irei destacar apenas 5 que considero importante você saber para se preparar antes de vir para cá:

1 – Estações do ano

Morar num país com 4 estações definidas é maravilhoso, pois transforma a sua percepção do belo. Você começa a dar valor ao nascimento de uma flor, ao raio de sol, à folha seca das árvores, à chuva e até à chegada da primeira neve. Porém, a insanidade da previsão do tempo na Holanda, onde no mesmo dia temos todos os fenômenos atmosféricos, pode acabar com essa beleza. Sendo assim, o meu primeiro conselho é: se puder escolher, faça a mudança na estação que mais lhe agrada, para que não ocorra um choque inicial de adaptação. Eu saí de 35°C para – 4°C;  acreditem, a primeira crise de adaptação foi física.

Na primavera, você irá ver flores por todos os lados, plantação de tulipas dignas dos quadros de Van Gogh, temperaturas mais amenas, e a natureza florescendo com toda a sua elegância.

No verão, sentirá a alegria e agitação desse povo. Tudo se transforma; festivais, parques, praias lotadas e holandeses reclamando das altas temperaturas (e você vai morrer de rir, pois provavelmente a temperatura será de, no máximo, 26°C).

No outono, as temperaturas serão mais frias, muitas chuvas, ventos fortes e o sol irá aparecer apenas algumas horas.

No inverno, você perceberá que o frio pode não ser tão agradável, mas também tem os seus encantos, como oportunidades para um chá quentinho, uma comidinha bem calórica, e a sensação de alívio ao chegar em algum local com aquecimento.

Contudo, se não tiver opção de escolha, venha em qualquer estação, e aprecie o que cada uma tem de melhor.

2 – Traga a sua farmacinha

Não estou aconselhando auto-medicação. Antes de vir, faça uma visita ao seu médico e peça um check up geral, além de receitas para remédios básicos de dor de barriga, cabeça, febre, entre outros. (Peça receita mesmo para aqueles que não precisem de prescrição, para não ocorrer nenhum contra-tempo nas alfândegas dos aeroportos).

Alguns remédios de prescrição livre podem ser encontrados facilmente nos supermercados, contudo o difícil será ler o rótulo para identificar o tipo do remédio, a não ser que você já tenha conhecimento da língua holandesa.

A filosofia médica holandesa é que o corpo precisa de tempo para se curar sozinho, sem a necessidade de remédios. Na teoria ela é linda, mas quando se tem duas crianças asmáticas, sendo uma delas com tendência a convulsão febril, isso se torna um problema grave.

Ainda não me acostumei com a maneira generalista de atendimento médico aqui, onde tudo é tratado com paracetamol e um alto grau de paciência. (Caso queira saber mais sobre o sistema de saúde holandês, leia o post da minha colega Cintia Beatrice, aqui no BPM).

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3 – Traga seus objetos pessoais

Inicialmente pode parecer loucura, afinal poderá encontrar tudo que quiser nas lojas daqui. Contudo, ao chegar, tudo será diferente, a comida, as roupas, a forma de cumprimentar as pessoas, a língua, as músicas, as propagandas, as piadas. Cedo ou tarde a sensação de estranho no ninho vai chegar, e o sentimento de não se encaixar em nada ao seu redor aumentará a vontade de pegar o primeiro avião de volta.

A nossa história é contada através dos objetos. Por isso, caso tenha objetos que lhe traga recordações da sua origem, eles tornarão o seu dia-a-dia mais leve. Alguns objetos não têm apenas valores financeiros, mas também sentimentais; aquele álbum de fotografias, aquele CD antigo, a primeira boneca da sua filha. Até aquele jarro de flor horrível que ganhou de presente de casamento da sua tia-avó terá algum valor emocional melancólico.

Vamos combinar que não precisa exagerar assim como eu fiz: contratei uma mudança internacional com tudo pessoal que tinha. Trouxe até panela de pressão. Afinal, como boa mineira, não vivo sem um feijão. O feijão podemos achar em qualquer supermercado, já a panela de pressão ainda não achei. (Viu, não foi tão exagero assim!)

4 – Pesquise sobre a cidade que vai morar, e não somente sobre a Holanda (Nederland)

Outro ponto muito importante é pesquisar tudo sobre a cidade onde vai morar. Mas quando digo tudo, é tudo mesmo. Entre no site da prefeitura da cidade (use o google tradutor), se informe sobre a população, bairros, costumes locais, distância dos grandes centros, meios de transporte próximos. Use e abuse de sites, blogs e outras fontes para buscar informações.

A Holanda é um país super pequeno, mas assim como no Brasil, cada região tem as suas peculiaridades. Viver num vilarejo holandês é totalmente diferente de viver nos grandes centros. Assim como viver mais ao norte é culturalmente diferente de viver no sul.

Obter o máximo de informações que puder, da região e dos costumes de onde irá morar, lhe trará uma perspectiva do que poderá encontrar nesse novo desafio de mudar de endereço.

5 – Tire suas próprias conclusões

Ler sobre o comportamento, clima, cultura, economia, trabalho, estudo, lhe ajudará muito a entender sobre o seu novo país. E quando passar por situações similares a vivenciadas por outras pessoas,  você  se lembrará de algum trecho lido.

Entretanto, não tire conclusões apressadas. Se permita aprender com o momento e tirar as suas próprias conclusões. A minha verdade absoluta pode não ser a sua. Além do mais, a lição mais bacana de tornar-se um expatriado é que o aprendizado nunca acaba. Geralmente o prazo para iniciar uma adaptação é em torno de 6 meses; tenha paciência.

Estou no início da minha jornada e tenho muito o que aprender sobre este país, e muitos desafios. Contudo tenho apenas uma certeza: lar é o lugar onde nos sentimos em casa!

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4 comentários

Sabrina Novembro 3, 2016 at 8:31 am

Muito legal! Parabéns e sucesso nesse novo desafio Melissa. Bj

Resposta
Melissa Alfeu Novembro 3, 2016 at 5:14 pm

Obrigada Sabrina! Fico feliz que tenha gostado do post.

Resposta
Ana Maria Novembro 7, 2016 at 12:18 pm

Ah, eu pedi pra um familiar trazer a panela de pressão pra mim, ehehehe, não consegui ficar sem, como já fui pro Brasil mais uma vez depois q me mudei, trouxe mais coisas, o ap q alugamos tinha td, mas sentia falta de cozinhar nas minhas panelas kkkkk.

Resposta
Melissa Alfeu Novembro 7, 2016 at 1:03 pm

Realmente Ana Maria, não dá para ficar sem feijão. Ainda bem que conseguiu trazer as suas panelas. Obrigada, por ler o texto e nos acompanhar. Te vejo no próximo post! Beijocas.

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