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7 coisas que sinto falta do Brasil morando na Irlanda

Morar no exterior é algo incrível, mas não significa que tudo é melhor do que no Brasil, e que a gente não precisa de nada de lá. Hoje compartilho com vocês sete coisas que eu sinto falta do Brasil morando em Dublin, a capital da Irlanda. Confira!

Antes de tudo, é importante dizer que temos muitos brasileiros em Dublin, e na Irlanda no geral. Segundo o Census, em abril de 2016, o número de brasileiros residentes na Irlanda era de 13,640; número que triplicou desde 2006.

E o resultado dessa grande presença se reflete na cidade, sem sombra de dúvidas. Em Dublin, há festas, mercados, restaurantes e salões de beleza essencialmente brasileiros. A comunidade é grande, e é possível consumir várias coisas do Brasil, que ajudam a matar um pouco a saudade de casa.

Mas ainda existem coisas insubstituíveis, apesar disso ser muito pessoal, e o que eu sinto falta talvez outra pessoa nem ligue. O que é fácil de entender, dado o tamanho do nosso país. Mas é assim, cada um com suas individualidades e suas saudades.

Veja abaixo algumas coisas que eu sinto falta do Brasil morando em Dublin, na Irlanda:

Clima, sol e calor

A ilha da Irlanda tem um clima oceânico, fresco e úmido, nublado e chuvoso durante a maior parte do ano, além de ventar bastante.

O país é conhecido por não ter um clima de extremos, ou seja, o verão não é muito quente (normalmente entre 15° e 20°) e o inverno não muito frio (entre 4° e 8°) – apesar de temperaturas negativas serem comuns, principalmente em sensação.

Mas, não importa se comparado a outros países da Europa. O clima não é tão rigoroso, ainda assim sinto muita falta do clima brasileiro, principalmente do sol, calor e idas à praia.

Mesmo morando no sul do Brasil (o que leva muita gente a pensar que estou acostumada com o frio), na minha cidade as temperaturas chegam facilmente a 40°C no verão, e o inverno dura no máximo um mês. Então, não, não estou habituada com o frio, e demorou um tempo para me acostumar com o clima da Irlanda – se é que posso dizer que me acostumei.

Aqui, mesmo no verão, dificilmente consigo sair de casa sem um casaco, e no inverno é preciso de touca, luva, cachecol, casaco, entre outros itens de sobrevivência. Sem falar que no inverno a luz do dia aparece às 8h30 e termina às 16h, o que faz meu contato com a luz solar diminuir bastante. Já no verão, é lá pelas 22h30 que começa a escurecer, algo que adoro.

É diferente, não tem jeito. A gente se acostuma, mas a saudade do calor, da praia, da piscina e da cachoeira eu sempre tenho.

Leia também: Verão na Irlanda

Privacidade

Como eu vim para a Irlanda como intercambista, a minha realidade é diferente da que eu tinha, onde morava só com meu pai. No Brasil, eu tinha meu quarto, estava na minha casa, e tinha minha privacidade.

Como os aluguéis em Dublin são caros, é comum para os intercambistas dividirem casa com outros na mesma situação. Quando cheguei, eu e meu marido começamos a dividir um apartamento com mais quatro pessoas, totalizando seis na casa. Algo que eu nunca tinha vivido antes.

Ainda hoje, a gente divide a casa com mais um casal. Cada um tem seu quarto e banheiro, mas mesmo assim ainda não sinto toda a liberdade que eu tinha em casa.

Particularidades de uma casa brasileira

Como era o esperado, a cultura também influencia no lugar onde eu moro, que tem uma estrutura diferente da que estava acostumada.

No meu apartamento, não existe uma área de serviço, onde fica o varal, a máquina de lavar roupa e um tanque. Simplesmente não existe essa parte da casa aqui. No começo achei estranho, mas não liguei muito. Hoje já vejo como isso faz diferença.

A máquina fica na cozinha, o varal na sala, e o tanque não existe. Casas irlandesas maiores até possuem essa área de lavanderia, mas não é uma realidade para mim. Além disso, sinto falta de ter tomada dentro do banheiro, algo que ainda acho estranho.

Veja o vídeo no meu canal no Youtube, onde fiz um tour pelo meu apartamento aqui na Irlanda:

Confeitaria e padaria                                              

Com as opções gastronômicas brasileiras em Dublin, é possível matar saudade de muita coisa e também comprar produtos nos mercados brasileiros. Mas ainda assim, não é mesma coisa do que comer no Brasil.

Sinto muita falta de ir a uma padaria e poder comer um pastelão e um bolo bem brasileiro. De ter várias opções, e poder ir tomar um café com os amigos em uma padaria brasileira.

Em Dublin, existem franquias como Costa e Insomnia que tem essas comidinhas, mas é longe do que eu tenho em mente quando vou tomar um café.

Sistema de saúde e bancário

Um dos maiores medos de muitos estrangeiros aqui na Irlanda é precisar de atendimento médico. A espera no hospital, mesmo em emergência, pode ser de tantas horas que é difícil dizer.

No Brasil, pelo menos onde vivo, eu me sinto bem mais segura para ir ao hospital. Fora a facilidade de marcar médico, fazer um check-up, coisas que faço só quando estou por lá mesmo.

Outra situação é o sistema bancário irlandês. O processo para eu abrir minha conta e ter um cartão aqui na Irlanda demorou um mês. Comparado ao Brasil, a burocracia é grande, principalmente se você é estrangeiro. Ainda disso, basicamente tudo vem por correio.

Leia também: Qual é o custo de vida em Dublin?

Amigos

Como não sentir saudade dos amigos que você conhece há anos e com quem você dividiu momentos incríveis? A amizade é algo essencial, principalmente quando você está longe, pois é muito fácil se sentir sozinho longe de casa. A solidão bate de um jeito que é difícil descrever.

Não posso dizer que não tenho amigos aqui, mas não se compara ao que a gente já viveu na nossa casa. Sem falar que muitas pessoas entram, mas também saem da nossa vida com mais facilidade. Com certeza, sinto falta das minhas amizades sinceras e verdadeiras.

Família e as datas comemorativas em casa

O último tópico não poderia ser outro: família. É clichê, mas é tão real e só quem está longe, seja onde for, sabe a falta que faz o apoio familiar. Com muitos membros da minha família até fiquei mais próxima, e é incrível como a relação muda.

E um ponto complicado com certeza é perder as datas comemorativas. Natal, aniversários, casamentos e até almoços de domingo são momentos que não voltam, e eu sofro por não estar presente.

Mas cada escolha é uma renúncia, e eu escolhi estar aqui, mesmo com saudade.

E você, do que mais sente falta morando fora do Brasil?

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