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A cena musical feminina no Québec

Quando se trata de música, Céline Dion é a québécoise de maior destaque no cenário internacional. No entanto, a atitude de cantoras da nova geração vem chamando a atenção. Além de preservar o legado da música francófona, por meio de suas músicas e histórias pessoais, elas levantam a bandeira não apenas das mulheres, mas da humanidade.

Segue uma pequena compilação de alguns talentos da cena musical feminina no Québec a serem descobertas por quem tem interesse na música francófona, sensível e engajada.

Fanny Bloom

Fanny Bloom é uma autora, compositora e intérprete do Québec. Tive a oportunidade de conhecê-la no verão de 2016 e de uma forma realmente casual, já que ela veio à Québec com um grande amigo de meu marido, que também é músico profissional. Fomos comer uma pizza e ali eu vi a garota simples, longe dos holofotes e das produções elaboradas dos videoclipes. Por causa da pessoa que ela demonstrou ser, resolvi descobrir seu repertório musical.

Até o momento, Fanny lançou 3 discos: Apprentie guerrière (2012), Pan (2014) et Fanny Bloom (2016). Sua música é marcada por uma pegada mais alternativa, misturada com pop-eletrônico. Já seu trabalho mais recente revela seu lado mais intimista e sua formação clássica, com a proposta de voz e piano.

Interessante acrescentar que Fanny compõe e produz muitas de suas músicas com seu namorado e amigos da época da adolescência. Essa simplicidade de quem nunca esqueceu suas origens é algo que admiro em sua trajetória. Para quem gosta de videoclipes com propostas visuais diferenciadas, Fanny oferece vários com estilo bem fora da caixa e vintage para algumas de suas canções. Confira Sammy Samy e Parfait parfait

Para saber mais sobre a cantora: http://www.fannybloom.com

Safia Nolin

Safia Nolin é mais uma cantora e compositora québécoise que saiu do anonimato no YouTube para o prêmio de artista revelação da ADISQ 2016 (Association québécoise de l’industrie du disque, du spectacle et de la video). Começou de forma despretensiosa, postando vídeos em que mostrava seu trabalho autoral e sua devoção por Céline Dion apenas com o apoio de um violão.

Seu primeiro album – Limoilou – saiu em 2015, com sucesso relativamente modesto. O que a destacou realmente na cena artística foi sua participação no programa Tout le monde en parle, falando sobre suas dificuldades pessoais na adolescência, em especial quanto à ansiedade e o bullying.

Pessoalmente, o que me fez prestar atenção em Safia foi sua aparição no Gala da ADISQ em 2016. Por se tratar de um evento de luxo, Safia mostrou a que veio quando ao ganhar o prêmio de revelação do ano, subiu ao palco vestindo jeans surrado, tênis e camiseta, quebrando completamente o dress code do evento, praticamente um deboche ao mundo artístico das aparências. Fez um discurso de agradecimento sem se preocupar muito com a linguagem utilizada, mas exaltando, em primeiro lugar que todas as mulheres do Québec têm o direito de fazer aquilo que elas quiserem e que seus corpos lhes pertencem. Para ver o agradecimento, clique aqui.

Para saber mais sobre a cantora: http://www.safianolin.com

Les Soeurs Boulay

As Irmãs Boulay, Stéphanie et Mélanie, são uma dupla de cantoras, compositoras e intérpretes de música folk de Québec. O primeiro album é de 2013 e se chama Le poids des confettis.

No ano passado resolvi ir num show delas aqui em Québec e devo dizer que me senti como se estivesse numa festa de amigos, como quando entre uma conversa e outra, alguém começa a cantar. Como se tratam de irmãs, é normal que uma conte detalhes da vida da outra (e vice versa) e diante de um público essencialmente feminino, muitas vezes rola uma identificação. Assim como Safia, Mélanie e Stéphanie defendem o direito de sermos imperfeitas, vulneráveis, às vezes desiludidas, mas cheias de esperança. Assim são suas canções, baseadas em suas experiências pessoais, mesmo que por vezes um pouco amargas.

Em meio às acaloradas discussões sobre a cultura do estupro e sobre os diversos tipos de assédio contra mulheres, Stéphanie se manifestou em sua página Facebook em julho deste ano, escrevendo um texto intitulado O Clube dos Meninos, em que denuncia os relacionamentos abusivos que viveu achando que a culpa era sua pela má sorte no amor. Com isso, ela espera conscientizar outras meninas sobre os limites das relações saudáveis e do respeito alheio em relação a suas escolhas.

Para saber mais sobre a dupla: http://lessoeursboulay.com

Coeur de Pirate

Parece nome de banda, mas se trata do nome da cantora Béatrice Martin. Seu nome artístico significa Coração de Pirata e é inclusive o nome do seu album de lançamento, em 2008. Béatrice é uma cantora com mais entrada no mercado internacional, incluindo canções em inglês e francês.

Apesar dos vários prêmios que já recebeu, sua vida pessoal é frequentemente assunto de discussão em diversas mídias. O primeiro escândalo foi sobre a sua fase de modelo para um site pornô chamado Good Girls, antes de iniciar sua carreira musical.

Como se espera de toda garota, Béatrice chegou a se casar e teve uma filha desta união. No entanto, logo após o ataque à boate gay Pulse, em 2016 em Orlando, ela resolveu assumir sua relação afetiva com outra mulher trans. Ela chegou a escrever uma carta aberta falando sobre sua decisão de se assumir queer, uma palavra inglesa usada para designar pessoas que não seguem o modelo de heterossexualidade ou do binarismo de gênero. O termo é usado para representar gays, lésbicas, bissexuais, pessoas transgênero ou transexuais. Numa tradução literal, queer significa “estranho, talvez ridículo, excêntrico, raro, extraordinário”.

O trecho mais significativo é reproduzido abaixo:

É por isso que eu estou me revelando queer hoje; porque eu não posso mais ter medo do que as pessoas vão pensar de mim. Não posso ter medo que alguém deixe de ouvir minhas músicas, ou que pais não permitam que seus filhos ouçam minha música pelo fato de eu querer amar quem eu quero amar. Estou me assumindo para a minha filha que precisa aprender que o amor não conhece raça, religião, gênero ou orientação.  Mesmo que a família que ela conheceu no começo não vá mais ser a mesma, ela merece todo amor que ela precisa e quer. Eu estou me assumindo pelas vítimas que perderam suas vidas porque queriam celebrar quem eram de verdade. 

Para saber mais sobre a cantora

A vida cultural no Québec é extremamente diversificada, seja no cinema, nas artes ou na música. Diria que essas formas de expressão são também um ato de resistência à predominância da cultura anglófona na América do Norte, principalmente vinda dos EUA.

O mais interessante, é observar que esse engajamento cultural serve também de alavanca para promover outras causas que dizem respeito ao mundo todo. Portanto, ver artistas jovens e que não têm medo de se expor para defender o que acreditam faz com que elas desempenhem um papel social tão ou até mais importante do que suas contribuições artísticas.

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5 comentários

max Dezembro 27, 2017 at 4:19 pm

Merci ana!

Resposta
Ana Carolina Sommer Janeiro 6, 2018 at 3:30 pm

Au plaisir! 😉

Resposta
Catarina Santana Março 28, 2018 at 11:43 pm

Adorei as dicas , estou montando uma pizzaria Delivery aqui na região e isso irá me ajudar muito. Bom site.

Resposta
Ana Carolina Sommer Março 29, 2018 at 12:02 pm

Olá Catarina! Que bom que gostou das dicas. Vc vai ver que cada cantora tem uma pegada diferente. Com certeza a trilha sonora da sua pizzaria será bem mais cool! Abraço carinhoso!

Resposta
Simone Ávila Abril 18, 2018 at 4:22 am

Eu quero cantar Samba e Bossa Nova em Quebec!!!! Meu sonho

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