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A comunidade brasileira na Bélgica

A comunidade brasileira na Bélgica.

Podemos deixar o Brasil, mas o Brasil não nos deixará jamais. As nossas manias, nossos hábitos, nossa língua, frutos de uma cultura e tradição enraizados, estarão sempre nos acompanhando independente da quantidade de anos que partimos. E para mim isto é uma maravilha!

Assim, adaptados ou não ao novo país de residência, sempre ficamos felizes e até buscamos um cantinho onde encontrar uma comidinha brasileira, uma boa música em português e alguém que entenderá (e utilizará) a palavra “folgado”.

Estar entre outros brasileiros no exterior é uma maneira apaziguadora de matar a saudade e poder relembrar as origens. É entender e ser entendido. É poder sentir-se um pouco mais próximo de casa. É praticamente terapêutico, pois é incrível meu poder de desabafo a estranhos brasileiros; é como se toda a minha língua materna, que estava embargada, pudesse finalmente ser posta afora. Confesso que é uma delícia.

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Aqui na Bélgica, mas precisamente em Bruxelas onde vivo, há um número imenso de imigrantes brasileiros, como em muitos outros é claro, mas tomando-se em conta o tamanho do país, a diferença cultural e a pouca similaridade com a língua local, me surpreendeu. Mas, quem são esses brasileiros?

Há 10 anos foi feito um levantamento pela oficina de estrangeiros e verificou-se a presença de 4.000 brasileiros por aqui, porém esse número retrata apenas os que estavam oficialmente legalizados, pois calcula-se um número absurdamente maior se considerarmos os que vivem em situação irregular, entre 40.000 a 50.000 pessoas.

A maior parte da comunidade, segundo o mesmo levantamento, estão concentrados nas comunas (espécie de sub prefeituras de Bruxelas) de Saint-Gilles, Anderlecht e Forest então, se está pensando ou planejando mudar-se para Bruxelas e não sentir-se totalmente deslocado, esses são os locais mais indicados para viver. Outra comunidade importante concentra-se no norte do país, na cidade de Antuérpia.

Não resido em nenhum dos três bairros, porém para comprar um picanha, tomar uma caipirinha, ouvir uma Bossa Nova, sei exatamente onde encontrar, principalmente em Saint-Gilles, que é conhecida por aqui como uma bairro lusofônico, tamanha a quantidade de brasileiros e portugueses. Existe até uma revista escrita e publicada no bairro em português, a AB Magazine. 

Segundo um artigo da revista digital francesa Hommes & Migrations (2009), a migração brasileira para a Bélgica começou com a chegada de refugiados políticos, artistas, jogadores de futebol e estudantes fugindo do golpe militar de 1964. Desde os anos 80, após as mudanças políticas no Brasil, esta primeira onda de imigração voltou para casa e espalhou a ideia de que a Bélgica era uma terra de boas-vindas.

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O mesmo artigo menciona que o desenvolvimento das relações entre os dois países permitiu a imigração de profissionais qualificados para multinacionais ou instituições internacionais e a instalação na Bélgica de suas famílias. A crise econômica dos anos 90 no Brasil estimulou uma nova onda de emigração, que acelerou acentuadamente após 2001.

Algo que me chamou muito a atenção a respeito da comunidade brasileira por aqui é a quantidade de goianos (47%), então resolvi me aprofundar mais sobre o assunto e tentar entender um pouco melhor. Buscando informações encontrei um canal (de um goiano, é claro) que diz que o principal motivo da vinda de tantos goianos para cá foi a mensagem fantasiosa da Bélgica passada por brasileiros que viviam aqui que, agregados a instabilidade econômica, a falta de emprego e a insegurança, criou-se um verdadeiro efeito dominó de fuga, facilitado também pela não exigência de visto para o ingresso no país.

Pode-se encontrar famílias inteiras que vivem e trabalham aqui, inclusive em seus próprios negócios e que sempre acabam a influenciar a vinda de mais e mais compatriotas. A chamada publicidade boca-a-boca que, muitas vezes também pode ser bastante cruel. É comum encontrar postagens nos grupos de brasileiros na Bélgica espalhados nas redes sociais, que alertam para “calotes” e mentiras de propostas de empregos, sem falar na ilegalidade. Assim, diante desta desconstrução “do conto cor de rosa”, vê-se também, mais e mais brasileiros que pedem passagem para voltar ao país através do Programa de Retorno Voluntário.

Mas voltando a quantidade de goianos por aqui, tamanha é a representatividade deste estado que chegou a ter em Goiânia o Dia da Bélgica, um evento promovido pelo Governo do estado brasileiro e a Federação das Industrias de Goiás, para estreitar os laços comercias. 

Outro dado interessante que ilustra esse vínculo estreito entre Bélgica e Goiás foi a concessão do título da Ordem da Coroa, homenagem do Reino Belga a cidadãos estrangeiros que prestam relevante serviços ao país, principalmente os que promovem os direitos humanos, ao bispo da Diocese de Goiás, Dom Eugenio Rixen e ao governado do estado, Marconi Perillo.  

Uma informação relevante que encontrei nas minhas pesquisas foi que os brasileiros que vivem na Bélgica são jovens e portanto com maiores probabilidades de terem um filho durante a sua jornada migratória, facilitando assim a obtenção da nacionalidade belga.

Acredito que a formação da comunidade brasileira aqui na Bélgica não difere muito de outros países. Independente de como e porque estamos aqui a importância de mantermos nossas raízes é essencial, assim como não espalhar ou permitir que denegridam a nossa imagem pelo mundo com dados inverídicas. 

Conhecer e usufruir de novas culturas e costumes é maravilhoso, além de saudável, mas permitir-se ser e estar brasileiro, é ainda melhor.

À bientôt!

Fonte: 

– La libre.be.

Openedition.org. Disponível aqui. Acesso em 30 de agosto de 2018.

– Canal Viver na Bélgica.

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8 comentários

Tais Outubro 8, 2018 at 2:00 pm

Bom dia, qual seria uma renda mensal razoável para viver em Bruxelas uma família de 3 (sendo 1 bebê ainda)?

Resposta
Marcela Bueno Outubro 10, 2018 at 10:04 am

Olá Tais,
Isto dependerá bastante da região, cidade e bairro em que se deseja residir, pois o mais caro na Bélgica são os alugueis, em uma faixa de 800 euros mensais. Então acredito que para uma família de 3, no mínimo uma renda mensal de 2.000 euros.
Abraços,

Marcela

Resposta
Evelin Novembro 14, 2018 at 1:05 am

Olá, é muito difícil entrar em mestrado em psicologia na Bélgica? Sou psicóloga formada aqui no Brasil, mas possuo cidadania italiana e estou pensando em morar um tempo por aí

Obrigada!

Resposta
Marcela Bueno Novembro 14, 2018 at 12:57 pm

Olá Evelin,
Se você estiver querendo vir para Bélgica seguir estudos de pós-graduação, o melhor a fazer é entrar em contato com a instituição diretamente, pois eles que irão julgar e sua candidatura e serão os responsáveis pela equivalência.
Normalmente não há provas, as exigências básicas são a validação dos diplomas de graduação, exame de proficiência de língua estrangeira (francês, neerlandês ou inglês, dependendo da universidade) e carta de intenção escrita no idioma local.
Abraços,
Marcela

Resposta
Lionella Março 7, 2019 at 11:29 pm

Olá! Sou dentista no Brasil e estou pensando em me mudar para a Bélgica. Alguém tem o contato de algum dentista brasileiro trabalhando na Bélgica para poder me ajudar com maiores detalhes nessa transição.

Resposta
Marcela Bueno Março 8, 2019 at 2:18 pm

Olá Lionella,
Eu particularmente não conheço nenhum dentista brasileiro na Bélgica, mas sugiro entrar nos grupos de brasileiros na Bélgica no facebook que, com certeza, lhe darão essa informação.
Abraços,
Marcela

Resposta
Elionor Junho 13, 2019 at 6:01 pm

Olá! É difícil adaptação de menino adolescente de 15 anos?

Resposta
Marcela Bueno Junho 15, 2019 at 10:45 am

Olá Elionor, tudo bem?
Depende de que tipo de adaptação se refere e como é a vida do adolescente atualmente, suas preferencias, suas atividades, suas experiencias, enfim…Primeiro, a língua é um fator muito importante para uma melhor adaptação por aqui, ao menos ter inglês, para então seguir com estudos de francês ou neerlandês, dependendo da região onde pretendem morar. Outro favor é o clima; aqui é frio e chove a maior parte do tempo, então as atividades externas não são tão corriqueiras como no Brasil ou em outros países de clima tropical. Há também a questão das culturas. Os belgas são mais frios e fechados e por esta razão muitos brasileiros acabam por apenas agrupar-se entre nós.
Para podemos considerar que para as crianças e adolescentes, desde que estejam abertos ao novo, a adaptação parece mais tranqüila.
Abraços,
Marcela

Resposta

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