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Minoria ou Maioria: qual é o seu time?

Minoria ou Maioria: qual é o seu time?

Você já deve ter ouvido falar deste termo minoria. Se você acompanhou os noticiários sobre a eleição presidencial nos Estados Unidos, provavelmente ouviu muito este termo. Na verdade, este aparece com mais frequência do que pensamos, pois qualifica e compartimentaliza a sociedade.

Em outras palavras as classes minoritárias norte-americanas representam uma variedade de grupos étnicos (origem), raciais (cor da pele) e isto inclui LGBTQ e as populações indígenas.

E a tal da maioria? A maioria, ainda predominante, é representada por cidadãos brancos, de descendência anglo-saxônica e protestantes. Os afro-americanos aparecem como segundo maior grupo depois dos brancos, mas é identificado como minoritário. Os Indígenas também compõe uma classe minoritária.

No Brasil essa divisão parece enfocar mais fortemente na classe social seguida da cor de pele. Na minha opinião, a questão da cor é uma realidade difícil de ser “colada” no Brasil, pois somos muito miscigenados.

Qual é a sua etnia? E sua raça?

Estas perguntas têm como objetivo saber de onde você é (origem) e a sua ascendência (cor da pele). Estas perguntas podem soar preconceituosas e racistas, mas na verdade elas aparecem toda vez que vamos ao médico, a imigração, escola, previdência social, procurar emprego etc.

Apesar de se repetir muito, ninguém tem obrigação de responder. Afinal, nós brasileiros, onde nos encaixamos: latinos? hispânicos? portugueses? A etnia brasileira não é hispânica, mas sim latina. Etnia se conecta à nossa origem e qual comunidade pertencemos culturalmente e socialmente. E sua raça? Neste quesito estamos falando de cor de pele.

Para nós, latinos, e para os hispânicos, sejamos brancos ou negros, a cor de pele vem junto com a etnia. Vou usar o meu próprio exemplo: sou tida como branca no Brasil, embora tenha cabelos negros, olhos castanhos, descendente de portugueses.

Aqui sou designada como latin non-white (latina, não-branca). Vale lembrar também que filhos de imigrantes nascidos nos EUA são cidadãos, mas pertencem ao grupo étnico dos pais.

Voltando às questões, outra pergunta frequente é: qual é o seu idioma de preferência? E por que eles fazem tantas perguntas? O propósito é estatístico. Inevitavelmente suas respostas também contribuem com dados para o governo. Não se esqueça que as informações compartilhadas na consulta médica jamais serão divulgadas a não ser que o paciente autorize, do contrário é crime federal de acordo com HIPPA

Censo

2020 será um ano inesquecivelmente tenso nos EUA porque, além do COVID-19, houve eleições presidenciais e o Censo. A cada 10 anos um formulário do Censo chega pelos correios às casas de todo e qualquer residente perguntando quem é você, sua origem, com quem mora, seu tipo de moradia, sua cor, etnia e assim por diante. Seja você cidadão nascido no país, naturalizado ou não todos DEVEM responder. Não respondê-lo corresponde a uma multa de $100 (cem dólares). E acredite, a multa vai te encontrar – cedo ou tarde.

Você deve estar se perguntando: e o que eu ganho com isso? Representatividade! As informações coletadas vão localizar as diversas comunidades já existentes. Ao identificar quais são as populações de uma comarca (ou condado para alguns), é possível saber quais são suas dificuldades, o que falta ou sobra para uma determinada comunidade.

Os impostos que todos nós pagamos, seja individual ou comercialmente, através da renda anual, emprego, compra e venda de produtos, propriedades etc deveriam servir a todos. O governo federal distribui fundos (provenientes desses impostos) para construção de escolas, policiamento, hospitais, transportes, acessibilidade etc. ONGs e outros órgãos de governos municipais e comarcas também precisam de capital para se manter, e para ter acesso a recursos federais é necessário solicitar formalmente.

Leia também: Tudo o que você precisa saber para morar nos EUA

Como você pode perceber, estamos falando de direitos. Resumo da ópera: as comunidades precisam de representatividade e de legisladores locais comprometidos em reivindicar melhorias para áreas carentes. Este é o ideal. Infelizmente, não é bem assim que ocorre. Vou citar um exemplo, mas quero que fique claro que minha meta é esclarecer e não me posicionar politicamente.

2020 foi o ano do censo, da pandemia e de eleição presidencial. As áreas mais favoráveis aos democratas – partido oposto ao ex-presidente – geralmente são habitadas por estrangeiros (documentados ou não-documentados) e afro-americanos, ou seja, a minoria que geralmente mora em áreas de acesso mais limitado.

O ex-presidente Trump tentou excluir imigrantes sem autorização de permanência do censo. Isso pode nos levar a pensar que eles “merecem”, afinal moram aqui ilegalmente. Porém, muitos deles têm filhos que nasceram aqui, são cidadãos americanos e estados como o Texas poderiam ser afetados severamente. A intenção era minimizar a representação deste grupo e, em contrapartida, favoreceria a classe rural que apoia o partido republicano.

Hi, não entendi nada! É um pouco mais complexo do que parece. Resumidamente, temos uma maioria dominante que são os brancos e diversos grupos, perante os olhos da Constituição todos devem ser representados.

Caso você tenha observado nos anúncios publicitários de órgãos governamentais os modelos são de todas as cores, idades, tamanhos e origens. As empresas privadas também fazem o mesmo para atrair mais consumidores ou usuários de seus produtos e serviços.

A triste realidade é que certas crenças imperaram sistematicamente sem que percebamos. Quero dar somente um exemplo: acreditava-se que todo afro-americano era pobre, portanto não deveria ter filhos. Logo, o governo da Carolina do Norte, entre 1929 a 1976, autorizou a esterilização de mulheres pobres, muitas afro-americanas e deficientes físicas e mentais sem seu consentimento.

Leia também: Diferenças do racismo entre Brasil e EUA

O dia em que escrevo esta coluna é 18 de janeiro, segunda-feira, dia de Dr. Martin Luther King Jr. Ele foi um ativista político e lutou pelos direitos de igualdade social e contra a segregação racial. O seu discurso, hoje conhecido como “Eu tenho um sonho” imortalizou esse momento de luta por um mundo melhor sem distinção de cores, credos, origens, para que possamos viver como um sem minorias ou maiorias.

Se você chegou até aqui: muitíssimo obrigada! Fica a dica: a partir de agora veja se os legisladores estão representado sua etnia, cor e comunidade.

Abraços.

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