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A hibernação do turismo na Espanha

A hibernação do turismo na Espanha.

Que o ano de 2020 foi mundialmente afetado não resta a menor dúvida. Não apenas setores como saúde, fomentos e empregos viram-se esmagados pelo tempo e pela escassez de recursos, mas também o comércio e o turismo.

A Espanha é o terceiro país que mais recebe turistas anualmente. Do total do seu PIB (produto interno bruto), 12% é oriundo do inúmeros estrangeiros que vêm ao país passar férias e porque não, estabelecer um segundo lar.

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O país só perde para Jordânia, Ilhas Fiji e Macau (China). Aqui ademais, o turismo é responsável por 13% dos empregos gerados.

Sendo tão diversa em clima e paisagens, com mar e temperatura agradável o ano todo em regiões da Costa Mediterrânea ou Ilhas Canárias, a Espanha é também um país de muita cultura e tradição, boa comida, vivaz e boêmio.

Além de ter um custo super atrativo se comparado aos demais países da comunidade europeia.

Desconfiança, medo, aeroportos vazios, aviões encalhados, cidades desertas, hotéis fantasmas e restaurantes às moscas são imagens que bem podiam pertencer a um cenário de “West Hollywoodiano” mas que são a triste realidade desde o inicio da pandemia.

Dados nada promissores

Em maio de 2020, 156 países tiveram as suas fronteiras fechadas e o restante havia posto algum tipo de restrição.

As chegadas de turistas internacionais reduziu em 98% em junho e, quando imaginava-se um respiro após a abertura de fronteiras europeias em pleno inicio de alta temporada por aqui – não pode ser.

Novas ondas de contaminação impediram que o turismo saísse da lama.

A Exceltur, que reúne as maiores empresas do ramo turístico do país, calcula uma perda em decorrência da pandemia na Espanha, de mais de 98 milhões de euros.

Leia também: Por que a Espanha não consegue controlar a pandemia?

Diante disso, o Governo apenas ofereceu uma ajuda irrisória, segundo os empresários turísticos.

As perspectivas não são promissoras. Especialistas preveem que a demanda por voos só vai se recuperar em 2024, que embora obtiveram ajudas públicas diretas e créditos, só salvarão a situação no curto prazo.

Na mesma linha, os hoteleiros garantem que 40 mil estabelecimentos fecharam e outros 85 mil estão em risco. Hotéis foram usados como hospitais para abarcar o grande número de pacientes que precisavam de internação e hoje, muitos, principalmente em Canárias, hospedam imigrantes que chegam ilegalmente ao país.

Tempos de glória

O boom turístico na Espanha começou no final dos anos 50 e início dos anos 60, quando recebeu mais de 4 milhões de turistas estrangeiros.

Aqueles foram os anos em que o país se descobriu com o biquíni, os chinelos e tamancos e o recife de sol e praia, considerados tão escandalosos por alguns mas com um impacto indiscutível no crescimento da economia na segunda metade do século XX.

Nos anos 70, a Espanha superou a cifra de 20 milhões de turistas coincidindo com a expansão do turismo internacional, que estava descobrindo os 8.000 quilômetros de costa espanhola como um destino seguro, com sol praticamente garantido e preços baixíssimos.

Leia também: O clima em Barcelona

Mas sem dúvida, a progressão mais notável, com alguns altos e baixos, ocorreu noa anos 80.

Desde então, o setor turístico foi altamente investido. Não apenas hotéis e ofertas de passeios, mas também a quantidade de restaurantes, bares e cafeterias é gigantesca.

Aos espanhóis lhe caem muito bem “comer fora”. Bebericar com amigos e vizinhos, sentar em uma mesinha de bar apenas para desfrutar do café, do jornal ou de uma boa companhia. São seres que precisam da vida fora das paredes de casa.

Essa prática até que aliviou o vazio e postergou o fechamento de alguns comércios, mas não será o suficiente, pois a instabilidade de casos e as novas e recorrentes restrições, não dão tréguas.

Os incentivos governamentais

Quando ainda residia no Brasil e fazia minhas viagens temporárias pelo mundo, sempre esperei uma “bolsa viagem”, uma espécie de auxilio monetário do governo brasileiro para incentivar o turismo.

Até há alguns bônus para aposentados, pensionistas e pessoas de maior idade, mas nada que eu pudesse usufruir.

Diante desta crise sanitária e aqui na Espanha, obtive este beneficio. E não apenas destinado aos cidadãos nascidos ou naturalizados, mas aos moradores legais e regulados.

O ônus é que foi algo destinado apenas à Comunidade Valenciana, onde resido.

Só para contextualizar, a Espanha é formada por comunidades autônomas, mas ou menos como os estados federados americanos, onde cada comunidade possui autonomia legislativa e de competências executivas.

O tal bônus viagem é um desconto de até 70% (não superior a 600 euros) no custo da reserva turística, para pacotes completos de viagens, ou apenas hotéis, restaurantes e passeios feitos dentro da Comunidade Valenciana.

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Isto porque o incentivo é justamente para alavancar o turismo perimetral, já que estamos com restrições de deslocamento interno no país.

Basta se inscrever no site do Ministério do Turismo local, nas datas estipuladas e aguardar a lista de espera. Serão 15.000 bônus distribuídos em três lotes. O primeiro, que fui premiada, ocorreu em novembro passado.

Foi uma ideia que esta logrando e que com certeza, mesmo que a curtos passos, retrocede a estagnação total do setor turístico da comunidade.

Em cidades de grandes atrativos como Valencia, Alicante e toda a “costa blanca”, notou-se uma movimentação com esta ajuda de custo do governo. Que venham mais iniciativas como esta!

As restrições turísticas atuais

A entrada no país está aberta a viajantes procedentes da União Europeia, de países que pertencem ao Espaço Schengen ou de um pais com quem a Espanha mantem acordos de reciprocidade em relação a aceitação de viajantes.

A exceção, em virtude na nova variante do vírus, é o Reino Unido, que está temporariamente impedido a entrada de voos e navios que procedem dali, acaso não seja cidadão espanhol com justificativa.

Em todos os casos, é obrigatório o preenchimento da ficha de controle sanitário (FCS) que devera ser apresentado quando chegar a Espanha.

Se você vem de um país ou zona de risco, incluindo Brasil, deve fazer um teste de diagnóstico de  coronavírus com resultado negativo e realizado nas 72 horas anteriores à chegada à Espanha.

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Os testes aceitos são o teste PCR (RT-PCR), o TMA e outros baseados em técnicas moleculares semelhantes.

O documento que atesta o resultado negativo da prova deve ser redigido em espanhol, inglês, francês ou alemão. Se você não tiver, terá que enfrentar uma penalidade financeira e fazer o teste no mesmo aeroporto.

Esses procedimentos são essenciais para qualquer passageiro que chegue à Espanha por via aérea ou marítima, com exceção de crianças menores de 6 anos.

Como a situação de saúde pode modificar temporariamente os acordos de reciprocidade para a aceitação de viajantes, é recomendado que você verifique sempre os requisitos e recomendações.

Torcendo os dedos para a volta do turismo!

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