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A história por trás do Prêmio Nobel – da Suécia para o mundo

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A história por trás do Prêmio Nobel – da Suécia para o mundo.

Provavelmente você já ouviu falar alguma vez sobre o Prêmio Nobel. Mas, talvez, você não saiba que são seis categorias premiadas e quais são elas. Ou ainda que esse prêmio foi criado através de um testamento. Isso mesmo, as diretrizes da criação do Prêmio Nobel foram definidas através do testamento de Alfred Bernhard Nobel. Mas quem foi ele e por que este testamento um tanto inusitado? O que está por trás da história de um dos prêmios mais conhecidos do mundo? E quais os seus reflexos na humanidade?

Quem foi Alfred Nobel

Alfred Nobel é um dos suecos mais conhecidos de todos os tempos. Um extraordinário menino que aos 17 anos era fluente em cinco línguas e tinha grande apreciação pela literatura inglesa, poesia, química e física. Assim, Nobel seguiu pela Europa para aprofundar seus conhecimentos de engenharia química. Foi durante esse período que ele conheceu o químico Ascanio Sobrero, inventor da nitroglicerina, um líquido altamente explosivo. Seu grande poder destrutivo associado a sua alta instabilidade tornava esta substância muito perigosa para qualquer uso prático. Mas Alfred Nobel decidiu empenhar seus estudos para desenvolver uma forma de controlar a explosão da substância.

Obviamente, não foi um caminho fácil. Em 1864, ocorreu mais uma das diversas explosões em seu laboratório, na cidade de Estocolmo. Mas desta vez, várias pessoas morreram, inclusive seu irmão. Além das autoridades terem exigido que ele mudasse o seu laboratório para fora dos limites da cidade, ele ainda teve que lidar com duras críticas internacionais. Um jornal francês, por exemplo, publicou uma matéria insinuando que quem outrora matara muitas pessoas, agora estava morto, confundindo seu irmão falecido com o próprio Alfred Nobel.

Três anos depois, Alfred Nobel registrou a primeira patente da dinamite, que possibilitava a utilização da nitroglicerina de forma controlada. Essa descoberta mudou os rumos da construção. Ela reduziu drasticamente o custo com a explosão de rochas e construção de túneis e canais.

O Testamento

Alfred Nobel era um homem solitário. Chegando a publicar o seguinte anúncio no jornal. “Um senhor idoso rico e altamente educado procura uma senhora madura, versada em idiomas, como secretária e supervisora do lar”. Assim ele conheceu Bertha Kinsky, que trabalhou para ele por algum tempo, depois mudou-se para a Áustria e veio a se tornar uma grande ativista na luta contra as armas. Eles continuaram trocando correspondências por muitos anos. Talvez a sua influência, acrescida das duras críticas vividas quando da morte do seu irmão, tenham o inspirado a redigir seu último testamento, em 1895.

Quando da morte de Alfred Nobel, em 1896, a abertura do testamento gerou um grande alvoroço. Ele havia deixado sua “pequena” fortuna de mais de 31 milhões de coroas suecas (aproximadamente 3 milhões de dólares americanos), para a criação de um fundo. Este seria direcionado a premiar anualmente pessoas que no ano anterior tivessem realizado grandes feitos para a humanidade. Foram tantos questionamentos de familiares, discussões e controvérsias quanto a como colocar em prática o desejo de Alfred Nobel, que o primeiro prêmio somente foi entregue efetivamente 5 anos depois.

O testamento definia que seriam premiadas 5 categorias: física, química, medicina, literatura e paz, bem como as instituições que nomeariam os ganhadores. Foi criada, então, a Fundação Nobel que administraria e administra, até hoje, a fortuna deixada por Alfred Nobel.

Alguns podem estar se perguntando por que até agora não mencionei o sexto prêmio de ciências econômicas. Ele não estava definido no testamento de Nobel e foi adicionado à cerimônia de Estocolmo em 1969. É arcado integralmente pelo Banco da Suécia, em memória a Alfred Nobel, e não pela Fundação Nobel.

Leia também: Wangari Maathai – vencedora do Prêmio Nobel da Paz

O Prêmio Nobel

Anualmente, no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel, é realizada a cerimônia de entrega de todos os Prêmios em Estocolmo, com exceção do Prêmio Nobel da Paz, que é o único entregue em Oslo, na Noruega. Cabe ressaltar, entretanto, que na época do testamento de Nobel, Oslo era território sueco.

Os ganhadores recebem um diploma, com uma arte exclusiva para cada Laureate, uma medalha de ouro e uma quantia em dinheiro. Para se ter uma ideia, o prêmio previsto para 2019, por exemplo, é uma bagatela de aproximadamente 1.8 milhões de coroas suecas por categoria (aproximadamente 188 mil dólares americanos). Os prêmios são conferidos a até três pessoas em uma mesma categoria.

Curiosidades do Prêmio Nobel

  • Os ganhadores são chamados de Laureates em alusão à coroa de louros que na Grécia antiga era conferida aos vencedores, como sinal de honra.
  • Seis pessoas e/ou instituições ganharam o Prêmio Nobel mais de uma vez. Dentre elas está o Comitê Internacional da Cruz Vermelha que já ganhou três vezes o Prêmio Nobel da Paz.
  • Duas pessoas recusaram-se a receber o prêmio por questões pessoais. E quatro foram obrigadas pela autoridade governamental de seus países a negarem o prêmio.
  • Malala Yousafzai, com apenas 17 anos, foi a pessoa mais nova a ganhar o Prêmio Nobel. Ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2014 por sua luta pelos direitos das crianças à educação. Mas em 2019, esse recorde pode ser quebrado. Greta Thunberg, indicada ao Prêmio Nobel da Paz pelo seu ativismo na luta contra as mudanças climáticas, possui somente 16 anos.

Seguindo os passos de Nobel em Estocolmo

Você está com viagem marcada para Estocolmo? Por que não aproveitar a oportunidade para seguir os passos de Nobel pela linda cidade?

É possível saber mais da história de Alfred Nobel e conhecer os Laureates no Museu Nobel. Ou, que tal, ver os resquícios do seu primeiro laboratório em Södermalm? Seguindo, ainda, ao Museu Nacional de Ciência e Tecnologia, é possível ver as cem mais importantes inovações de todos os tempos.

Vale visitar a Casa de Concerto, onde é realizada a cerimônia de entrega do prêmio. Ou, ainda, a Prefeitura, onde é realizado o banquete, no Salão Azul, que por sinal não é azul e sim de tijolo, bem como o baile,  que acontece no majestoso Salão Dourado. Mas esse, sim, é dourado mesmo.

Por falar em banquete, vocês sabiam que é possível ter a experiência de degustar exatamente o mesmo jantar do Prêmio Nobel oferecido em qualquer um dos anos de 1901 a 2018? Servido, inclusive, com a mesma louça utilizada nos jantares oficiais? Uma bela forma de encerrar sua estadia na cidade, não?

Leia também: Invenções suecas – O que seria da nossa vida sem elas

O espírito inovador Sueco inspirado por Nobel

O Prêmio Nobel carrega consigo um espírito de inovação. Acredita-se ser ele o grande impulsionador das inovações, empreendedorismo e pesquisas acadêmicas que ocorrem em Estocolmo. Não é para menos, afinal, três das quatro instituições que indicam e nomeiam os ganhadores do Prêmio Nobel estão situadas em Estocolmo. A Suécia respira tecnologia e inovação. Para se ter uma ideia, o governo tem uma agência de inovação, a Vinnova. Ela financia projetos de pesquisa em diversas áreas, desde saúde e transporte até cidades inteligentes.

Fato é que Nobel conseguiu o que tanto almejava e pode-se dizer que hoje a manchete seria outra. Assim, o homem que outrora tenha contribuído de alguma forma para a morte de pessoas, hoje premia grandes feitos da humanidade e inspira as novas gerações a inovarem cada vez mais.

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