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A imagem da mulher Québécoise: Parte 1

Existe aquele ditado popular que diz: homem (ou mulher) é tudo igual, só muda de endereço! Talvez quando a gente vive imersa na mesma cultura por muito tempo, a tendência é acreditar que essa seja realmente uma regra válida. Porém, quando mudei de caixa postal, mudei também alguns valores. Nesse processo de se redescobrir em outras terras, muita coisa mudou em relação a minha autoimagem e não foi só o espelho…

Desde a minha chegada, comecei a observar o jeito de ser da mulher quebequense (québécoise), porque quando a gente menos espera, está agindo meio parecido. Compartilho com vocês algumas lições que tenho aprendido.

1.Lugar de mulher é onde ela quiser estar

O Quebec é uma província em que o discurso da igualdade de gêneros não é apenas pauta para discussões eleitorais ou sobre o politicamente correto. Trata-se de um de seus valores comuns enquanto sociedade. E a primeira coisa que me chamou a atenção pode até parecer estranha, mas foi a quantidade de mulheres que trabalham como motorista de ônibus. Notei que a cada 5 ônibus que passam, pelo menos uns 2 eram mulheres que dirigiam. No Brasil sempre rolava aquelas piadinhas sobre as habilidades femininas no volante, mas aqui os homens não parecem se incomodar.

Outro exemplo: Atualmente, trabalho como gerente de projetos em uma empresa de TI e acho o máximo que a pessoa que conduz nosso escritório de Quebec seja uma mulher. Aliás, no grupo de gestores de projetos somos 3 mulheres e 2 homens. Tanto a equipe de desenvolvedores, essencialmente masculina, quanto os clientes, me tratam normalmente, ouvindo tudo que digo com atenção. No Brasil, exercia a mesma função e era visível a desconfiança de alguns clientes quanto à capacidade de uma mulher conduzir projetos de tecnologia. E não, não era mania de perseguição. Era um fato com o qual resolvi lidar da melhor maneira que existe: mostrando competência! Aqui, essa é a regra que determina o sucesso profissional e não o gênero.

2. Vaidade tem limites

As québécoises não vivem de aparências. Nem no sentido figurado, nem no concreto também.  A maioria das mulheres que conheci não vivem no salão, não trocam de guarda-roupa a cada mudança de estação, tem bem menos sapatos do que eu, não vivem se matando na academia, comem o que têm vontade (porém, com parcimônia) e raramente estão maquiadas.

Não se trata de uma crítica ou de dar a entender que elas são alienadas ou desleixadas em relação à moda e à estética. É apenas uma constatação que me fez perceber o quanto valorizamos em excesso as aparências no Brasil. É fato que cuidar da aparência demonstra uma preocupação com o próprio bem-estar. Além disso, também representa nosso cartão de visitas e denota credibilidade, seja nas relações pessoais ou profissionais. Por outro lado, posso dizer que, aqui, me sinto menos refém da ditadura-do-look-do-dia-conforme-as-tendências-do-SPFW, o que é um sentimento definitivamente libertador.

3. Maternidade e Carreira não são tabus

Tenho muitas amigas que souberam lidar com a chegada de seus bebês e dar continuidade a suas carreiras com muita serenidade. Mas, no geral, a minha percepção é de que no Brasil a gente precisa fazer uma escolha. Nem todas as empresas vêem com bons olhos o afastamento de uma profissional e mesmo em relação às questões trabalhistas, o tempo em que a mulher pode se dedicar a ser mãe full time é muito curto.

Em Quebec entendo que essa escolha pessoal tem muito menos impacto na carreira, pois a mulher tem direito a uma licença maternidade de até 1 ano! Isso mesmo, 365 dias, recebendo uma porcentagem de seu salário, que varia conforme o tipo de licença que a mulher escolhe. Todas as minhas cunhadas têm filhos, uma delas inclusive é médica e usufruiu do máximo de tempo possível depois do nascimento do meu sobrinho que está completando 1 ano. Ela já tinha outro menino de 3 anos.

O pai também tem direito à licença paternidade de até 6 meses, nos mesmos moldes que a mãe. Isso significa que administrar família e trabalho é uma preocupação do casal, seja ele fruto de um casamento tradicional ou quando o casal vive junto há alguns anos, porém sem ser oficialmente casados. O governo contribui, definindo o amparo legal que reforça essa necessidade. Tudo isso me conforta, porque eu sei que minha carreira não será comprometida por conta de uma decisão pessoal.

Continua no próximo artigo…

É fato que o objetivo não é desmerecer a mulher brasileira ou definir a mulher québécoise como o modelo de referência a ser seguido. Como sempre, o importante é extrair de uma nova cultura aquilo que nos faz refletir e melhorar como pessoa e mulher. Cabe a cada uma definir seus filtros e colocar em prática o que lhe convém.

Mês que vem, compartilho com vocês mais alguns fatos interessantes sobre as québécoises. Se tiverem curiosidades sobre outros temas associados ao universo feminino, deixem comentários. Será um prazer incluir suas sugestões no próximo texto.

Au revoir!

Fonte: Acervo pessoal.
Fonte: Acervo pessoal.

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9 comentários

Jessica Viana Novembro 23, 2016 at 2:19 am

Adorei Ana ❤…

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Ana Carolina Sommer Novembro 28, 2016 at 3:27 am

Oi Jéssica! Artigos como esse fazem parte da campanha para motivar os amigos a virem pra cá! Aguarde a parte 2! Abraço carinhoso!

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Stella Novembro 23, 2016 at 11:21 am

Moro em Montreal ha quase 17 anos e tenho uma visão bem diferente do q foi exposto aqui. Alem disso, é a parental leave que eh de ate 72 semanas nao a maternity leave.

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Ana Carolina Sommer Novembro 28, 2016 at 3:25 am

Oi Stella! Primeiramente, obrigada por deixar seu comentário. É fato que, em se tratando de impressões subjetivas, é normal haver divergência de opiniões. Talvez em Montréal as coisas sejam um pouco diferentes, mesmo sendo uma cidade da mesma província. No que se refere ao termo maternity ou parental leave, sendo uma ou outra, essa é uma realidade bem distinta do Brasil, referência da minha reflexão. De um jeito ou de outro, existe muito mais flexibilidade por aqui. Não muda nada em relação à mensagem que eu quis transmitir. Farei uma pesquisa mais específica sobre o tema. Você me deixou intrigada! 😉 Abraço carinhoso!

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Danyelle Novembro 25, 2016 at 4:22 pm

Ameeeei!

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Ana Carolina Sommer Novembro 28, 2016 at 3:19 am

Olá Danyelle! Fico feliz que tenha gostado! Abraço carinhoso. Ana

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Gisele Novembro 29, 2016 at 9:48 pm

Oi Caroline,

Estou de acordo com a Stella,
Estou no Canada, Quebec ha 22 anos e trabalho no governo federal. Na realidade temos os dois pais direito de 1 ano de congé parental, que poderemos organisar como quisermos. tenho 2 filhas e eu tive 1 ano para cada uma com um salario de 85% do salario regular.
É importante ter a boa informaçao sobretudo quando a publicamos, apesar deste pequeno detalhe gostei muito da seu artigo.
Gisele

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Ana Carolina Sommer Dezembro 2, 2016 at 1:37 pm

Olá Gisele! Obrigada por compartilhar sua experiência. Quem sabe no futuro eu escreva especificamente sobre esse assunto e aí eu entro nos detalhes relativos ao Parental Leave, conforme vc e a Stella mencionaram. De qualquer maneira, existem várias formas de utilizar esse benefício e é fato que eu não sou especialista na área. Vou deixar um link nos comentários para quem quiser saber mais sobre o assunto. Abraço carinhoso! Ana Carolina

Resposta
Ana Carolina Sommer Dezembro 2, 2016 at 1:41 pm

Para quem quiser maiores informações sobre Licença parental, segue link do regime de seguro parental do Québec. http://www.rqap.gouv.qc.ca/index_en.asp

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