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Suécia

Bem-vindos a Gotemburgo, costa oeste da Suécia

Muitos que ouvem falar da Suécia pensam logo em Estocolmo. Capital, cheia de arquipélagos, parques de diversão, museus, família real, ok, até vale uma visita no final de semana. Porém, os que vivem aqui concordam com o fato de que a melhor costa ainda é a costa oeste, onde fica Gotemburgo!

A costa oeste não é tão longa quanto a costa leste, no entanto, é longa suficiente para abrigar os pontos turísticos mais cobiçados tanto pelos nativos quanto por estrangeiros. Para citar alguns nomes de lugares mais procurados por estes lados: Hunnebostrand, Smögen, Fjällbaka, Strömstad e claro, nossa bela Gotemburgo. Vale ressaltar que ao me referir à costa oeste neste artigo me restrinjo a comentar sobre a região onde vivo (Västra Götaland/Bohuslän), com foco em Gotemburgo.

Mas desse lado do país, logo mais ao sul, você ainda encontra incríveis praias de areia branca com Spa’s maravilhosos para repor suas energias e aproveitar da natureza costeira no que ela oferece de melhor!

Mas falando da minha bela Gotemburgo, aqui é realmente uma cidade que todo mundo se apaixona à primeira vista – e o romance se prolonga por tempo indeterminado! Para entender um pouco do fundo histórico de Gotemburgo, farei uma apresentação bem resumida sobre os povos que influenciaram esta cidade.

Leia também: empregos na Suécia

Gotemburgo – fundo histórico e curiosidades

Durante os anos de 1600, a maioria dos habitantes de Gotemburgo eram de nacionalidades como holandeses, alemães e até escoceses. A maioria das pessoas que vinham dos respectivos países traziam consigo competências e ofícios que foram essenciais para o desenvolvimento da cidade em vários aspectos, principalmente infraestrutura, mas também cultural, político e democrático.

A região de Marstrand, por exemplo, cidade costeira localizada no noroeste da região de Kungälv, em Bohuslän, abrigou muitos judeus a partir de 1775. Sete anos após eles se instalarem na região e também em outros municípios como Nyköping, Estocolmo e Karlskrona, os judeus adquiriram uma permissão formal para o comércio nestas municipalidades, mas não antes de 1870, quando eles foram adquirir posse dos direitos como cidadãos no país.

Vários britânicos se envolveram no negócio mais quente e lucrativo da época, a Companhia Sueca das Índias Orientais. Para maiores informações, clique aqui.

Na época cada país obtinha um certo monopólio pelo comércio com certa região geográfica para determinada companhia. Devido às leis restritivas do Reino Unido, os britânicos procuraram driblar tais leis por investir no exterior. Isso acabou fazendo com que a marinha britânica lançasse uma campanha intensiva para capturar os então chamados “desertores britânicos” e, pelo fato de precisarem entrar a bordo de navios suecos, a Suécia teve de ceder cidadania a estes agentes da marinha para que pudessem, assim, se empenhar em combater o comércio ilegal que vinha se espalhando na região.

Leia também: custo de vida na Suécia

O intenso comércio na cidade de Gotemburgo deixou uma marca profunda, tanto que por conta dessa relação tão próxima com o Reino Unido, ela acabou recebendo o apelido carinhoso de Pequena Londres (Lilla London, em sueco).

Construção da cidade e a influência holandesa

O planejamento da cidade seguiu as ideias de planejamento urbano que vinham sendo aplicadas pela Holanda em outras colônias, como por exemplo em Batavia, em Java, que hoje é conhecida por Jacarta, na Indonésia.

Os holandeses se estabeleceram em Gotemburgo, carregando, além de outros, ofícios tais como construtores, comerciantes de cobre. Um construtor holandês famoso citado na carta de Axel Oxenstierna em 12 de Janeiro de 1622 foi Petrus Theodori da Holanda.

As indústrias mais importantes na época de 1760 eram de tabaco e açúcar. Até mesmo a grande pesca de arenque em cerca de 1806 trouxe grandes lucros para a cidade.

Por volta do final da década de 1700 os comerciantes de Gotemburgo construíram casas feitas de madeira ao longo do canal de Södra Hamngatan. As casas eram semelhantes à casa de Gathenhielm (veja o artigo sobre ela aqui).

Porém, praticamente todas estas casas se perderam no grande incêndio da cidade de 1802. Outro grande incêndio ocorreu na região do fosso onde devastou praticamente todas as casas de madeira daquela área.

Com o intuito de recriar a cidade depois de tais tragédias Carl Wilhelm Carlberg, o primeiro arquiteto da cidade de Gotemburgo, e seus familiares arquitetos e mestre de obras fizeram enormes doações e contribuições para este fim. Carl teve um cuidado enorme ao remodelar Södra Hamngatan, onde as casas eram de no máximo 3 andares e em estilo imperial. Tais casas estão de pé até hoje!

Giuseppe Acerbi escreveu a respeito do planejamento da cidade de Gotemburgo:

“Quanto ao interior da cidade é semelhante a um certo ponto cidades da Holanda com canais e linhas de árvores ao longo do cais, podadas ou aparadas no estilo holandês. Moradores da cidade estão em um estado de constante rivalidade contra os moradores da capital em termos de comércio bem como em termos de estilo de vida, modas e cada movimento de luxo. Várias pessoas têm me garantido que pode-se viver mais confortavelmente em Gotemburgo que em Estocolmo. ” — Acerbi 1958, p. 20f

Com as palavras de Acerbi, gostaria de encerrar este texto mencionando que este é um resumo irrisório da tamanha e rica estória de Gotemburgo.

Dica de passeio de verão: Quem tiver a chance, venha e passe pelo museu da cidade ou pesquise mais a respeito do assunto.

Sem contar a facilidade que se tem de se chegar ao arquipélago norte ou sul com muita facilidade e desfrutar de frutos do mar, sanduíches de camarão, lagostas pescadas no dia, o ambiente paradisíaco com casinhas vermelhas e alojamentos de barco pela costa, barcos à vela de todos os tamanhos, proporções e cores velejando livres pelos canais. Muitas vezes o tempo pode nos decepcionar, mas é como diz um provérbio local: Não há tempo ruim, apenas roupas ruins!

Logo segue a dica: se for pensar em fazer um passeio pela costa, que seja a melhor costa – Costa Oeste – e traga roupas extras para trocar caso o tempo não esteja para mergulho! Casacos de chuva, galocha, chapéu de pescador são acessórios ótimos e essenciais para desfrutar ao máximo da sua experiência na terra dos Vikings onde tomar banho de sol e mergulhar em águas azuis e cristalinas também é muito apreciado!

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2 comentários

Renan Agosto 22, 2017 at 9:40 pm

Que matéria linda!
Parabéns Ana!

Resposta
Ana Laura Stål Setembro 2, 2017 at 8:42 am

Obrigada Renan!
Um abraco,
Ana

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