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Malásia

Chegando em Kuala Lumpur

“Amor, tô indo para a Índia e para a Malásia. Vamos!?”

Isto era meu marido, em setembro de 2015, minha filha com 2 e meio, me chamando para viajar. Eu, louca para escapar do frio londrino, topei na hora! 

Ficamos cerca de uma semana na Índia e dali fomos direto conhecer a Malásia! Nem me “preocupei de me preocupar” com ela. Tinha certeza de que seria algo parecido com aquilo que eu sabia sobre a famosa vizinha Indonésia, mas sem as praias paradisíacas. Já estava me imaginando andando pelas ruelas de chão batido, motos para todo lado e blá, blá, blá.

“Não! Você está redondamente enganada!” (Kuala Lumpur, capital da Malásia, me chamando para a realidade). Não sei onde eu estava que não tinha nem ideia que KL (Kuala Lumpur para os íntimos) era uma cidade de arranha-céus lindos, vidro e metal para todo o lado, rodovias à lá EUA, cheia de centros comerciais para nem o melhor dos shopaholics colocar defeito, verão o ano todo, comida perfeita e uma mistura de cultura que transforma Londres em uma cidade do interior (tá bom, dei uma exagerada), já que é formada por três principais povos: malaios (maioria), indianos e chineses e por suas respectivas religiões. Para completar, dizem que a Malásia tem praias perfeitas, distantes cerca de, apenas, 1 hora de carro da capital.

Dito tudo isto, para que não haja mais dúvidas, costumo comparar Kuala Lumpur a uma mini Nova York; ela se parece muito com Canary Wharf (bairro Londrino super moderno); é uma prima de Dubai e de Cingapura e, para deixar bem claro, tem um jeitão de Barra da Tijuca, sem os perigos de lá.

O que eu fiz com toda essa informação e opinião!? Fiz as malas e vim morar em KL. Cheguei bastante animada, mas cheia de senso de realidade e pouco romantismo nas veias. Não é fácil viver em outro país. Não importa em qual continente ele esteja. Vão rolar desafios, frustrações e saudades.

A fim de me preparar para essa nova vida e trazer conteúdo interessante para vocês, resolvi pedir a um grupo incrível de mulheres brasileiras que moram aqui, que me enviassem as suas opiniões quanto às caraterísticas gerais/peculiares que mais saltam aos seus olhos, quando o assunto é Malásia e seu povo! Somei a isso, as minhas primeiras impressões. Bora lá começar a nossa descoberta?

Por mais desligado que um visitante seja, duas caraterísticas sao impossíveis de “passarem batidas”: o povo e a comida! 

Mais da metade da população é descendente de malaio, 1/4 é formada por chineses, 7% fica com os indianos e cerca de 11% pertence aos povos indígenas. Um povo simpático, amigável e muito prestativo. Toda essa gente vive em harmonia e respeito, mesmo sendo de religiões bastante distintas. 

Falando em religião, “cheguei chegando” no meio do jejum do Ramadan, realizado pelos muçulmanos que são, principalmente, os malaios, e uma boa parte dos indianos, ou seja, a maioria da população! 

Ramadan, de forma bem simplificada, é o nono mês do calendário lunar islâmico e o mais importante, por ser um dos cinco pilares do Islamismo. Este período tem como principal objetivo levar cada muçulmano a refletir sobre alguns valores como solidariedade, recomeço e generosidade; incentivá-los a praticar boas ações e demonstrar afeição para com os necessitados e pobres. Para atingir esses objetivos, o auto sacrifício, a privação e o jejum são necessários. 

E agora? Cheguei no meio do jejum, quando a maioria do povo não come desde a hora que o sol nasce, até ele se pôr. Vai ter restaurante aberto? Será desrespeitoso comer enquanto os outros jejuam? Várias foram as perguntas que passaram pela minha cabeça. Nos foi indicado não comer na rua e buscar por restaurantes ocidentais ou chineses. Isso porque os outros ficam fechados durante o dia e só abrem em horário especial, à noite, para que os muçulmanos possam se deliciar com os cardápios especiais que eles oferecem nesta época, especialmente para celebrar a quebra do jejum diário. Achei bem interessante. 

Em cidades grandes, com mistura de povos e turistas, como é o caso de KL, mal se percebe a diferença durante esse período. Já em cidades menores, a vida diurna fica menos movimentada e muitos estabelecimentos fecham.

Mudando de assunto, mas não de temática, que tal falarmos da comida? Só de pensar me dá água na boca! Malásia significa boa comida, como se diz por aqui. Caso de obsessão nacional! Enquanto na Inglaterra o principal assunto é o clima e no Brasil é o futebol (no momento, infelizmente, é a pouca vergonha da nossa política) por aqui a comida ganha disparado! 

Muitos ocidentais reclamam mas eu, particularmente, AMO! Sabe comida cheia de temperos, aroma, repleta de cor e sabor? Pronto! É a comida local! Desde que cheguei não tem um dia que eu não diga que acabo de comer a melhor comida da minha vida. Meus pratos preferidos são Satay (adoro o molho de amendoim) e galinha com molho caramelizado e arroz de alho. Com certeza, comida será assunto para muitas outras conversas!

Segue agora o resumão dos aspectos, um tanto quanto interessantes e diferentes, que a gente encontra na Malásia. Valeu gatas brasileiras pela ajuda

  • Acesso fácil para outros lugares paradisíacos da Ásia, com custo baixo.
  • Diversos feriados religiosos; lembre-se que são muitas religiões por aqui
  • Excelentes escolas internacionais e muitas atividades para as crianças e adolescentes, porém com preço um pouco alto.
  • É quente e úmido o ano inteiro. Temperatura fica, na maior parte dos dias, entre 27 e 32 graus. Chove bastante. Quase todos os dias cai uma chuva que parece ter hora marcada.
  • O País é super arborizado. Áreas verdes, com muitas espécies de plantas e flores.
  • KL é bem preparada para o calor. A maioria dos locais tem ar- condicionado bem gelado, ventilador nos corredores e alguns lugares possuem aquele esguicho de água para refrescar!
  •  Todos os apartamentos e hotéis em que já estive possuem tanto ventilador quanto ar-condicionado, em todos os cômodos.
  • Maioria das casas/apt possuem pequenos degraus que separam os cômodos. Na minha opinião, desnecessários. Já quase perdi alguns dedinhos dando topadas por aí!
  •  Muito comum encontrar uma fruta chamada Durian (uma espécie de jaca), considerada uma das frutas mais fedorentas do mundo! Seu consumo é proibido em locais públicos, táxi e até dentro dos quartos de hotéis.
  • Com todo o amor deles por comida, 90% das residências possui duas cozinhas. Uma que eles chamam de molhada, para fazer comida pesada, e a outra chamada de seca, para o dia a dia e comidas leves.
  • Crianças são adoradas! Ninguém vai reclamar ou fazer cara feia se seu bebê abrir o berreiro em um restaurante.
  •  Animais de estimação não são bem vistos. Gatos e cachorros são raridades e seus donos podem sofrer algum tipo de bullying. A maioria dos condomínios não aceita pets e até 2015 essa proibição era lei. Os muçulmanos acreditam que cão, por exemplo, é um animal impuro.
  • Apontar com o dedo indicador para alguém ou alguma coisa é considerado falta de respeito. Sendo assim, eles apontam com o dedo polegar.
  • Em restaurantes, os pedidos nunca vêm ao mesmo tempo. Muito chato isto.
  • Na maioria das cafeterias, o açúcar para colocar nas bebidas vem em calda.
  • Você sempre deverá tirar os sapatos para entrar na casa de alguém. Além de uma questão de higiene, esse hábito está ligado à cultura. Eles creem que fazendo isso estão deixando as “energias impuras” do lado de fora. Além disto, é um gesto de respeito, pois você demonstra que não quer “sujar” aquele lugar e que tem a humildade de despir os pés para pisar ali, como se faz em um lugar sagrado.
  • Custo de vida é ótimo se comparado ao dos países da Europa e, até mesmo, ao do Brasil. Malásia é um país desenvolvido, com várias opções de escolas, excelentes restaurantes, segurança, bons bairros para se morar, tudo com um preço bem bacana.
  • Em banheiros públicos sempre encontrará uma das cabines com vaso sanitário comum, que se pode sentar, e uma outra com, apenas, um buraco no chão! Haja equilíbrio. Nestes banheiros, também é muito comum encontrar o chuveirinho higiênico ou uma torneirinha mesmo!
  • Visto de trabalho é muito difícil de se obter. Eles têm uma espécie de protecionismo para com o povo local que sempre terá prioridade para as vagas de emprego.

Espero que tenham curtido meu texto de estreia! Até mês que vem!

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14 comentários

Carolina Julho 5, 2017 at 8:24 pm

Adorei Jana!! Que vcs sejam muito felizes na nova vida em KL!!! Parabéns pelo texto! Deu vontade de viajar praí!!! Bjs bjs

Resposta
Janaína Barreto Julho 5, 2017 at 11:47 pm

Fico super feliz Carolina! O do mês que vem tá super demais! Vou falar sobre uma Praia paradisíaca que visitei aqui! Me acompanha no Insta:janaonthego
Também acabei de publicar um blog pessoal: janaonthego.com
?

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PIERRE MARIANO STERQUE Julho 5, 2017 at 10:16 pm

Show o texto, um dia vou conhecer KL e me hospedar ai hein, né cunhada.

Resposta
Janaína Barreto Julho 5, 2017 at 11:48 pm

??! Obrigada Pi!

Resposta
Renata Julho 6, 2017 at 12:35 am

Oi Janaina também moro na Malásia mas em Ipoh a 2hs de KL. Estou aqui já tem 1 anos e somos em muitos brasileiros nesta região. Se precisar de alguma informação adicional e puder ajudar fique a vontade.

Resposta
Janaína Barreto Julho 6, 2017 at 1:57 pm

Renata, espero ir visitar sua região em breve! Sinta-se, sempre, a vontade d para enriquecer os textos! ?

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Crisliene Julho 6, 2017 at 12:45 am

Jana minha linda amiga…que texto maravilhoso de ler e vontade de quero mais…sucesso amore…vc é demais, te adoro e admiro…bjus

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Janaína Barreto Julho 6, 2017 at 1:58 pm

Miga amiga linda! Obrigada pelo carinho! A admiração é mútua e eterna! Amu tu! ?

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osmar pertile Julho 6, 2017 at 1:06 pm

Janaína cigana! Eu quisera ter esse texto para minhas aulas de História. Tão bem escrito que me senti KL. Já estou aguardando o próximo.
A gente faz outra ideia destes países (preconceito?)
Adaptaram-se facilmente? E os estudos de tua filha? Muitos brasileiros e qual a atividade deles?
Abração!

Resposta
Janaína Barreto Julho 6, 2017 at 2:10 pm

Mestre, obrigada! Eu tinha uma ideia completamente equivocada daqui! Espero abordar todos os temas que questionastes nos textos futuros! Mas deixa eu te responder de forma breve aqui! Preconceito nenhum! Da parte deles conosco não existe. Ainda em decorrência da época colonial eles nos consideram melhores ?! Quanto a adaptação, nem considero que esteja passando por uma adaptação! Me sinto em casa, coisa que não aconteceu na Inglaterra! Que louco isto né…? Mas acho que é algo bem pessoal! Bella estuda em uma escola Montessori onde a maioria dos alunos é Expatriado! A educação tem currículo Britânico! A quantidade de brasileiros me surpreendeu! Muito mais do que imaginava! A maioria vem expatriado por alguma multinacional. A comunidade brasileira é bem diferente da que se encontra nos EUA ou Europa onde muitos Brazucas chegam, ainda jovens, para tentar a vida! Quero escrever um texto sobre a relação entre os brasileiros quando estão fora da Pátria! Espero que continue acompanhando os textos!

Resposta
Dai Ruskowski Julho 6, 2017 at 5:30 pm

Tu escreve lindamente, não tem como ler e não querer se teletransportar para os lugares que tu descreve, mesmo os que tu não avalia muito bem despertam curiosidade. Que maravilha dar uma olhada na Malásia através dos teus textos e ficar aqui contando as horas para as próximas férias! Iupiiiiii!!! Beijão…aguardando o próximo!

Resposta
Janaína Barreto Julho 7, 2017 at 7:01 am

Tô te esperando para vivermos juntas estas aventuras!

Resposta
Laseir Martins Julho 7, 2018 at 4:52 pm

Olá!!! Adorei seus textos, são objetivos e esclarecedores. Estou me aposentando e desejo sair do Brasil, pois viver aqui já deu: política, economia, segurança, educação e saúde nota ZERO. Se possível gostaria de ter noção de custo de vida, principalmente, moradia e educação. Por exemplo, qual valor de aluguel casa e
apto, e educação básica para filha menor em KL?
Obrigada pelos textos.

Resposta
Liliane Oliveira Julho 7, 2018 at 6:23 pm

Olá Laseir,
A Janaína Barreto parou de colaborar conosco, mas temos outra colunista em Kuala Lumpur chamada Vanessa Taboada que talvez possa te ajudar.
Você pode entrar em contato com ela deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
Obrigada,
Edição BPM

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