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Como conseguir ser aceito numa faculdade na Inglaterra

Escrever sobre estudar na Inglaterra é bem interessante por duas razões: primeiro, porque eu já estive na situação de querer estudar aqui e quase não poder, simplesmente pelo Brasil ser tão obcecado com o vestibular que outras opções nem sequer eram informadas para os alunos. A segunda? Existem muitos mitos relacionados a estudar aqui. Um deles, que você precisa ser um “gênio”.

Provo que não é impossível fazer faculdade aqui. Estudo Relações Internacionais na Inglaterra, numa faculdade chamada Keele University, localizada em Newcastle Under Lyme. É um campus rural, calmo e cheio de esquilos! Evidentemente, a instituição é séria, prestigiada e atraente para estudantes de diversas partes do mundo (com um destaque para chineses, que encontro aqui aos montes!).

É tão boa como Oxford ou Cambridge? Não. Mantém os padrões britânicos de excelência? Claro. Precisei ser “nerd” para ser aceita aqui? Não!

Já repeti de ano – calma, vou explicar! Viajei para Los Angeles, nos EUA, prestes a começar o segundo colegial e estendi minha estadia, ficando cinco meses no país, aprendendo inglês. Saí com um certificado de proficiência na língua no nível mais avançado que a escola oferecia. Ao retornar ao Brasil, foi difícil acompanhar o ritmo das aulas, justamente por ter passado um semestre inteiro no exterior. Outros alunos que também viajaram decidiram repetir de ano por conta própria, pois tinham consciência de quantas aulas perderam – é claro que muita gente faz o colegial nos Estados Unidos e não precisa repetir de ano, mas nosso caso não foi esse.

Finalmente, passado esse primeiro ano de retorno ao Brasil – um tanto estressante -, cursei o segundo e terceiro colegiais e obtive boas notas. Em exatas, minha média geral foi 7. Nada incrível, não é mesmo? Mas em humanas eu brilhei. Em Inglês, terminei o terceiro colegial com uma média anual de 9,5. Consegui outras médias muito boas em matérias como Sociologia e Produção de Texto (entre 8 a 9).

Portanto, acredito que por mais que eu não tenha sido a melhor aluna da turma, eu ainda consegui demonstrar competência em matérias que serviriam de fundamento para meu curso desejado, Relações Internacionais. Acredito que minhas viagens internacionais também foram levadas em conta – fica a dica!

Quando finalmente recebi meu boletim final, comecei a procurar na Internet a respeito de estudar na Inglaterra. Descobri que para entrar no primeiro ano de um curso universitário daqui, precisaria ter estudado numa escola que tivesse parceria com faculdades britânicas ou norte-americanas – por exemplo, deveria ter estudado algo equivalente ao “High School” no Brasil ou no próprio país. Não tinha feito isso, então eu tinha duas opções para conseguir estudar na Inglaterra: entrar pelo “Foundation Year” ou “International Year One”. Optei pelo segundo.

International Year One (fornecido principalmente pela empresa especialista em educação internacional Study Group) significa “Primeiro ano internacional” e é um curso preparatório que muitas faculdades oferecem para estrangeiros que desejam estudar no exterior. A diferença de um cursinho tradicional brasileiro é que, uma vez aceito para este programa (com base de notas acima da média, IELTS, carta motivacional, recomendações de dois professores e capacidades financeiras para obter o visto Tier 4 de estudante), o aluno já é considerado aluno da faculdade e passará para o segundo ano desde que consiga tirar as notas mínimas determinadas pela instituição desejada. Aqui em Keele, eu precisava tirar 40% em todas matérias e 60% no último semestre em Inglês Acadêmico. Consegui passar.

Já o Foundation Year, ano “base” ou “fundamental”, não é exclusivo para alunos estrangeiros. Britânicos que por um motivo ou outro não possuam as qualificações necessárias para entrar no primeiro ano de seu curso escolhido também podem fazê-lo, já que é uma espécie de “ano zero”. O foundation year é barato e dá muitas oportunidades para diversas pessoas, mas eu particularmente não recomendo se você tem a opção de entrar pelo mais rápido, “International Year One”. Cursos universitários britânicos têm, em média, 3 anos de duração e o “foundation year” tem 4 (3 anos de curso, 1 ano de preparação), portanto é evidente o porquê de eu escolher o que escolhi.

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Recomendo entrar em contato com as próprias instituições ou, como fiz no meu caso, contatar agentes do Study Group online. Para a Inglaterra, faça a prova de proficiência em inglês IELTS já que o Toefl não é mais aceito por aqui. Consegui admissão com a nota 6,5 de 9. Mesmo com um inglês avançado, achei a prova complicada. Minha dica? ESTUDE!

Quanto a cursar no Brasil, país que não incentiva cursos INTEIROS no exterior (talvez por questões financeiras, já que a libra esterlina é uma moeda cara em relação ao real), recomendo fazer tudo independentemente, confiando nos agentes em educação internacional que, muitas vezes, já foram alunos aqui eles mesmos. Não será fácil, mas valerá a pena. Quanto ao visto, o segredo é provar que foi aceito numa faculdade daqui e ter dinheiro para cobrir o custo INTEIRO do primeiro ano do curso e custo de vida (9.180 libras esterlinas por 9 meses em Londres ou 7.380 libras em demais regiões). É caro? Sim. Portanto, planeje-se com MUITA antecedência.

O diploma britânico é reconhecido e valorizado em diversos países. Não se esqueça, porém, de que entrar na faculdade, seja aqui ou no Brasil, não é simplesmente uma obrigação, mas o início de uma nova etapa extremamente benéfica em sua vida e na qual você obterá muita independência. E caso opte em estudar aqui, encontrará gente do mundo inteiro.

Leia mais sobre a Inglaterra: Tudo o que você precisa saber para morar na Inglaterra!

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6 comentários

Rayane Alvim Agosto 15, 2015 at 4:14 pm

Ótimas dicas 😀 amei o texto!

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thaiscmgomes Agosto 21, 2015 at 11:09 pm

Muito obrigada, Ray! Caso vc queira alguma outra dica mais especifica, me avise pq talvez de pra fazer um texto sobre ela 😛 xoxo

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Ester Outubro 6, 2015 at 7:05 pm

E para quem não tem uma vida financeira muito boa , no meu caso que moro na favela ( Opsss. comunidade rs ) tem alguma ajuda que possa ter para estudantes no exterior ( caso passa ) com os custos que possa vir a ter no pais residente ?
Adorei seu texto também :3

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Marilia thumel Abril 24, 2016 at 1:58 am

Thais, eu ainda estou no,primeiro ano colegial e o meu colegio é dividido em 4 bimestres eu so fiz o primeiro bimestre ate agora porem minhas notas nao foram mto bos foram baixas, se eu consegui notas melhores nos proximos bimestres e ano você acha que esse meu primeiro bimestre contaria muito na hora q eu fosse avaliada pra passar em uma faculdade aí na inglaterra tipo á sua?

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Renata Miriuk Junho 11, 2016 at 7:44 pm

Oi tudo bem? Eu tenho cidadania europeia e já terminei a escola (tenho 21 anos) e vou me mudar para Londres, a duvida é se faço a faculdade no Brasil ou ai, mas então, para eu entrar em uma faculdade como faz? Precisa fazer um tipo de vestibular? Preciso ter o IELTS ou posso tirar no correr do ano letivo?

Meu plano é me mudar e ficar, talvez trabalhar antes e juntar uma grana, mas não achei muita informação a respeito de como faz para me matricular e do que é necessário…

Agradeço por tudo

Bye bye

Resposta
Larissa Cristina Alves Setembro 1, 2017 at 5:59 pm

Oi, eu estou finalizando meu último ano esse ano. Tem como ano que vem (2018) eu começar uma faculdade em Londres?

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