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Construindo o sonho de morar no exterior

É cada vez mais comum encontrar jovens que sonham em viajar ao exterior, talvez por vivermos num mundo interconectado como o atual. Embora as motivações de tais jovens sejam, rotineiramente, ingênuas e influenciadas por uma mídia que tende a vender uma imagem glamourizada geralmente de países desenvolvidos, ainda é possível encontrar pessoas que realmente tenham motivos concretos que justifiquem suas intenções de viajar.

Não pretendo discriminar as pessoas mais ingênuas, incapazes de articular o porquê de seus anseios. Viajar também iria beneficiá-las – assim, poderiam desmentir por si próprias estereótipos relacionados à realidade de outros países – “não existe corrupção”, “lá fora tudo funciona”, entre outros. Ademais, viajando, seriam capazes de desenvolver habilidades valiosas, tais como as de adaptação e independência.

A questão, porém, é que afirmar que viajar faz bem não é nenhuma novidade. O que pessoas que dão conselhos como “largue tudo e viaje!” ou “um homem precisa viajar!” tendem a ignorar são fatores mais realistas que frequentemente dificultam a aplicação de tais conselhos na prática. Quais tipos de fatores? Dinheiro, dificuldade de se aprender um idioma, falta de apoio dos pais, entre outros.

Entretanto, antes de começar a analisar tais fatores profundamente, pretendo analisar os sentimentos comumente por trás de sensações de incapacidade e falta de controle, sentimentos que muitas pessoas são obrigadas a enfrentar ao se depararem com as diversas dificuldades em se preparar uma viagem ao exterior de maneira eficaz. Como turista, (quase) tudo é mais fácil – porém, ao tentar emigrar, os obstáculos – desde burocracias de visto à integração na futura comunidade – são inúmeros.

Gostaria de reassegurar, portanto, àqueles que passam por situações parecidas no momento: a verdadeira bênção em se passar uma temporada no exterior é o aprendizado que levamos disso. Isso não quer dizer, entretanto, que esse aprendizado não comece antes mesmo da tão sonhada viagem!

E quer maneira mais literal de se aprender do que, antes de viajar, estudar um idioma por si próprio? Sem precisar fazer “cursinho”! Falo por experiência própria, pois quando ainda estava começando a aprender inglês, assistia seriados americanos e compunha em inglês – músicas que, no início, continham vários erros gramaticais. Mas nunca desisti e, graças ao meu esforço, hoje tenho contato com gente de todo mundo, fato que me providencia um aprendizado inesgotável.

Mas eu tenho, sim, uma dica predileta! Use o Google ao seu favor. Se você for como eu, que adora ler artigos na Internet (por exemplo, adoro pesquisar sobre psicologia online), na próxima vez que perceber que é incapaz de lidar com determinada situação, não pesquise, por exemplo, “como lidar com ansiedade” em português – procure em inglês, para aparecerem resultados na língua. Virará um hábito e você nem vai perceber que está lendo em inglês, o que influenciará seu cérebro a aprimorar a velocidade de seu raciocínio no idioma.

Quanto a dinheiro, é válido trabalhar no próprio país e economizar. Outra proposta interessante, porém, seria encontrar alternativas mais econômicas de intercâmbio como programas de au pair nos quais mulheres, principalmente, cuidam de crianças de “host families”, aprendendo a língua do país escolhido sem precisar arcar com custos de acomodação. Esse programa pode ser benéfico por possibilitar que você viaje, melhore seu currículo ao incluir nele experiência internacional, sem ser necessário juntar dinheiro no Brasil por muito tempo (ganhando em real, que é desvalorizado em relação a moedas como dólar americano ou libra esterlina).

Outra opção conhecida é o Ciência Sem Fronteiras, embora interessante especialmente para estudantes principalmente de exatas, já que estudantes de humanas estão excluídos do programa e têm que considerar outras opções. Felizmente, existem vários programas de férias no exterior com trabalho que, embora curtos, são tão benéficos quanto quaisquer outros. Vale conferir os estágios Co-op no Canadá que viabilizam estudos com estágios no país.

Entretanto, até mesmo os intercâmbios mais baratos têm custos – como pagamento de passagem, acomodação (exceto au pair) – com os quais algumas pessoas simplesmente não podem arcar. Ou, no caso de pessoas mais jovens, não têm autorização dos responsáveis para viajar. Nesse caso, recomendo paciência e contato frequente com estrangeiros a fim de se praticar a língua desejada (vale procurar “Language Exchange” no Google e contatar por Skype milhares de pessoas que gostariam de aprender sua língua e você, a delas).

Tente ascender profissionalmente no Brasil, desenvolvendo competência em áreas estratégicas como proficiência em múltiplos idiomas. Hipoteticamente falando, as chances de sua futura empresa precisar de alguém disposto a fazer serviços em seu nome no exterior são cada vez maiores e esse alguém pode muito bem ser você, contanto que você se sobressaia.

Não se contente com inglês, aprenda também francês, por exemplo, e verá que suas oportunidades se multiplicarão.

Não vejo problema algum em se lutar por um objetivo que, talvez, não se realizará imediatamente. Por mais que você não chegue a virar alguém “importante” (termo imensamente subjetivo), você não pode, simplesmente, ignorar tudo aquilo que te acontecesse de bom. É preciso se dedicar no que você faz atualmente, por mais que seu desejo de viajar não possa se realizar instantaneamente, pois as chances que seu esforço e suor dominem diversas áreas de sua vida são enormes.

É claro que, por mais que você não chegue realmente a representar sua empresa no exterior no futuro, pelo menos você, provavelmente, conseguirá bancar suas férias no exterior com mais facilidade.

Por que não usar isso como motivação para trabalhar ou estudar duro para conquistar seu sonho?

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10 comentários

Cristiane Leme Julho 14, 2015 at 8:36 pm

Texto muito bacana, Thais. Vai inspirar muita gente! E sim, concordo que onde há um desejo, sempre há um meio – eu também sou poliglota (falo 7 idiomas, incluindo o português) e aprendi a maioria sozinha, somente estudando pela Internet e conversando com pessoas estrangeiras. Parabéns pelos seus esforços e muito sucesso pra você!

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thaiscmgomes Julho 15, 2015 at 10:09 am

Oi, Cristiane! Muito obrigada pelo seu comentário e parabéns por ser poliglota! 7 idiomas não são pouca coisa, rs. Felizmente conseguirei inspirar alguém, como você mesma disse 🙂 Sucesso para você também!

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Claudinha Julho 15, 2015 at 9:16 am

Muito bom o texto! Tá de parabéns! 🙂

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thaiscmgomes Julho 15, 2015 at 12:11 pm

Valeu, Claudinha 🙂

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Simone Julho 25, 2015 at 1:57 am

Parabéns filha , pelo texto e muito sucesso !!! Te amo muito e tenho muito orgulho de você. Bjs

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thaiscmgomes Julho 25, 2015 at 4:57 pm

Obrigada por compartilhar e comentar no texto 🙂 fico feliz que você tenha gostado, tb te amo :* <3

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Rosa Maria Inocencio Julho 25, 2015 at 7:47 am

Parabens Thais continue assim,pois não são todas as jovens como voce que pensam assim.Realmente vc é um orgulho pra sua Mãe.Me interessei super no Let Thais Teach.Um bjo.

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thaiscmgomes Julho 25, 2015 at 4:59 pm

Oi, Rosa! Td bem? Obrigada pelo comentario e por gostar do texto 🙂 Quanto ao Let Thais Teach, entre em contato cmg caso vc se interesse pelas aulas, seria um prazer te ensinar 🙂 bjos

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Fabiola Setembro 24, 2015 at 6:31 pm

Thais, Boa tarde!

Meu nome é Fabiola, sou engenheira, com dupla nacionalidade Portuguesa. Tenho 27 anos. Eu acabei de ser demitida no Brasil e tenho otimas experiencias acumuladas nestes ultimos 7 anos na area automotiva. Tenho um bom ingles (nao fluente, mas avancado) e tenho espanhol fluente.

Minha duvida: ir trabalhar na europa (aonde meu diploma de engenheira nao eh aceito, mas especializações como o PMP e o Prince2 sao muito bem aceitos) ou nos USA.

1) Nos USA sei que eh mais vasto de opções de trabalho e de aceitação de um estrangeiro (me desmintam se eu estiver errada, foi a experiencia que tive no meu intercambio) tão quanto o clima pode ser bem favoravel, mas eu teria que arranjar um visto de trabalho atraves de meu empregador e quem sabe ainda ficar ilegal um periodo.

2) Ja no UK, eu tenho medo de nao achar um emprego por ser Brasileira/Portuguesa, ou ainda nao conseguir achar um emprego nas regioes vizinhas e viver “mediocramente” porque os alugueis sao muito caros (nunca fui para europa mas ando pesquisando sem limites, acho que o fato de eu achar que os britanicos nao me darao emprego na minha formação eh puro medo ou eh verdade?).

Nao tenho problema algum em “lavar pratos” em um periodo de adaptação, ateh pelo “click” na lingua que eu preciso e de ganhar em pounds pq hoje em dia o real nao ta valendo nada (nao sei se escutaram que o dolar esta a 4,15 e o pound a 6,3), mas obviamente nao quero passar um ano fazendo isso….

Podem me ajudar com alguns fatos e detalhes?
Agradeço muuuuuuuuuuuuito desde ja!!!!

Resposta
Adriano Leite Março 17, 2016 at 3:46 pm

Olá, Thais, tudo bem? Meu nome é Adriano, sou licenciando em Letras-Inglês e já pensei em morar no exterior, constituir família e exercer minha futura profissão por lá.

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