Como é morar na Cidade do Panamá

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Como é morar na Cidade do Panamá.

Foi em meio a uma viagem de estudos nos Estados Unidos que meu marido recebeu a proposta de mudança para a cidade do Panamá. Mesmo sem saber muito (ou quase nada) sobre o país, não pensamos duas vezes e nos organizamos para a transferência.  Tive a oportunidade de estudar um ano em Portugal e, desde o retorno para o Brasil, minha vontade de fazer as malas e “viajar por aí” era imensa e foi contagiando meu marido aos poucos.

A mudança aconteceu em julho deste ano, mas o processo imigratório começou em janeiro. Às angustias das esperas juntavam-se as expectativas da vida no novo país. Tivemos a oportunidade de passar alguns dias na cidade, em dois momentos diferentes, para acertar os trâmites legais da residência. Nas duas estadas, aproveitamos para conhecer a cidade sob dois olhares: turistas e residentes. De um lado, a procura pelas atrações (que foram além do magnífico e famoso Canal do Panamá) e de outro, a preocupação com o estilo de vida e moradia.

Leia também: 5 dicas sobre a Cidade do Panamá

Parte (ou grande parte!) da adaptação é facilitada pelas maravilhas que estamos descobrindo.

A cidade do Panamá está sempre cheia de turistas que chegam para conhecer a cidade nas férias ou outros que estão tendo um ou mais dias de conexão entre suas viagens. Escutar várias línguas e observar diferentes costumes me dá a impressão de que sempre terei novidades e aprendizados por aqui.

Do frio de Porto Alegre, estamos agora em uma cidade que é quente (demais!) o ano todo, todos os dias, manhã, tarde e noite. Aliado ao clima tropical, somos presenteados com belas praias banhadas por dois oceanos, Pacífico e Atlântico. E o mar do Caribe está logo ali! Em cinco meses, barcos e lanchas viraram um novo tipo de transporte, para podermos chegar às tantas ilhas que nos oferece este país.

Além das belezas naturais, gosto da mistura de crescimento econômico (representado por inúmeras multinacionais e estrangeiros que aqui se instalam) com a realidade nativa. Temos uma região, por exemplo, chamada “San Blás”, coordenada e habitada por povos indígenas, que organizam as visitas dos turistas ao local.

As altas temperaturas não impedem a prática de esportes. Pelo contrário, o que vemos são muitos panamenhos e estrangeiros residentes correndo, caminhando, andando de bike, dançando, jogando pelas ruas, na bela Cinta Costeira ou nas praças e parques. Acaba sendo um convite para mim, me ajudando a ter uma vida menos sedentária, como a que tinha no Brasil. Aproveito o clima para nadar ou frequentar aulas de Zumba, que são gratuitas em alguns locais abertos.

Tirando a saudade da costelinha de churrasco gaúcha, não estamos encontrando muitas diferenças em relação à culinária brasileira, pois conseguimos achar quase tudo o que queremos no supermercado. Os quitutes brasileiros, a querida erva de chimarrão ou a nossa farofa irresistível, são trazidos pelos familiares ou a gente acaba achando nos grupos das redes sociais. Brasileiros estão em todos os cantos e por aqui não é diferente. Já trouxemos uma churrasqueira de espetos portátil do Brasil. A diferença é que agora assamos em frente ao mar clarinho. Bom também, não?

Por outro lado, o trânsito é agitado e traz consigo um “super” congestionamento, incansável barulho de buzinas, lei dos carros maiores, quase nenhuma gentileza, pouco respeito ao pedestre e difícil acesso ao transporte público. Aos poucos estamos nos acostumando, mas esse foi um dos grandes motivos que nos trouxe para uma região mais afastada do centro da cidade, chamada “Panamá Pacífico”.

Leia também: como alugar um imóvel na Cidade do Panamá

Como é morar na Cidade do Panamá

É nesse local que juntos, eu-esposo- cachorro que trouxe do Brasil (que aventura foi trazê-lo!), estamos encontrando nossa paz no estilo de vida. Quando queremos o agito, pegamos o carro e, dependendo do horário, chegamos em vinte minutos no centro.

Pretendo escrever um texto sobre custo de vida, mas adianto que o aluguel tem um custo relativamente alto e depende de fatores como localização, se está ou não mobiliado e o que está incluído no valor (como água, gás, luz, condomínio, por exemplo).

Percebo que jovens profissionais (solteiros) estrangeiros que vêm para cá dividem o aluguel. No nosso caso, tivemos um pouco mais de dificuldade em função do nosso “perro” (cachorro).

Por outro lado, como meu marido já veio com trabalho e renda comprovada, tudo se tornou mais simples. Todos os aluguéis pedem um adiantamento, portanto, você já começa pagando a referência de dois meses. No final, após avaliação do contrato e condição do imóvel, o valor é devolvido.

Conhecer as condições dos bairros e pesquisar valores de aluguéis não é tarefa fácil para novos residentes, acredito que não só por aqui, mas em todos os países. Há muitas coisas em jogo, estilo de vida, segurança (acho que para nós brasileiros isso é o que mais pesa!), investimento inicial e tantos outros aspectos que deixam a vida agitada, mas mais tranquila. Isso é o mais estranho na mudança, vamos criando uma nova rotina para a família, trazendo muito de nossas raízes, mas incorporando uma nova cultura. Isso é fantástico na verdade, me recorda o porquê de querer viajar novamente.

Deixei na cidade de Porto Alegre uma bolsa de mestrado em Educação, mas consegui manter as orientações e escrita da dissertação via online. Destaco tal fato porque, envolvido nele, encontra-se a construção de minha carreira acadêmica e profissional. Mudar de vida exige, para além da superação da saudade dos que amamos, a coragem para recomeçar. Aprender a retomar ou criar uma nova rotina é um desafio constante para quem foi professora e estudante por muitos anos, no Brasil.

Aceitar o desafio é o primeiro passo e, aos poucos, em meio aos processos de adaptação, a nossa essência continua sendo a mesma. A professora e estudante, que eu achei que tinha ficado no Brasil, já frequenta a Universidade do Panamá nas aulas de espanhol. Sim! Estudar a língua local é um grande passo, pois a rotina te exige se comunicar não mais como turista, mas como um residente que não está mais viajando, mas MORANDO em um novo país! Por enquanto, tudo isso “me encanta”.

17 Comentários

  1. Oi… Gostei muito do post…. vc citou uma coisa muito importante e que está motivando a mim e a meu esposo a possibilidade de nos mudarmos do Brasil…. a segurança!!! Bom, aqui no Brasil a insegurança e a violência!

    Gostaria de saber como é aí no Panamá comparada ao nosso país. É um país seguro? Poderia passar mais informações referente a esse assunto??

    Obrigada!

    • Olá, Meire. Realmente, a segurança No Brasil preocupa cada vez mais. O Panamá é mais seguro, sim. O que vejo pelos comentários daqui e pelos noticiários é que tem roubos, mas não aquela violência como no Brasil. Você sugeriu um bom tema, aguarde e eu escrevo melhor sobre isso. Obrigada.

  2. Oi Clarissa! Em 1º lugar quero te parabenizar por responder os comentários. Muitos não são capazes desta gentileza.
    Meu caso de amor platônico com o Panamá começou com aquela matéria do Globo Repórter e continua…Eu estou tentando pesquisar empresas brasileiras que tem negócios no Panamá ou Panamenhas que tenham negócios no Brasil? Você saberia me indicar alguma?
    Obrigada!

    • Oi Jan, tudo bem? Por hora conheço as multinacionais que têm negócios aqui e no Brasil (Copa, Dell, Adidas, Nestlé…). No caso destas têm muitos brasileiros que trabalham aqui. Tem Via Uno por aqui, que é brasileira (loja de calçados), mas pequenas empresas aqui ou negócios no Panamá não saberia te informar. Se tiveres FaceBook te sugiro perguntar na comunidade Brasileiros no Panamá. Obrigada.

  3. Oi Clarissa, tudo bem? Meu marido recebeu uma proposta de trabalho aí no Panamá, mas estou bastante insegura pois tenho dois filhos pequenos, um
    de três anos que já frequenta escola aqui no Brasil, é um bebê de 6 meses. Você sabe me dizer se há boas opções de escola aí e se faz parte da cultura do país as crianças frequentarem a educação infantil? Muito obrigada, Carla.

  4. Oi Clarissa Td bem,gostaria de saber como posso arrumar um emprego neste País pois adoraria morar aí tenho fascínio por este país, bjs espero uma resposta.

  5. Boa noite Clarissa!!

    A empresa onde trabalho me transferiu para o Panamá, acredito que em dezembro já estarei aí, me indica algum bairro bom para morar….

    • Olá Rafael!
      A Clarissa Pereira parou de colaborar conosco, mas temos outra colunista no Panamá.
      Você pode entrar em contato com ela deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
      Obrigada,
      Edição BPM

  6. Ola Clarissa tudo bem, primeiramente parabéns pelo seu post, gostaria de saber como vc fez para levar seu cachorro, pois estou de mudança tbm e queria muito poder levar o meu, so tenho medo pq ele e grande ”bordecollie”, vc saberia me dizer como seria.

    • Olá Leonardo,
      A Clarissa Pereira parou de colaborar conosco, mas temos outra colunista no Panamá.
      Você pode entrar em contato com ela deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
      Obrigada,
      Edição BPM

  7. Parabéns pelo post. Sou servidor público e no ano que vem me aposento e tenho planos com minha esposa e duas filhas de 8 e 10 anos de migrar para o Panamá na condição de jubilado. Minha esposa trabalha com estética e não vejo posts sobre essa área. Também não acho publicações sobre escolas e a adaptação sobre as crianças e adolescentes filhos de brasileiros que vem estudar no Panamá. Está dado a dica.Moramos em Cuiabá.

  8. Gostaria de saber sobre emprego no Panamá, já que tenho interesse em morar no país, tem alguma dica ou grupo de rede social para tirar algumas dúvidas e ficar por dentro de como devo fazer para não ir no escuro.

    • Olá José Olegário,
      A Clarissa Pereira parou de colaborar conosco, mas temos outra colunista no Panamá chamada Ana Rodrigues que talvez possa te ajudar.
      Você pode entrar em contato com ela deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
      Obrigada,
      Edição BPM

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