Como é o Natal na Turquia

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Arquivo pessoal
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Claro que, por razões religiosas, não existe Natal, aqui, na Turquia, pelo menos não o Natal com o significado original e religioso que conhecemos. Mas, tem Natal, sim, e ele acontece no ano novo! Oi? Já explico!

Era dezembro de 2014 e o meu primeiro Natal na Turquia se aproximava. Durante uma caminhada após o trabalho, surge essa conversa com um colega:

Eu – Então, vocês não celebram o Natal, né?

Colega turco – Não. Não é um feriado muçulmano, né?!

Eu – Verdade! Tá, mas, vocês comemoram o ano novo, não comemoram?  – Na verdade, tudo o que eu queria com esse diálogo era saber se teria alguma folga no fim do ano, para poder fazer uma viagenzinha.

Colega turco – Ano novo sim, nós comemoramos a virada.

Eu – Legal. E como é que vocês chamam o ano novo?

Colega turco – A gente chama o ano novo de Natal!

É isso mesmo o que vocês leram, os turcos chamam de NATAL o feriado de 1o de janeiro.

Depois disso, fiz alguns “testes” com vários alunos e quem mais de turco eu tivesse contato e todos eles foram unânimes em me dizer que comemoravam o Natal na virada do ano.

Como os intercambistas iriam celebrar o Natal no dia 25, normalmente, eu ganhei folga, e foi confuso e engraçado explicar para os meus alunos sobre o motivo da minha falta. “Mas, professora, como assim? O Natal é no dia 1o de janeiro!”, eles me perguntavam, confusos. No final, ficou tudo esclarecido e eles se sentiram felizes por poderem entender sobre diferenças culturais de um maneira nunca antes entendida.

Natal, com o significado religioso e cultural que conhecemos, a decoração vermelha e verde, as musiquinhas, aquele clima de alegria e bondade no ar, não existe mesmo. Isso existe durante o Ramadan, mais especificamente, no final do mês do Ramadan, mas, de uns anos pra cá, com tantos estrangeiros morando na Turquia, especialmente em Istambul, é fácil de encontrar objetos de decoração natalina nas lojas e mercados, luzinhas de Natal, e até mesmo árvores de vários tamanhos. Os shopping centers têm aquelas clássicas árvores enormes e a maioria das lojas decoram suas vitrines com letras brilhosas, desejando “Feliz Ano Novo”. E como os turcos não perdem uma oportunidade de fazer dinheiro, os restaurantes, geralmente os mais elegantes, preparam ceias de Natal.

Alguns grupos de amigos, colegas de trabalho etc, trocam presentes perto do ano novo. O motivo de tudo isso é atribuído à ocidentalização da Turquia, que tem acontecido desde que ela se tornou uma República, deixando de ser Império. Porém, a troca de presentes faz certo sentido se olharmos a história do folclore grego bizantino, celebrando o dia de São Basílico com troca de presentes.

Outra curiosidade bem interessante é que a figura do Papai Noel foi inspirada em São Nicolau, que nasceu em Patara e foi arcebispo de Mira, ambas cidades atualmente pertencentes ao território da Turquia. Ou seja, o Papai Noel do Ocidente é, na verdade, turco!

Naquele natal de 2014 eu tinha uma colega de apartamento da Eslováquia, e ela me convidou para ir à missa na igreja católica mais famosa de Istambul, na badalada Rua Istiklal, a Igreja de Santo Antônio, construída em 1725, cujo prédio atual, no entanto, foi construído em 1906. Havia celebrações a cada uma hora, cada vez em um idioma diferente, com padres de diferentes nacionalidades. Dei sorte de chegarmos para a celebração em italiano, que eu conseguia entender relativamente bem, e foi bem interessante. Parecia que havíamos entrado em outro mundo, onde o Natal existia de novo.

Já no Natal do ano passado, eu fui com outras amigas a uma outra igreja. Devido à tensão presente nas ruas após vários atentados e ameaças terem ocorrido no país, todo e qualquer evento com multidão tinha segurança reforçada, contratada pelo evento, e/ou do Governo. Eu nunca tinha sido revistada e jamais precisei passar a bolsa na esteira do raio X para entrar em uma igreja antes. Confesso que me senti em meio a uma guerra, como se ao sair da igreja, pudesse ser atingida a qualquer momento. Mas as músicas começaram e o clima de Natal tomou conta. Quando saímos da missa, tudo estava tranquilo e, apesar de ter sido um sábado normal para a maioria mulçumana, muitos cantavam musiquinhas de Natal reunidos em rodinhas, ou mesmo andavam com toucas de Papai Noel pelas ruas; no final, tratava-se de um sábado especial para todos.

Saímos de lá e fomos direto para o nosso amigo secreto, que aconteceu em casa, com a participação de amigos muçulmanos, cristãos, hindus e ateus. Ou seja, não importa aonde quer que se esteja ou qual seja a sua crença ou religião, o verdadeiro espírito de fraternidade e confraternização do Natal poderá estar sempre presente!

Caso tenha interesse em saber mais, você pode ler algumas curiosidades sobre o Natal na Turquia neste link aqui.

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