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Como a Escócia ajuda a mulher a retornar ao mercado de trabalho

Foto : pixabay.com

Como a Escócia ajuda a mulher a retornar ao mercado de trabalho.

Você é uma profissional que deu uma pausa longa na carreira, e agora está pronta para retornar ao mercado de trabalho? Tenho boas notícias sobre como o Reino Unido, e especialmente a Escócia, estão preparados para aproveitar a sua experiência e te ajudar neste retorno. Aqui no BPM nossas colunistas já falaram sobre sua experiência de retorno ao trabalho na Suécia e na Nova Zelândia, e agora eu estou tendo esta oportunidade também aqui na Escócia.

Depois de uma pausa de 7 anos na minha carreira em TI (Tecnologia da Informação), eu voltei a procurar emprego com todas as inseguranças que envolvem retomar a carreira depois de uma pausa tão longa, com mais de 50 anos, e com o agravante de ser estrangeira. Que surpresa boa! Em menos de um mês eu fui aceita em um programa de retorno ao mercado de TI de profissionais experientes, de ambos os sexos, e que tiveram uma pausa longa na carreira. Estou muito feliz com a oportunidade, e mais feliz ainda em saber que aqui valorizam a experiência que um profissional constrói durante toda uma vida de trabalho e entregas, em que muitas vezes a vida pessoal é sacrificada e a única opção que resta é interromper a carreira.

Leia também: Mulheres estrangeiras e o mercado de trabalho sueco

Por que o Reino Unido está preocupado com isso

Se você procurar no Google programas de retorno ao trabalho no Reino Unido (returners programme) você vai encontrar milhares de links de programas de empresas e do governo, para diversas áreas: TI, educação, mercado financeiro, serviço social. Existem programas abertos para ambos os sexos, mas a maioria é voltada principalmente para ajudar as mulheres a voltarem ao mercado.  Esta pesquisa divulgada em 2016 mostrou números que justificam a preocupação do Reino Unido em trazer as mulheres de volta ao mercado : 550 mil estavam com a carreira interrompida para cuidar de algum parente, 2 milhões não estavam trabalhando para cuidar da casa e da família, 420 mil queriam retornar ao mercado, e o retorno delas ao mercado poderia trazer um impacto positivo na economia de £1.7 bilhões por ano.

Os primeiros programas deste tipo no Reino Unido foram criados em 2014, e o número só tem aumentado como pode ser visto neste link  : de 3 em 2014 para 37 em 2017. Além dos programas encontrados no link acima, segue alguns outros programas que encontrei na minha busca por oportunidade : FDM Group, Morgan Stanley, Techuk, WomeninTechnology, Vodafone.

Como funcionam os programas que ajudam na volta ao mercado

Os programas de retorno ao mercado de trabalho funcionam como uma ponte entre o profissional experiente que após uma pausa prolongada na carreira quer voltar ao mercado, e o empregador que tem necessidade desta experiência. Geralmente antes de encaminhar os selecionados para o mercado, os promotores destes programas oferecem orientação de carreira e treinamento para atualização de habilidades técnicas e de negócio: CV, entrevistas, apresentações, conhecimentos técnicos, conhecimentos de negócio. Este treinamento é importante para aumentar a confiança e as chances do candidato antes de se apresentar ao mercado.

O período do treinamento, e do contrato com o cliente variam de 3 meses a 2 anos, e inclui negociações que normalmente permitem horário flexível como meio-período (part time) ou trabalhar de casa (homeoffice). O objetivo é sempre de que após este período o candidato seja efetivado pelo empregador.  A contratação do candidato depende de sua performance durante o período, e é interessante para ambos os lados: o candidato retorna ao mercado com seu perfil atualizado, e o empregador tem um empregado altamente qualificado e motivado.

Os programas que conheci aqui na Escócia são muito bem organizados e confiáveis, com o patrocínio do governo, e/ou de empresas bem sucedidas no mercado. Os organizadores se preocupam muito em valorizar a experiência da mulher assim como o motivo que a levou a dar uma pausa na carreira. O objetivo é aumentar a confiança da mulher e dar tranquilidade para que ela volte ao mercado sem culpas, preparada, e empoderada para ocupar seu lugar no mundo.

Como o Brasil está tratando este tema

No Brasil não encontrei nenhum programa de retorno ao trabalho nos moldes dos que encontrei aqui no Reino Unido, para profissionais com pausa longa na carreira. Pelo que pesquisei ainda estamos engatinhando nas iniciativas para ajudar as mulheres a retornarem ao trabalho após a maternidade. Segundo esta pesquisa publicada na Veja, 28% das mulheres deixam o emprego após se tornarem mães, e deste total 21% levam mais de 3 anos para retornarem ao mercado. As empresas estão preocupadas com isso, mas só encontrei este programa da Accenture, voltado para facilitar a volta ao trabalho, com orientação de carreira e jornada flexível.

Encontrei também a plataforma de empregos Maturijobs que segundo o site da empresa tem o objetivo de conectar profissionais acima de 50 anos em busca de oportunidades com empresas em busca de experiência e comprometimento.

Tenho amigas no Brasil que também estão em pausa de carreira, assim como muitas de vocês que estão lendo este post, e que com certeza seriam muito bem-sucedidas em um programa destes. Entretanto no Brasil, além de não existir um incentivo para o retorno de mulheres ao mercado, existe também a falta de interesse das empresas por pessoas acima dos 50 anos conforme pode ser visto nesta publicação da FIPE de dezembro de 2016.

Com a longevidade da população, as empresas e os governos terão que desenvolver políticas para aproveitar esta mão de obra altamente qualificada e experiente. Portanto, onde quer que você esteja, continue acreditando, investindo em você, e se preparando para aproveitar as oportunidades.

Boa sorte!

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