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Como foi a minha adolescência em Omã no Oriente Médio

Como foi a minha adolescência em Omã no Oriente Médio.

Mudei para o Sultanato de Omã com a minha família quando tinha treze anos de idade. Antes de receber a notícia de que iríamos para lá – inicialmente por um ano e meio, que acabou virando quase seis -, não fazia idéia de onde Omã ficava, já que na época o Oriente Médio só era mencionado na mídia por causa de seus conflitos.

Depois que meus pais foram conhecer onde moraríamos, tiveram uma boa imagem do lugar e a tranquilidade de se mudarem para lá com uma filha entrando na adolescência e um filho de oito anos.

No primeiro mês tivemos que passar por muitos ajustes, como morar em um quarto de hotel, entrar em uma escola onde apenas se falava inglês (uma língua que eu não dominava), ter que fazer novas amizades do zero e muitas outras coisas que expatriados experienciam durante a época de adaptação.

Lembro de não gostar muito da minha nova vida em Omã no começo porque sentia saudade da minha escola e dos meus amigos no Brasil.

Ter que ir para a aula e não conseguir me comunicar ou responder as perguntas dos professores e colegas foi difícil. Mas, por outro lado, fazer novas amizades acabou não sendo, já que todos meus colegas de escola também eram expatriados e entediam exatamente o que eu estava passando.

Depois de alguns meses estávamos completamente adaptados. Omã é um país seguro, limpo e bonito. Posso dizer que minha adolescência lá foi muito feliz, mesmo sendo totalmente diferente da vida que eu teria se ainda morasse no Brasil.

O sistema educacional é muito diferente. Como estudava em uma escola americana/internacional, nosso currículo era bastante americanizado: aulas como história americana eram obrigatórias e o “high school” tinha a duração de quatro anos, dos quais nos últimos dois nós podíamos escolher metade das nossas aulas, tendo opções mais avançadas em línguas (francês, árabe ou espanhol), ciências, artes, como desenho e cerâmica.

Existia uma ênfase muito grande nos esportes e na música, opcionais, e que proporcionavam a chance de competir em torneios internacionais ou fazer parte da banda ou do coral da escola.

Em termos de vida social e vida noturna, Muscat era mais calma comparada a algumas cidades grandes do Brasil. Mas, por outro lado, a segurança era muito maior.

Durante o dia íamos para a praia ou para o clube, enquanto a noite sempre organizávamos algo na casa de alguém (a maioria dos expatriados em Muscat mora em condomínios fechados com muitas opções de lazer) ou também era comum de sair com os amigos para um “shisha café”, muito comuns no Oriente Médio.

As “baladas” de Muscat aconteciam nas boates de alguns hotéis cinco estrelas, onde álcool podia ser servido, atraindo uma audiência de expatriados mais jovens. Por outro lado, a idade legal em Omã era de 21 anos, o que dificultava as vezes já que na época eu e meus amigos tínhamos 15-18 anos. Mas por sermos internacionais, tínhamos uma certa preferência e conseguíamos entrar mesmo assim, já que queriam encher as boates com pessoas jovens e ocidentais.

Não sinto que eu “perdi” experiências passando minha adolescência no Oriente Médio, já que a religião e a cultura local nunca interferiram na minha vida. Precisamos fazer alguns ajustes, como vestir algo cobrindo os ombros e joelhos se estávamos indo a um shopping ou uma área mais tradicional, mas, pelo número de expatriados morando em Muscat, existem muitas opções de lazer e entretenimento que são muito parecidas com as do Brasil.

Talvez porque eu tenha crescido em Muscat, vivendo lá dos treze aos dezoito, me acostumei mais rápido com o estilo de vida diferente. Mas acredito que a maioria dos expatriados da minha idade e mais velhos também gostavam muito de viver lá.

No final, a experiência abriu muitas portas para mim: aprendi inglês e francês, estudei matérias muito interessantes que não são parte do currículo brasileiro e fiz amizades de países do mundo inteiro que ainda tenho contato.

Após a experiência em Omã, quis estender minha vida de expatriada, decidindo me mudar para a Holanda para os meus estudos.

Gosto muito do Brasil, mas morando fora eu tenho a impressão de que aprendo coisas diferentes a cada dia e que tenho mais oportunidades na vida.

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4 comentários

Jesuela Macedo Março 3, 2017 at 9:51 pm

Que lindo Isabela!! Adorei seu texto… tenho um filho de 4 anos e mudar com filhos é uma aventura bem interessante! Sucesso para você!

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Juliana Março 4, 2017 at 12:40 am

Olá Isabela! Gostei muito do seu texto. Acho que durante adolescência novidades a cada dia traz muitas alegrias e desafios. Vou mostrar seu texto pra minha filha de 12 anos. Moramos em BH e estamos planejando nossa mudança pra Europa. Boa sorte nos estudos! Nesta cidade tão linda e cheia de arte!

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Paula Março 4, 2017 at 8:33 am

Que legal, Isabela! Conheci sua mãe em Mascate. A vida aqui é realmente muito tranquila. Mês que vem meu primeiro texto sobre Omã também vai aparecer por aqui. Abraços!

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Nathalia Março 4, 2017 at 4:51 pm

Adorei o texto Isabela 🙂 Desejo sucesso e felicidades para você !

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