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As remotas vilas de Omã

Mascate é a cidade mais desenvolvida de Omã, por ser a capital. Cidades menores, como Sohar e Salalah, têm crescido bastante também, com uma boa quantidade de lojas de departamento, complexos residenciais de luxo e opções de lazer. Omã é um grande exemplo dos efeitos da globalização, o que muitas vezes nos dá a impressão de não estar em um país do Oriente Médio. 

O que poucos turistas e até mesmo expatriados não veem logo de primeira é o lado mais histórico e tradicional de Omã. No interior e em partes litorâneas mais reclusas, ainda existem pequenos povoados e vilas muito antigas, onde as pessoas, arquitetura e modo de viver são completamente diferentes do que se encontra em Muscat. A maioria da população destes lugares é mais velha e religiosa. Portanto, para visitantes, regras como se vestir de modo mais apropriado e se comportar de forma mais modesta devem ser respeitadas. Vale lembrar também de que a fotografia para alguns muçulmanos mais tradicionais ainda é vista com bastante desconfiança: portanto, para turistas interessados em fotografar locais, sempre se deve pedir sua permissão. Muitas vezes, pessoas mais velhas se escondem dentro de casa e fecham todas as portas e janelas quando avistam estrangeiros andando pela sua vizinhança. 

Vila Bilad Sayt, entre as montanhas de Jebel Shams e Jebel Akhdar. Wikimedia Commons.

Ainda paradas no tempo, as vilas no interior de Omã mostram um lado mais simples do país que agora é renomado por seus resorts cinco estrelas. Nas montanhas, muitas casas são de barro ou pedra, com janelas quadradas e pequenas (uma maneira de climatizar o ambiente dentro de casa, já que no verão as temperaturas são extremas). No litoral, as casas são de cimento e quase sempre pintadas de branco. Já no deserto, ainda existem grupos de beduínos que vagam pelas dunas e habitam em tendas ou pequenos sítios. Outro aspecto interessante é a vestimenta dos omanis no interior, especialmente a das mulheres. Enquanto em Muscat as abayas são sempre negras e decoradas com bordados ou cristais (uma moda mais recente em países do Golfo Árabe), nas vilas ainda se usam roupas coloridas, com estampas diferentes, algumas vezes lembrando o estilo de algumas roupas Leste-Africanas. 

Especialmente nas montanhas como Jebel Akhdar ou Jebel Shams, existem pequenas vilas abandonadas, que muitos séculos atrás foram os primeiros assentamentos de comunidades omanis, que até então eram completamente nomádicas. Nas encostas das montanhas, as vilas são impossíveis de serem acessadas de carro, portanto uma caminhada (ou dependendo do lugar, escalada) é necessária, o que na minha opinião faz com que estes lugares sejam ainda mais charmosos e intocados pelo turismo em massa. Muitas das construções são completamente originais e desocupadas. É possível adentrar algumas, apesar de em alguns casos não ser uma opção tão segura sem a presença de um guia local. 

Para amantes da fotografia, o lado mais “escondido” de Omã oferece paisagens dignas de fotos ao estilo da National Geographic: aquedutos percorrendo as montanhas, edifícios com janelas e portas ornamentadas, pescadores em suas pequenas embarcações, crianças brincando perto de ruínas centenárias e até mesmo bodes que escalam árvores! Não é à toa que nos últimos anos Omã tem sido a estrela principal de muitos documentários (inclusive o Globo Repórter), editoriais e artigos em revistas internacionais e em de blogs de turismo. Em muitas dessas matérias, as belezas históricas e naturais do pequeno país no Golfo Árabe foram os grandes destaques.

Para quem estiver hospedado em Mascate, existem pacotes de turismo com visitas guiadas com a duração de um dia. Se tiver um tempinho de sobra no itinerário, acho que passar a noite em um hotel e camping é uma boa idéia. Existem opções de sobra para todos os tipos de orçamentos e preferências. Para uma experiência de alto luxo, o resort Alila em Jebel Akhdar oferece suítes maravilhosas ao meio de paisagens cinemáticas. Para famílias e para quem quer um preço mais em conta, uma boa escolha é o Turtle Beach Resort, perto de Sur. Na beira do mar, a praia do resort é tranquila e, durante certas épocas do ano, é possível avistar tartarugas e golfinhos. Vale lembrar também que Omã permite que turistas e locais acampem de graça em praticamente qualquer lugar. Existem vários posts em blogs de turismo falando mais a respeito e algumas agências providenciam todo o equipamento e indicações de lugares seguros e ideais para se acampar.

É claro que vale a pena conhecer Mascate e suas belas praias e atrações turísticas e culturais que mesclam o tradicional com o moderno. Mas, na minha opinião, o que talvez torne Omã um país belo e interessante é seu ar um tanto misterioso para nós estrangeiros. Para viajantes aventureiros, se “perder” um pouco pelas rotas mais inexploradas além das cidades maiores é uma experiência única e fascinante para quem está interessado em ver o “verdadeiro” Oriente Médio.

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