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Como se planejar psicologicamente para uma mudança de país?

Como se planejar psicologicamente para uma mudança de país?

Já pensou que a melhor forma de proteger seu psicológico e não se enfraquecer é planejando? Planejar a mente, planejar seus pensamentos, planejar o que pode dar errado e, inclusive, como você vai se comportar diante de uma situação não esperada. Melhor forma de ter controle emocional é se preparar para situações não desejadas que podem ocorrer.

Em nosso processo de imigração, o planejamento foi e ainda está sendo a palavra de ordem. Planejar é colocar no papel tudo que precisa ser pensado e pensar no plano B para tudo. Prevemos que existe a possibilidade de algo dar errado, mas, muitas vezes, não conseguimos prever tudo e aí precisa ser forte e não pode se abalar. Além do plano B, existem os C, D, E que precisamos ter habilidade para desenvolver sempre que necessário. Sempre há um caminho, uma saída, mas precisa ter calma para enxergá-la.

Muito além do planejamento de números, circunstâncias, conforto e estrutura, é importante o planejamento emocional. Não é fácil realizar tanto planejamento para um projeto de imigração. Encarar sair do seu país onde estão as suas raízes, seus pais, sua família, seus amigos e tudo aquilo que lhe dá suporte na vida.

A maioria terá que vender seus bens, às vezes deixar, por exemplo, como meu marido, uma filha, e ir embora para um lugar distante. Um local onde você não conhece ninguém, não conhece a cultura; não sabe como são as pessoas, se receptivas ou discriminativas; não sabe se irá se adaptar ao clima e outras situações.

Dá medo? Sim! É normal? Sim! Mas esse medo, essas preocupações não podem ser maiores do que a sua vontade e determinação de ter uma vida melhor. Na vida, não podemos fugir dos nossos medos, temos que encará-los e, em um processo desse, terá que colocar isso em prática.

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Umas das coisas que mais pode desestabilizar uma pessoa é a questão financeira. É importante levar recursos suficientes para se manter pelo tempo que o seu psicológico se sinta confortável. Importante definir em quanto tempo estará trabalhando para não ficar queimando economias. Sempre lembrando do plano B. Pode não ocorrer conforme previsto.

Estudar o mercado de trabalho é muito importante também. Conversar com pessoas que já possuem experiência. Estar preparado emocionalmente para os custos extras e dificuldades de mercado de trabalho. Se vier já pensando nisso, será ainda mais fácil a adaptação.

Um outro ponto que, para mim, é muito importante é a questão do idioma. Consultorias informais também são muito bem-vindas. Se informar sobre a realidade com quem já vivenciou é crucial, principalmente para quem nunca passou pela experiência de morar em outro país.

A incapacidade de se comunicar no dia a dia, no curso, nas entrevistas de emprego é algo que incomoda, gera insegurança e desestabiliza a pessoa emocionalmente. Já imaginou chegar em um local e não saber pedir comida? Não entender o que falam com você? É claro que isso vai acontecer, até alguém com inglês avançado pode passar dificuldades devido à pronuncia ser tão diferente.

O processo de adaptação dos filhos na escola pode ser um ponto preocupante. Estamos falando de um processo natural da criança. Acredito que, talvez, dependendo da idade dos filhos, venha a ser um ponto de desequilíbrio, mas posso dar como exemplo o que pode ser encontrado na Nova Zelândia. Conheço pessoas que matricularam os filhos na escola e, pela dificuldade com a língua, encontraram voluntários que “adotaram” as crianças para se dedicar à evolução do inglês.

Mas, e se seu filho não se adaptar? E se ele chorar no início porque não tem amigos? Se ele chorar porque não entende o inglês? Se ele falar que não quer ir para escola? Precisa estar forte emocionalmente, passar confiança e, principalmente, não deixar a emoção do coração te desestruturar. De fato, não é um momento fácil. Mas vale a pena? CLARO! Ele vai estudar em uma escola maravilhosa, gratuita, aprender um outro idioma.

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Um emocional preparado é o amadurecimento de sua consciência, reflexões adequadas, positivas, focadas nos objetivos, sem dar margem para desvios. Esse é um recurso que precisa ser exercitado. A cabeça precisa estar pensando sem parar, apenas no processo de imigração. Acreditar que vai dar certo e que nada vai dar errado, atrair pensamentos e energias positivas.

O que der errado é página virada e bola para frente. Quando algo desandar é hora de parar, respirar, contar até dez, pensar, refletir como voltar ao foco e esquecer as coisas que estão fazendo você sair do seu objetivo. Se fortalecer. Algumas vezes achamos que não vamos conseguir, sentimento normal, mas ele só pode durar 10 segundos. Depois, hora de levantar a cabeça e falar: EU POSSO, EU CONSIGO! Eu sempre penso em tudo de bom que o país tem, em todos os benefícios para meus filhos e penso nos problemas do Brasil. Em segundos meus problemas daqui somem.

Para um processo desse, tão complexo, pesado, cansativo e que mexe fortemente com nossas emoções, existe uma outra palavra essencial: PARCERIA. Parceria com as pessoas que estão com você, é um filho, é um amigo, é uma mãe e, acima de tudo, o seu companheiro (a). É um momento da vida que mais precisa de parceria. Você largou tudo em busca de uma vida melhor.

Precisa haver muito alinhamento de pensamento e ideias entre o casal. É um momento que ocorre instabilidade emocional, enfraquecimento e é preciso unir forças, energias. A máxima de que duas cabeças pensam melhor do que uma, é a mais pura verdade. Então, não é o momento de divergências, desavenças e sim sinergia. Se um está fragilizado é o momento do outro se fortalecer, uma troca diária de estímulo, atenção, encorajamento, amor, cumplicidade.

Não é fácil, em muitos momentos, podemos fraquejar. É normal, afinal, também acontecia no Brasil. Pode em alguns momentos lágrimas incontroláveis descerem pelo rosto, igual ao Brasil. As dificuldades daqui são diferentes, mas são dificuldades, terá aqui, no Brasil e em qualquer lugar do mundo. Então é encarar, persistir e a cada degrau alcançado, comemorar a vitória. Lembre-se que já é vitorioso por ter tido a coragem de recomeçar.

Planeje e tente prever problemas. Quando algo acontecer, analise se foi a mudança ou é apenas uma dificuldade normal da vida. Aqui, estamos mais fragilizados e transformamos pequenos problemas em grandes tempestades. Lembre-se de que seu sucesso depende só de você, do seu planejamento, do seu controle emocional, de seu poder de adaptação e relevar as coisas.

Essa abordagem é para abrir a mente das pessoas interessadas em sair do país, para se munirem de recursos suficientes para passar pelo processo natural da adaptação. Nem todos passam por essas fragilidades emocionais, mas se você prevê que isso pode acontecer, sai ganhando.

Antes de tudo, carregar nosso psicológico de positivismo, quebra de paradigmas, energia, força, união. Esse é o caminho para o sucesso no processo de imigração. No mais, boa sorte, boa viagem e te encontro na Nova Zelândia.

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6 comentários

Renata Carvalho Agosto 6, 2017 at 9:35 am

Incrível, adorei o texto Rê. Coerência em cada parágrafo!!! Disse tudo! Muito sucesso para todos nós??????

Resposta
Renata Abu Chacra Agosto 7, 2017 at 9:00 pm

Obrigada!

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Ebano Agosto 7, 2017 at 7:46 am

Tooooop, claro, transparente, objetivo…. Parabénsssssssss

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Ana Outubro 10, 2017 at 1:42 am

Tenho muita vontade de me candidatar para uma bolsa de estudos na Nova Zelândia mas meu inglês é intermediário, tenho curso tecnólogico em design gráfico.

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Jairo Reis Fevereiro 19, 2018 at 3:04 pm

Muito bom seu texto. Encorajador e muito realista também. Muito obrigado por abordar um aspecto até ignorado na maioria dos posts, blogs, etc. Minha mente já é outra e meu olhar para o planejamento também.
Um grande abraço e muito sucesso e bençãos de Deus em sua caminhada e de sua família.

Jairo Reis

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Luciana F.T. Moura Junho 8, 2018 at 4:56 pm

Adorei o texto! Muito encorajador!
Obrigada!
Boa sorte!

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