Compras de supermercado na França

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Supermercado em Paris. Foto: arquivo pessoal
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Compras de supermercado na França.

Antes de vir para a França, veio o alerta: “Você vai chegar lá e ver todas as besteiras que gosta de comer por uma fração do preço, e vai querer comprar tudo. É possível que você passe meses sem ver uma fruta. Mas lembre que vai ter bastante tempo para provar de tudo.” Dito e feito. Mercado na França é um paraíso para qualquer um que goste de comer.

Aqui, são várias as opções para fazer compras: feiras, empórios, galerias gourmet, serviços de entrega em casa direto do produtor… Cada uma com seus prós e contras. Uma explicação rápida sobre algumas delas:

  • Supermercados: nenhum mistério aqui. O grande segredo é que os preços variam não só entre as redes de supermercados como também entre unidades da mesma rede, mudando mesmo entre duas ruas do mesmo bairro.
  • Feiras: de rua ou cobertas, acontecem toda semana e oferecem ótimos preços. Sempre é possível negociar e gastar ainda menos.
  • Empórios: conhecidos por aqui como épiceries, são lojas que vendem um pouco de tudo e onde você vai achar aquele produtinho diferente pelo qual você rodou a cidade toda sem encontrar.
  • Lojas artesanais: são locais como as fromageries (lojas de queijo) e as caves (lojas de vinho), que propõem produtos frescos e atendimento de qualidade. Normalmente têm escrito na frente “Artisan fromagère/pâtissier/qualquer outra especialidade culinária”. Bom custo/benefício.
  • Galerias gourmet: se você tem gostos caros e pouco dinheiro, não vá. Seja na Lafayette Gourmet ou na Grande Epicerie, os valores são altos, assim como a qualidade. Muitos produtos importados e artesanais, com foco na agricultura responsável e nos alimentos saudáveis.
  • Lojas típicas: algumas regiões de Paris, como Belleville, tem uma alta concentração de lojas que se dedicam exclusivamente aos produtos típicos de dado país (no caso, China). Mesmo assim, é possível encontrá-los em todas as regiões da cidade.
  • Serviços de entrega em casa direto do produtor: os franceses têm uma preferência notável pela comida de origem local e orgânica. Pra ligar produtores e consumidores, alguns serviços oferecem pontos de retirada dos alimentos e mesmo entrega em casa. O mais conhecido deles é o Kelbongoo.
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Como que resiste a um Lindt a 4,78 euros (21,30 reais) o quilo?

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É importante notar que as sacolinhas plásticas às quais estamos acostumados não existem por aqui. Elas estão presentes apenas para produtos a granel, de resto é cada um por si.

Independente de onde você for fazer compras, precisa levar sua sacola reutilizável ou comprar uma. Além disso, se as compras forem muitas, um carrinho (em francês, cadis) pode vir a calhar. Eu vejo principalmente senhoras de idade as usando, mas admito que uso sempre porque acho superprático.

Sabendo que a maior parte das pessoas não tem carro, muitos mercados oferecem um espaço para guardar suas compras para que você as recupere depois e/ou oferecem entrega grátis a partir de certo valor gasto. É só especificar para o caixa o que você precisa.

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Porém, uma peculiaridade francesa (possivelmente europeia) é que os impacientes – como eu – podem optar por passar no caixa de auto-atendimento, em que você mesmo pesa, escaneia e guarda suas compras. O pagamento pode ser feito em dinheiro ou cartão (cheque só com um caixa humano).

Ainda é possível agilizar esse processo: lojas grandes como o Auchan provêm scanners na entrada da loja para que o cliente já registre suas compras enquanto elas acontecem e no final só pague. Esses scanners permitem escanear as compras, cancelar os itens indesejados, verificar as promoções do dia e ainda propõem descontos personalizados. Nada mal, hein?

Mas quanto custa?

É possível se alimentar com qualidade sem gastar muito. Como a população não aceita produtos superprocessados e de má qualidade, mesmo industrializados como chips não contém corantes e aromas artificiais, às vezes nem sequer conservantes.

Enquanto queijos como emmental e gouda são super em conta por aqui, carne (principalmente bovina) é caríssima. Ninguém acha estranho comprar só 100 gramas de filé justamente por conta disso. Chocolates, vinhos, amêndoas e iogurtes também são itens baratos em relação ao Brasil.

Se você curte cozinhar, aproveite para experimentar os legumes esquisitos e frutas de nome impronunciável que encontrar na seção de hortifruti. Arriscar uma carne diferente também pode render bons frutos (ou, no mínimo, boas risadas se tudo der errado). Os mercados vendem, além de carne de vaca, frango e peixe, cordeiro, pato, cavalo e até mesmo coelho!

Por outro lado, se seu negócio são refeições prontas, dê uma passadinha no Picard e tenha dezenas de opções de pratos congelados para todos os gostos.

Abaixo fiz uma relação de preços de itens básicos, incluindo também seu valor na feira (quando disponível) para efeitos comparativos. Claro que se você quiser comprar orgânico/sem glúten/lactose/ético vai ser mais caro, mas não cinco vezes o preço, como no Brasil. Lembrando que o salário mínimo na França em 2018 é de 1.153,82 €.

ItemPreço no mercadoPreço na feira
Banana2€/kg1,50€/2kg
Batata1,30€/kg1,70€/3kg
Cebola1,20€/kg1€/kg
Cenoura1,70€/kg1€/kg
Clementine2,30€/kg1€/kg
Cogumelos Paris frescos5,10€/kg1,70€/kg
Framboesa10€/kg1€/750g
Limão3,30€/kg1,5€/kg
Maçã3,80€/kg1€/kg
Maracuja16,70€/kg5€/kg
Morango10€/kg1€/750g
Tomate redondo3€/kg1€/kg

ItemPreço no mercado
Açucar de cana3€/kg
Arroz branco2,60€/kg
Arroz de risoto4€/kg
Aveia em flocos3€/kg
Bacon (pré-fatiado)10€/kg
Bife fresco (steak)16€/kg
Café10,10€/kg
Farinha de trigo1€/kg
Feijão3,30€/kg
Leite condensado Nestlé1,80€/lata (395g)
Leite de vaca1€/kg
Lindt1,50€/barra (100g)
Macarrão Barilla2€/kg
Manteiga10€/kg
Mostarda dijon3,50€/kg
Nutella6€/kg
Ovo2,50€/duzia
Pão de forma2€/kg
Peito de frango fresco11€/kg
Pote de geléia de frutas2,20€/pote (370g)
Salada pré-lavada4€/kg
Filé de salmão fresco25€/kg
Sorvete Häagen-Dazs5€/pote (500ml)

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Como economizar nas compras?

“Entendi, mas dá muito trabalho/é longe/não quero acordar cedo para ir na feira/estou só com preguiça mesmo, então vou no mercado aqui do lado. Qual a melhor opção?”

Na França existem dezenas de redes de supermercado. As mais baratas são Lidl, Leader Price, Aldi e Auchan. Elas não possuem grande variedade e vendem principalmente marcas próprias, tendo suas lojas em zonas mais distantes do centro.

Em seguida temos o E-Leclerc, Intermarché e G-20. Espalhados por toda a cidade, já propõe mais opções. Os mais caros são Monoprix, Franprix, Carrefour e Les 5 Fermes. Esses mercados justificam seus preços com a proximidade do cliente (estão em todas as ruas) e a quantidade/qualidade dos produtos oferecidos. Além disso, algumas redes se devotam ao natural e orgânico, como Naturalia, Bio C’est Bon e BioCoop.

Os programas de fidelidade dos mercados costumam ser bem interessantes, oferecendo desde descontos sem mínimo de compra até cashback para ser usado nas compras feitas no estabelecimento. Você faz o cartão gratuitamente na própria loja e já começa a acumular pontos.

As marcas próprias dos mercados chegam a ser 50% mais baratas que as outras, e ainda juntam pontos extras no programa de fidelidade. A qualidade delas é boa, algumas vezes até melhor que certas marcas famosas, então não precisa ter medo de arriscar. Se não gostar, pelo menos gastou pouco.

É bem comum ter seções de desconto nos mercados, com produtos que estão prestes a vencer (indicado em vermelho e negrito na embalagem) ou em fim de linha. Para frutas e vegetais isso também existe, mas garantia de gastar menos é comprar produtos de época.

Eu moro sozinha e adoro cozinhar, então raramente compro refeições prontas, mas prezo pela qualidade dos alimentos e não me nego besteirinhas como chocolate e nutella – o que faz a conta subir : em um mês gasto entre 130 e 180 euros de mercado.

Dá pra achar produtos brasileiros?

Em Paris temos o Mercado Rio Brasil, se quisermos cuscuz ou guaraná. Por outro lado, itens como leite condensado, feijão preto e linguiça calabresa podem ser encontrados em praticamente qualquer mercado. Frutas como maracujá e côco são caras mas você não fica sem, se a vontade apertar. O mesmo acontece com inhame e mandioca.

O que mais me complicou foi a picanha. Em meados de abril eu e alguns amigos queríamos fazer um churrasco para comemorar a primavera, e foi quando descobrimos que esse corte simplesmente não existe na França. A solução? Encontramos um fornecedor brasileiro que vendia a peça inteira. Ideal para um churrasco farto como o que fizemos, com direito à farofa, vinagrete e pudim de leite para fechar.

Em suma, não só você dificilmente vai ficar sem ter o que comer na França como ainda vai descobrir varias outras coisas que nunca imaginaria que iria gostar. Pode vir de coração aberto.

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