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Costumes e hábitos mexicanos que já entraram na rotina

Costumes e hábitos mexicanos que já entraram na rotina.

Mês passado, em novembro, completei meu primeiro ano no México. Um ano, já! Sim, passou muito rápido, conheci muita gente, novos lugares, muito da rica cultura mexicana e dos costumes por aqui. E é sobre isso que eu gostaria de falar este mês: costumes que inicialmente me pareciam estranhos, e que, um ano depois, já fazem parte da rotina naturalmente.

Inicio por um fruto que é nosso conhecido no Brasil, mas que eu particularmente não comia há tempos: o abacate. Lá, o consumo é normalmente em uma combinação doce, uma sobremesa. Aqui, não. E os mexicanos acham super estranho, inclusive, que o comamos doce. Aqui é consumido salgado, e vai muito além do guacamole: em saladas, com frango, no meio da típica sopa azteca, em tudo! O Estado de Michoacán é o principal produtor do país e as exportações do fruto cresceram quase 240% nos últimos 5 anos, tendo os Estados Unidos como principal comprador (fonte: BBC). Sair do mercado sem abacate já está fora de cogitação!

Fonte: Free Pixabay
Abacate, ou aguacate, em espanhol. Fonte:  Pixabay.

Ainda nos costumes culinários o México é um dos países que mais consome feijão. Tem de todos os tipos e diferentes maneiras de preparo e, normalmente, deixam o grão um pouco mais duro do que costumamos no Brasil. Mas… O que você acha de comer feijão no café da manhã? Pois é, eu também achava super estranho no início, mas por aqui há um prato muito presente nesta refeição, que é o frijoles refritos, do qual já sou fã (em espanhol, frijoles é feijão). Este preparo é uma pasta que pode ser do grão preto ou do nosso chamado “carioca” e faz parte de vários pratos típicos como os molletes (pão, presunto, queijo, molho tipo vinagrete – mas picante -, e o feijão), quesadillas (massa de farinha de trigo tipo wraps, com recheios que podem ser variados e o feijão), ou até acompanhando uma omelete. Ainda não me aventurei fazendo o caseiro, mas já saio com meus pacotinhos do mercado – fato.

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Ao mesmo tempo em que tradições super antigas são mantidas vivas, o México recebe muita influência do vizinho gringo Estados Unidos. Isso é super interessante e divide opiniões por aqui – não entrarei neste mérito agora -, entretanto, o que eu gostaria de comentar é que, desta influência, dois hábitos americanos já foram cultuados localmente pelos mexicanos, e claro, por nós: as donas (famosos Donuts) que tem por todos os lados – quer ver o pessoal feliz, é ter venda da marca krispy kreme com desconto no escritório -, e a mania de andar com um copo gigante de café pra lá e pra cá, seja da Starbucks (que tem em cada esquina) ou de outros cafés por aqui, como o Cielito. O ponto negativo para o café, para o paladar brasileiro, é que é super “aguado”, bem americano, mesmo, então precisamos de adaptações e doses extras para deixá-lo mais próximo do sabor que gostamos.

Buen provecho, provecho ou provechito são palavras que você ouve em todas as refeições, seja antes, durante ou depois de terminá-las. A tradução equivale ao nosso “bom apetite”, mas é muito engraçado (e particularmente educado), porque você não ouve só das pessoas que estão contigo na mesa, ou do garçom que está lhe atendendo. Todos que entendem que você está indo ou retornando de uma refeição te desejarão, seja um colega do trabalho, o senhor da limpeza ou a atendente do caixa.

Saindo um pouco dos ares gastronômicos, um costume que virá de pessoas conhecidas ou não – e que você deve esperar – é o desejo de saúde ao espirrar (em espanhol, estornudar). No Brasil, tem gente que diz ser educado desejar saúde, outros, que não, mas aqui no México é unânime. Espirrou na fila do supermercado ou do banco: salud! Espirrou no escritório, em coro você ouvirá: salud! Também acho super educado e é um hábito que já entrou na rotina, até entre os estrangeiros que conhecemos por aqui.

Eu gosto de pontualidade. Acho que é uma questão de respeito com o tempo, seja o meu ou o dos outros. E sofro aqui, como sofro! É claro que alguns minutos de atraso são toleráveis para qualquer latino, não sejamos hipócritas fingindo que brasileiros seguem uma pontualidade alemã, mas, gente, horas de atraso? Se o combinado é chegar às 7 da noite, não espere que alguém chegue antes das 8. Claro que estou generalizando, mas eu já cheguei pontual e passei vergonha (ou raiva, esperando). Então, depois desse episódio, a maneira que encontrei para me adaptar à falta de pontualidade mexicana tem sido chegar a festas e encontros sempre depois do horário, e confesso que nem me sinto mais culpada. O mesmo da minha parte não se aplica ao trabalho, claro.

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Em resumo, viver em outro país deixando seus costumes para trás não é nada fácil. É preciso estar aberto e se adaptar, e é claro que sempre teremos pontos que não concordaremos ou aceitaremos. Eu, por exemplo, ainda sinto um super incômodo com a cultura da propina por aqui (acho que já falei isso, não é?), e tenho sentido muita falta do sistema bancário brasileiro, que está muito avançado comparado ao do México, acreditem! Mas quando penso em todos os ajustes que naturalmente foram feitos neste primeiro ano, sem gerar um stress ou sentimento de tortura por estar mudando, sinto que, sim, estamos no caminho certo para receber uma nova cultura e fazer desta experiência a mais leve e positiva possível. E definitivamente eu preciso aprender a fazer frijoles refritos antes de voltar ao Brasil, pois acho que já não conseguirei viver sem isso!

Ótimo final de ano a todos e nos vemos em 2017!

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1 comentário

Feliciano Andre Dezembro 6, 2018 at 1:03 pm

Gostei muito sobre o estilo de vida dos Mexicanos, fiquei impressionado pela gastronomia desse maravilhoso Povo. Se tivesse patrocinador, viria nesse pais para aumentar conhecimentos em materia de Sociologia do Direito ou outras areas afins.

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