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Dicas para alugar apartamento na Cidade do México

Mudar de país dá aquela bagunçada na vida. São meses (eu levei 3) vivendo em um lugar temporário com os principais pertences que couberam em uma ou duas malas, esperando ansiosamente a mudança que está sendo transportada em um container chegar. Esta fase, diga-se de passagem, ensina que não é preciso de muita coisa para se viver, mas é fato que o que mais se quer neste momento é reconstruir um lugar para chamar de “lar doce lar”.

Na Cidade do México isso não foi uma tarefa muito fácil. A começar pelo entendimento geográfico da Cidade, que conta com 1495 km2 e 8.9 milhões de habitantes. Todo este território é demarcado por Delegações que no total são 16, e aí começa a confusão. Mas isso não seriam os bairros? Não, as Delegações seriam como Municípios dentro da mesma Cidade. Cada Delegação é composta por Colônias, e estas sim equivaleriam aos bairros. Um pouco confuso no começo, mas visualmente talvez fique mais fácil se observarmos nesta página que é possível navegar por todas estas demarcações.

Entendido um pouco mais sobre como a Cidade é dividida, é hora de sair em busca de um novo lar. Se você não tiver o suporte de uma empresa de relocação, recomendo dois sites de anúncios que também utilizei: Viva Anúncios e Inmuebles24. Neles, é possível entrar em contato com os corretores e agendar uma visita. Outra prática que recomendo é caminhar nas ruas de interesse e entrar nos prédios que gostar. Muitas vezes as chaves estão com alguém do edifício ou o próprio corretor está por lá para lhe apresentar o imóvel.

O preço do aluguel varia muito de acordo com a região. Se você quiser algo em Polanco que é uma zona nova e nobre, pagará caro. Em regiões mais ao Sul, como Benito Juarez ou Miguel Hidalgo, há preços mais intermediários. Preste atenção se o valor do mantenimiento (condomínio) está incluído no valor da renta (aluguel). O condomínio, em geral, é mais barato que cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, mas é importante checar opções nas regiões desejadas para se ter uma ideia mais real.

A Cidade do México ainda é uma cidade não muito edificada, salvo regiões novas como Santa Fé e o novo Centro Comercial na Avenida Reforma. Por conta da incidência de terremotos e do abalo que o país teve em 1985 com magnitude de 8.1 Mw, a capital tardou a construção de grandes edifícios retomada na última década contando com a tecnologia necessária para suportar os tremores sísmicos.

City Towers – uma das redes de clubes residências verticais que estão crescendo na Cidade do México. (Foto arquivo pessoal).

Nossa, mas até agora o processo de aluguel parece tão normal, não é? Sim, até aqui sim. Há milhares de anúncios que entram e saem diariamente nos sites e imobiliárias, muitas opções para serem visitadas e os corretores estarão sempre de braços abertos para lhe receber. O problema, são justamente os corretores! Na minha busca visitei cerca de 30 imóveis, por alto. Ao mesmo tempo outras duas pessoas que chegaram aqui na Capital na mesma época, uma dos Estados Unidos e outra da Guatemala, também procuravam imóveis, e na soma destas 3 experiências posso dizer: corretores mexicanos não têm palavra. O mercado de imóveis aqui está superaquecido, o contrato de aluguel é de um ano (só!) o que gera uma rotatividade grande e, o que eles querem é fechar negócio, claro. Você está visitando um apartamento, ouvirá que não tem ninguém na fila, 3 horas depois liga novamente e o mesmo apartamento já foi alugado.

Eles não deixam de apresentar o imóvel até que a pessoa que está na frente feche o contrato, e estão sempre abertos a uma proposta melhor. Talvez isso não seja tão errado, mas é preciso ter transparência e informar que há alguém no processo. A única imobiliária que teve a seriedade de apresentar uma carta oferta, onde você assina garantindo o compromisso em alugar o imóvel e, em contrapartida, a imobiliária o de não apresentá-lo a mais ninguém, foi a Century 21, que é uma rede americana.

Bom, processo de aluguel na reta final, agora é a hora de estar atento à algumas questões do contrato. O primeiro ponto é a duração dele, que comentei acima ser de um ano. Para quem está acostumado com 30 meses no Brasil, é uma mudança considerável. Isso quer dizer que a cada 12 meses o preço do contrato sofrerá reajuste? Sim, a menos que tenha um proprietário camarada que não queira reajustar.

Normalmente os contratos indicam o “índice de Inflación de Banco de México”, ou INPC (Índice Nacional de Precios al Consumidor) como base (como nosso IPC-FIPE). Este índice foi de 3,36% no último ano, não foi tanto, o problema é que o proprietário pode não querer respeitar isso e subir mais (sim, aconteceu comigo). Resumindo, com palavras de próprios mexicanos, o contrato de aluguel é pró forma, pois se a zona do imóvel valorizar muito mais que a inflação, o proprietário pode querer subir mais o valor do aluguel e, se você não estiver de acordo, precisa sair do imóvel.

As responsabilidades das despesas extras também devem estar descritas no contrato. Normalmente água, luz e gás natural são despesas do locatário e o impuesto predial (o nosso IPTU) é despesa do locador – diferente do Brasil. E aqui uma curiosidade: os boletos de consumo de água, luz e gás são bimestrais!

Por último, a multa do contrato normalmente se aplica apenas ao primeiro ano do aluguel se uma das partes quiser desfazê-lo. Para os demais, mesmo que seja renovação, há apenas um prazo mínimo para que as partes sejam comunicadas – em torno de 30 dias.

Ser um estrangeiro buscando imóvel em outro país não é tarefa fácil, o idioma te deixa um pouco vulnerável e parece que com isso um caminho se abre para que se “aproveitem” da situação, por isso, é importante estar preparado e ser duro se precisar. Achou algo estranho, não aceite nem assine nada e vá se informar. Espero que com estas dicas sua jornada em busca de um novo lar no México seja tarefa mais fácil!

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4 comentários

Mariel Agosto 14, 2017 at 4:04 am

Legal, boas dicas, Joseane! E quanto a documentação, fiador, essas coisas, foi complicado? Obrigada!

Resposta
Joseane Dambros Agosto 21, 2017 at 12:15 am

Olá Mariel, como tivemos a empresa como fiadora não foi complicado, mas sei que normalmente o que é pedido de documentação é o passaporte e/ou documento de residência, e o principal, a comprovação de renda dos últimos 3 meses. Abs, Josi.

Resposta
Fernando Dezembro 3, 2017 at 12:43 am

Boa Jose ! , estou em processo de mudança para CDMX também , quero ficar perto do trabalho devido ao transito daqui ser muito caótico , a empresa fica na Colonia Ampliación Daniel Garza.
Existe alguma colônia de brasileiros aqui ?

Resposta
Liliane Oliveira Dezembro 3, 2017 at 5:22 pm

Olá Fernando,
A Joseane Dambros parou de colaborar conosco, mas temos outra colunista no México.
Você pode entrar em contato com ela deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
Obrigada,
Edição BPM

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